Entrevista com Frankie Chavez | Watch and Listen!

Entrevista com Frankie Chavez


Entrevista com Frankie Chavez no festival O Sol da Caparica

O Watch and Listen falou com Frankie Chavez antes do seu concerto no festival o Sol da Caparica. Durante a entrevista conversámos sobre a sua a carreira, do seu último álbum, das maiores referências musicais, sobre ter tocado em festivais na Itália e na Alemanha e ainda sobre o Orlando Santos. Mas falámos sobre muitas mais coisas. Vejam a entrevista aqui em baixo.


Como surgiu a ideia de começares a tua carreira?
Não me lembro. Comecei a tocar há muito tempo, para aí aos 19 anos. Nunca pensei que fosse fazer carreira disto, sinceramente. Mas houve uma altura em que acho que foi quando comecei a trabalhar e a fazer aquilo que era suposto que os meus pais queriam que eu fizesse e foi quando eu realmente percebi que não era aquilo que eu queria fazer e então como tocava e cada vez tocava mais e em mais sítios e com mais pessoal fiquei a pensar que se calhar era uma boa saída e quando escrevi as primeiras músicas e percebi que havia pessoas que gostavam além de mim. E fiquei a pensar que se calhar era uma saída ou uma entrada para um sitío melhor. E pronto, acho que foi aí. Deve ter sido para aí por volta dos 22, 23 anos.

Foi mais pela paixão?
Pela paixão. Eu toco guitarra desde os 9. Não foi imediato mas passado dois anos já era quase o meu amigo inseparável. Era levar a guitarra para todo o lado e isso fez com que eu sonhasse muitas vezes que era giro se calhar fazer uma vida como músico, mas sempre me pareceu uma coisa que eu… na altura lembro-me de pensar assim: “mas às tantas se eu fizer só isto na minha vida vai haver uma altura em que eu vou ter que tocar sem me apetecer” que é o que acontece num trabalho normal e pensei que eu não queria isso para mim. Eu queria que quando fosse para tocar era mesmo quando me desse prazer e o que aconteceu foi que a vontade e o querer fazer isto superou tudo. Há dias em que não me apetece tocar e agora tenho filhos e apetece-me estar em casa com a família, mas sei que quando entro no palco não há outro sitío onde eu gostava de estar.

Ou seja, mesmo que estejas num mau dia gostas sempre de estar ali?
A tocar, exato.


E o teu álbum “Heart & Spine”. Podes falar-nos um bocado sobre ele?
O Heart & Spine é o meu terceiro trabalho editado. É o meu segundo disco de colaboração. Foi editado agora quando saiu em Maio (dia 5), e é um disco que foi sendo escrito ao longo de dois ou três anos. Saiu agora em 2014 e eu tinha editado o Family Tree que foi o álbum anterior em 2011, portanto desde 2011 a 2014 eu fui sempre escrevendo músicas e fazendo imensos concertos e comecei a evoluir também no sentido em que antes tocava sozinho, e comecei a tocar com baterista e acho que este disco é o resultado desses anos a nível pessoal e a nível de carreira também porque é o resultado de uma evolução sonora. Passei desde a tocar sozinho a tocar com um baterista e passei por uma série de situações que me levaram a escrever temas que os compilei neste disco e são temas que falam principalmente da dificuldade que é ser músico independente hoje em dia em Portugal, querer editar um disco e não ter maneira "ou tens dinheiro ou estás tramado", basicamente. Tive ainda bastante tempo a trabalhar em escritório para conseguir conciliar as duas coisas e foi quando as coisas na música começaram a correr bem e tive que optar e optei pela música. Resolvi arriscar e foi na altura que comecei a gravar o disco.

E quais são as tuas maiores inspirações musicais?
Eu neste disco e este projeto Frankie Chavez baseia-se muito em três géneros: o blues, o rock e o folk. No Family Tree acho que dei uma maior incidência ao folk e não ao rock e neste disco no Heart & Spine acho que foi para o rock e para as guitarras elétricas e um som mais coeso, um som maior, talvez. Não tão acústico se bem que o folk também está lá e o blues também, mas acho que a predominância é o rock. E dentro destes três géneros  eu tenho várias pessoas e músicos que sigo. Uns que já cá não estão, outros que ainda cá estão. Posso falar do Jimi Hendrix, no Robin Johnson, no Stevie Ray Vaughan daqueles que já cá não estão. E hoje em dia, gosto muito do trabalho do Jack White, do David Gilmour que são coisas muito variadas mas que eu acho que congrego neste estilo que não consigo chamar uma palavra só mas é esta mistura entre estes três géneros.

