O que aconteceu em Paredes de Coura | Watch and Listen!

O que aconteceu em Paredes de Coura

Reportagem do festival do Minho. 

Depois de alguns festivais de verão, fomos rumo a Paredes de Coura pela primeira vez, e é com muita pena e alegria ao mesmo tempo que acabamos a temporada de festivais de verão. Paredes de Coura foi o último, e mais só para o ano.

No meio de tantos mosh e crowdsurfing, ainda conseguimos ver alguns concertos, e também tivemos o privilégio de assistir ao concerto privado dos The Growlers.
Fiquem com um pequeno resumo aqui em baixo.


1º dia

No primeiro dia que foi o que começou mais tarde (às 21h), Capicua teve a honra de abrir o festival num concerto que mostrou a portuense no seu melhor. A rapper esteve acompanhada, como já é habitual, pela MC M7 e ainda por um ilustrador que durante o concerto ia desenhando algumas imagens que depois apareciam num ecrã. Com temas do mais recente álbum "Sereia Louca" como "Mulher do Cacilheiro", "Jugular" e "Vayorken", Capicua pôs tudo a mexer inclusive pessoas que não gostam deste género de música e espanhóis que pouco ou nada percebiam das suas letras.
Do rap de Capicua, passamos para a energia dos Cage the Elephant que quase deitaram o recinto abaixo, literalmente. Durante o dia, a banda andou a passear pelo campismo e pelo rio antes do estrondoso concerto. Foi neste concerto que o público se começou realmente a mexer fazendo mosh e crowdsurfing em todas as músicas (sim, até mesmo nas mais calmas), e a banda respondeu a isso na forma em que deu um ótimo concerto, e foi um dos seus favoritos até agora, segundo o que disseram no concerto. A banda tocou temas como "Telecospe", "Come a Little Closer" e "Take it Or Leave it" do seu mais recente álbum "Melophobia"
Depois de ficarmos completamente esgotadas em Cage the Elephant, chegou a dramática Janelle Monaé que entrou em palco com um colete de forças. A senhora elétrica esteve imparável durante o concerto todo e o público também o esteve. Além de ter cantado músicas como "Givin' Em What They Love", "Cold War" e "Tightrope" também cantou um tema de Prince, "Let’s Go Crazy", e de James Brown, "I Feel Good". Janelle deu um concerto bastante animado e também teatral o que o tornou em algo muito especial. A norte-americana deu tudo e mais alguma no palco de Paredes, ficando o público em êxtase total. No final do concerto, Janelle foi tirada à força toda do palco.

 

