Vimos Elefantes no Super Bock Super Rock 2014 | Watch and Listen!

Vimos Elefantes no Super Bock Super Rock 2014




Review do concerto dos Tame Impala no Super Bock Super Rock. 

A banda australiana voltou a Portugal pela terceira vez no passado dia 17 de Julho, sendo a primeira também no Super Bock Super Rock’11. O regresso dos Tame Impala foi marcado por cinquenta minutos de pura explosão de felicidade embora tranquilizante, o que se notava claramente no público que me rodeava. Apesar do concerto ter começado com um pequeno atraso, a banda não teve qualquer problema em compensar o tempo de espera com as suas músicas electrizantes e coros de provocar arrepios, aos quais os fãs sabiam as letras de cor e até de olhos fechados, literalmente.

"Be Above It" foi a música escolhida para inaugurar o concerto e não poderiam ter escolhido melhor. O público cantava em uníssono enquanto dançava com tremendo entusiasmo após um ano de espera pelo regresso da banda, tal como eu. Seguiram-se dois singles do álbum "Innerspeaker" (2010), "Solitude is Bliss" e "Why Won’t You Make Up Your Mind", esta última com uma percussão semelhante à "Hey Ya!" dos Outkast, o que nos valeu uns belos movimentos de dança com a guitarra assistindo em sintonia com os outros instrumentos, de modo a criar uma atmosfera quase de transe e hipnótica. A quarta música levou-me de volta aos anos 60/70 do rock psicadélico. "It’s Not Meant To Be" faz alusões ao som de The Doors com a bateria e o sintetizador fazendo-nos sentir um pouco entorpecidos e se calhar até como robôs pois todos fazíamos movimentos semelhantes e em sintonia. Eis que começou a loucura. Provavelmente a música mais famosa que os Tame Impala têm começou e todos perderam a cabeça, no bom sentido claro. Era hora da "Elephant" e todos os presentes saltavam, gritavam, cantavam e aposto que mesmo os que não conheciam dançavam ao som do hino. Cheguei ainda a observar dois rapazes a fazerem crowd-surfing, olhei para o palco e não pude deixar de reparar na cara de felicidade dos australianos. Os fãs estavam num estado de espírito que não dá para descrever por palavras, mas a verdade é que até a parte instrumental cantavam. Esta era a energia sentida durante a música inteira. Acalmámos um pouco com a seguinte, "Endors Toi", mas ainda assim o ambiente continuou festivo até à próxima música, outra favorita, "Mind Mischief". Mal começaram os primeiros acordes da guitarra de Dominic Simper acompanhada pela bateria, o público vibrou. No entanto, a banda fez apenas uma versão instrumental da original com alguns coros cantados por parte do vocalista, Kevin Parker. As três últimas foram para terminar o concerto em grande, disso não duvido. Os oriundos de Perth guardaram o melhor para o final com "Why Won’t They Talk To Me", "Feels Like We’re Going Backwards" e "Apocalypse Dreams". A minha memória da primeira é a das fãs espanholas que se encontravam atrás de mim, a fazerem o coro mesmo quando Parker não o fazia o que até era agradável. "It feels like we only go backwards baby" era cantado uma vez mais em uníssono e com alegria, e de seguida deu-se o apocalipse e a despedida. Ninguém previa ser esta a última música mas todos aproveitaram ao máximo. Novamente com um som que nos remete à década de 60, o ambiente era qualquer coisa de outro mundo.


Com este “sonho apocalíptico” acabou então a viagem psicadélica dos Tame Impala pelo Super Bock Super Rock. Não se deixem enganar pelas cabeleiras dos australianos porque eles não brincam em serviço. Embora soubesse a pouco, o concerto todo foi pessoalmente dos melhores da noite, senão o melhor. Com um conjunto de boa vibe transmitida pela banda e a resposta do público a esta, numa mistura de elefantes, coros angélicos e riffs de arrepiar, os portugueses despedem-se assim dos antílopes uma vez mais e esperam ansiosamente pela próxima visita.



                                                     


Texto: Diana Veiga
Fotos: Iris Cabaça

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