Tens dado alguns concertos fora do país como na Alemanha e na Itália como é que tem sido essa experiência?
Tem sido boa. Eu não sei porquê mas na Itália as coisas correm bem. Eu fui lá em 2012 num primeiro festival e a partir daí tem corrido bem, eu tenho sido convidado para bastantes festivais e principalmente em Itália as coisas estão a andar bastante bem. O disco já está a distribuir lá. O Family Tree e o EP, o Heart & Spine vai ser distribuído agora em Setembro ou Outubro. Na Alemanha tem sido uma luta (risos) entrar lá, a Alemanha é um país muito grande, e com muita coisa a acontecer, muitas bandas e portanto as coisas não são tão imediatas. Nós temos tido alguns festivais. O último que fui foi em Abril, e correu super bem. Deixa ver o que rola agora, mas a ideia é também o disco distribuir, no fundo. 

E sentes que o facto de cantares em inglês também ajuda mais nessa divulgação?
Eu acho que sim, pelo estilo em que eu toco porque acho que o fado, por exemplo, é cantado em português, é a música tradicional portuguesa fura muito melhor. É muito mais difícil sair a cantar em inglês ou a cantar rock que é o que eu faço que já há mil coisas assim. Por outro lado, também sei que se cantasse rock em português não seria… agora cantar fado em português que é óbvio que se canta…
Se calhar por ser em inglês resulta melhor lá fora.
Resulta porque acho que as pessoas se identificam mais e olham para um projeto mais internacional e mais universal do que propriamente uma banda portuguesa. Não interessa se sou português ou não, o que interessa é que toco aquele género de guitarras e claro que depois as pessoas ficam intrigadas quando toco guitarra portuguesa e porquê uma guitarra portuguesa? Porque é grande som (risos).

Gostas mais de estar em digressão ou a compor em estúdio?
É diferente. É a mesma coisa que perguntares gostas mais de viajar de carro ou de avião. Acho que é diferente, gosto imenso das duas coisas só que há lados bons e maus, por exemplo, a compor tenho o quebra-cabeças do estar a desconstruir a música. A compor e estar em estúdio é fixe porque é o momento mais sereno, o momento que vai ficar para sempre. É o momento mais pessoal. Tu gravas aquilo e partilhas com as 3 ou 4 pessoas que estão ali no estúdio contigo e eu adoro isso, mas por outro lado acho que sou mais um músico ao vivo pela energia que gosto de passar e pela energia que gosto de receber e isso também me dá imenso gozo. Adoro as duas coisas, mas se tivesse que escolher acho que era ao vivo. Isto porquê? Porque eu em estúdio não consigo partilhar isto com mais ninguém a não ser quando o disco está na rua e quando estou ao vivo consigo partilhar isso com imensa gente, e também posso gravar!

Se tivesses que optar por ouvir uma banda e ver só um filme até ao resto da tua vida quais seriam?
O filme acho que tinha de dizer "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Adoro esse filme. É um filme que me marcou bastante e numa altura importante da minha vida. Relativamente a uma banda… isso é que é mais difícil… essa é tramada. Tenho imensas, tenho Ben Harper, tenho AC/DC, são coisas completamente diferentes. Led Zeppelin, Jack White, White Stripes…

Então pelo menos o top 3.
O top 3 tinha que dizer Ben Harper, Jack White nestes discos que ele está a fazer agora e AC/DC.  

Já agora, mencionaste o Ben Harper. Por acaso, não és amigo do Orlando Santos?
Sou. 

É que estivemos ontem à conversa com ele, e ele explicou-nos a história do instrumento oferecido pelo Ben Harper.
Que é o slide guitar que eu também toco e também gosto e já toquei nessa guitarra e tem um som brutal. Foi gira essa história.


Texto e fotos: Iris Cabaça

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