2º dia

Seguimos para o segundo dia desta viagem que se iniciou com os espanhóis Oso Leone que podem não ter encantado muitas pessoas, mas foram uma boa descoberta para quem não os conhecia (exceto os seus fãs espanhóis que estavam lá). O concerto deles foi como as suas músicas: calmo e relaxante. Não aqueceram muito o público, mas foi um bom início.
Eis que chega o avô que todos nós gostaríamos de ter e merecíamos ter, Seasick Steve que durante o dia andou a passear pelo rio onde foi falando com os fãs e ainda tocou numa guitarra pouco vulgar. Steve Wold estava sempre a elogiar o público português em cada oportunidade que tinha, e claro que o público adorou isso, e lá para o meio do concerto já havia mosh e crowdsurfing. Steve contou-nos histórias em modo de country blues numa maneira muito bela. Também houve uma fã muito sortuda que subiu ao palco e teve o avô a cantar para ela. Seasick Steve adorou Paredes de Coura, e Paredes de Coura adorou Seasick Steve. O sentimento foi mútuo.
Do country blues do "nosso" avô, fomos para a maluqueira do Mac Demarco. Antes do concerto começar, Mac Demarco entrou no palco para fazer o soundcheck o que gerou alguns berros por parte do público que o viu imediatamente. O concerto foi a loucura total! Mac mostrou-se bastante interativo com o público sempre a fazer caretas, a sorrir, a dizer "cool", e ainda convidou uma fã ao palco e depois disso começaram a subir pessoas para o palco tendo Mac mandando vir com os seguranças e tudo. Também houve alface atirada para o palco por causa do último disco "Salad Days". Mac também pintou os lábios com um batom que foi atirado para o palco sem nenhum espelho, e parece que até ficaram bem pintados. O cantor descontraído apresentou temas como "Blue Boy", "Treat Her Better", "Chamber of Reflection" e "Let My Baby Stay". Foi uma estreia muito bem recebida.
E vamos para outra estreia em Portugal, a dos Chvrches. A banda de electro-pop que tem dado que falar nos últimos tempos chegou finalmente a Portugal, e apesar de já terem muitos fãs durante o concerto não se sentiu muito a energia do público, e uma das músicas mais aplaudida (e conhecida) foi "The Mother We Share". A vocalista Lauren Mayberry foi sempre fofa com o público e contou uma história sobre a última vez que esteve em Portugal há alguns anos atrás, onde ficou doente com varicela e com uma cicatriz na testa devido a isso, daí agora usar franja. Houve muitos momentos de doçura com a voz de Lauren, mas também houve momentos de dança quando Martin Doherty deixou os sintetizadores e foi cantar a música "Under The Tide". Os escoceses mostraram-se sempre simpáticos com o público, apesar de este ter reagido pouco ou nada.
Terminamos este dia com os Franz Ferdinand. Fomos para o lado pop-rock da Escócia depois de termos visitado o electro-pop. O concerto durou mais de uma hora e meia, e foi bastante cansativo mas valeu a pena. A banda era uma das mais esperadas da noite e isso sentiu-se bastante no concerto porque os fãs sabiam as letras de cor e salteado, e claro que não deixaram de fazer mosh e crowdsurfing. A banda começou logo com a música "No You Girls", e depois tocou outras músicas como "Evil Eye", "Love Illumination", "Ulysses" e "Jacqueline", entre outras. Óbvio que uma das mais cantadas foi "Take Me Out". Os Franz Ferdinand fizeram o que fazem muito bem e deram um fantástico concerto. Eles já estavam com saudades de Portugal e nós com saudades deles. O concerto terminou em fogo com "This Fire".

 

3º dia

Os rapazes de Barcelos, Killimanjaro, foram os primeiros a abrir o Palco Vodafone neste terceiro dia do festival onde apresentaram o seu disco de estreia, "Hook". O trio pode parecer pouco inexperiente nestas andanças, mas em palco parece que já fazem isto há anos. Meteram o público a mexer, iniciando o primeiro mosh e crowdsurfing do dia.  Os Killimanjaro trouxeram heavy-rock a Paredes de Coura e aqueceram o público para o concerto que se seguia.
Depois segue-se a experiente banda, os Linda Martini que arrasaram completamente. No princípio do concerto, o público estava um pouco morno e parado e só após alguns incentivos do baterista é que se começou realmente a mexer, e lá para meio já estavam montes de pessoas a fazer mosh e crowdsurfing, até o baterista Hélio e o guitarrista Pedro juntaram-se ao crowdsurfing. O público também subiu ao palco fazendo uma festa ainda maior. A banda apresentou alguns temas do seu último álbum "Turbo Lento" como "Ratos" e "Panteão", mas também músicas mais antigas como "Lição de Vôo Nº1". Foi um concerto memorável que os Linda Martini deram neste festival porque Linda Martini em Paredes irá ser sempre algo verdadeiramente incrível. No final, ainda provámos a bebida do André (muito obrigada, caro manager).
O americano Conor Oberst veio acalmar um pouco os ânimos depois de Killimanjaro e Linda Martini. Conor tocou para uma plateia um pouco menos numerosa do que os portugueses Linda Martini, e talvez por isso o público tenha ficado mais calmo. No concerto, Oberst trouxe o seu folk e indie-rock à praia fluvial do Taboão. Não arrecadou muitos gritos nem muitos movimentos pela parte do público, mas foi um bom concerto.
Os cabeças de cartaz, Cut Copy, deixaram o mosh para trás e transformaram o anfiteatro natural numa pista de dança. No palco projetava-se a frase "Free Your Mind" que é o nome do mais recente álbum da banda. Os australianos trouxeram uma onda mais eletrónica ao palco principal depois de um dia preenchido de rock com um público um pouco mais cansado, mas que mesmo assim ainda se ia mexendo algumas vezes. A banda tocou músicas como "Take Me Over", "Let Me Show You Love" e "Free Your Mind". As músicas dos Cut Copy até se adequam bem ao ambiente do festival porque nos fazem lembrar sol, calor e praia e isso há tudo ali em Paredes. Talvez neste dia fosse esperado um cabeça de cartaz mais rock, mas os Cut Copy desempenharam bem o seu papel tornando o anfiteatro dançável.



4º dia 

E chegamos ao último dia do festival que esgotou, mas antes de nos dirigirmos para o recinto tivemos a oportunidade de assistir ao concerto privado dos The Growlers que atuaram num miradouro com vista para a vila de Paredes de Coura. Foi um concerto pequeno como seria de esperar, e apesar do cansanço da banda, os The Growlers mostraram-se sempre simpáticos e acessíveis com o público. Tiraram fotos com os fãs, fizeram entrevistas e quando questionados se alguns fãs podiam subir ao palco responderam que sim e cumpriram.
James Blake foi o senhor que fechou mais uma edição do Paredes de Coura, e da melhor maneira possível. O dia começou com Sequin, projecto português de Ana Miró, no palco secundário de Coura. Apesar de curto, foi um bom concerto em que o público, muito bem composto, mostrou saber letras e conhecer o repertório de Sequin. A cantora não deixou de partilhar sorrisos e danças com o público, mostrando-se realmente feliz de estar ali a tocar. "Naïve" finalizou a festa em grande. Já os Sensible Soccers abriram o palco principal, e meteram o público a mexer com as músicas "AFG", "Sob Evariste Dibo" e "Sofrendo por Você" que encerrou o concerto. Durante o concerto apareceu de repente um rapaz em boxers a dançar ao som da música.
Kurt Vile & The Violators foi bastante agradável, embora o público estivesse algo adormecido talvez, por ansiar as bandas mais conhecidas ou mesmo o cabeça de cartaz. Certo é que mesmo com o público na sua maior parte, sentado, a banda soube trazer um ambiente de indie folk para o anfiteatro natural de Paredes de Coura, que soube muito bem aquela hora. The Growlers, banda mais rock que os anteriores, tentaram puxar pelo público ainda adormecido e foram bem-sucedidos. Houve lugar para canções como "Naked Kids" e "Hiding Under Covers" assim como para ondas feitas pela plateia e crowdsurfing. Goat foi a banda que vimos a seguir de The Growlers, e talvez foram também uma das melhores bandas que vimos no festival. O concerto foi muito interativo e não só foi fantástico musicalmente como também visualmente pois a banda esforça-se por não só dar um concerto como também um espetáculo. Desde máscaras a coreografias tribais, os Goat souberam conquistar e apaixonar Coura. Beirut, talvez uma das bandas mais esperadas desta edição, subiram ao palco e como sempre encantaram. Ao som de cânticos como "Elephant Gun", "Sunday Smile", "Nantes" e "Santa Fe", a banda de Zach Condon fez o público respirar felicidade e ouviu-se o ressoar das letras por todo o recinto. Foi muito digno de se assistir, sem dúvida. Para encerrar o palco principal da melhor maneira, James Blake subiu ao palco e deu o que foi um dos melhores concertos do ano talvez. James Blake, um jovem de 25 anos e com um carreira já bem cimentada no mercado da música, mostrou o melhor de si dando um concerto muito intimista para Coura onde se ouviu o melhor do jovem génio. A setlist foi totalmente diferente da que tem tocado noutros locais, talvez porque ter sido o cabeça de cartaz de Coura. Ouviu-se melodias como "Limit To Your Love", "To The Last", "Lindisfarne" e "Overgrown" que preencheram e aqueceram os corações dos presentes com felicidade, naquela noite que teimava em ser fria mas que não deixou de ser brilhante dado que estávamos na companhia de um génio. Melhor que o James? Não há mesmo. Este jovem músico fechou o palco principal com a melhor eletrónica. Ainda foi possível ver James Blake outra vez, um pouco mais tarde, no palco secundário com o seu projeto 1-800 Dinossaur que colocou todos os presentes a dançar.



Texto: Iris Cabaça e Alexzandra Souza
Fotos: Iris Cabaça                                 

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