Entrevista aos Salto: "Não somos pessoas de estar paradas à espera que as coisas aconteçam." | Watch and Listen!

Entrevista aos Salto: "Não somos pessoas de estar paradas à espera que as coisas aconteçam."


À conversa com os Salto.

Os Salto são uma emblemática banda portuguesa formada por quatro rapazes portugueses: Guilherme Ribeiro, Luís Montenegro, Tito Romão e Filipe Louro. E no passado dia 17 de Outubro, sexta-feira, estivemos à conversa com a banda no I Arraial da FSCH, onde a mesma atuou. 

Na entrevista falámos sobre como tudo começou, a mudança de passarem de um duo para um quarteto, do próximo álbum e ainda do concerto que se irá realizar no Vodafone Mexefest. 
Leiam tudo aqui em baixo. 

Watch and Listen: Como e quando surgiram os Salto?
Guilherme: Ontem à tarde. Estou a brincar. (risos) Em 2007, foi o primeiro concerto com o nome Salto. Foi o concerto da tour de encerramento dos Azeitonas. Foi em  Setembro, Novembro de 2007... qualquer coisa acabada em "embro", sem ser Dezembro. Foi muito giro! E, foi a primeira vez que usámos o nome Salto. A partir daí, usamos mais vezes. E nós somos primos, em 2012 o Tito juntou-se a nós, e depois, o Filipe juntou-se a nós em 2013. E agora somos quatro. Uma coisa é certa: para a semana estão os dois despedidos, o Luís despede-se e eu também (risos).
Luís: Esta é a nossa última entrevista... antes da próxima! (risos)

W&L: Qual é a origem do nome? 
Guilherme: Foi um amigo nosso que deu a dica. Nós éramos miúdos, tínhamos 17 anos, e ele perguntou o quê que achávamos do nome. Nós dissemos, "achamos fixe, é um nome divertido, simples e fácil de decorar. Tem as letras que tem que ter, a dizer salto. E dizia que era um nome que tem movimento, que tinha acção. Nós gostámos e na altura andávamos à procura de nomes muitos estranhos, tipo siglas, nomes em inglês.. pronto éramos demasiado "chavalos", e ele deu esta opinião e curtimos. E acabámos por nos afeiçoar, porque houve ali uma altura em que pudémos perfeitamente trocar de nome, mas não trocámos. Gostámos. E somos pessoas bastante enérgicas e isso, por acaso, reflecte-se no nome. E adequa-se ao tipo de pessoas que somos e à maneira como encaramos a banda, e a  própria vida. De uma maneira enérgica... não somos pessoas de estar paradas à espera que as coisas aconteçam. 
Luís: Menos quando é domingo e tá a chover. (risos) 
Guilherme: Aí, é mantinha e sofá. E ver o Sozinho em Casa 2. O 1 é giro, o 2 é melhor e o 3 não valeu a pena. Para meterem um miúdo parecido ao outro, mais valia terem posto um diferente. Enganaram o pessoal! (risos)

W&L: Vocês passaram de um duo para um quarteto. Como foi essa mudança?
Luís: Foi uma mudança necessária. E foi ambicionada. Nós estávamos os dois a tocar, e haviam muitas programações, coisas que vias paradas. Que nós não tocávamos, e que estavam a tocar ao mesmo tempo que nós tocávamos. Isso são programações... E nós não queríamos isso, pois acabámos por descobrir, que isso tirava-nos alguma organicidade... E liberdade. Ficava uma coisa demasiada programada. Não podíamos curtir no concerto, tínhamos que fazer tudo certinho, senão fugíamos do baterista e era muito mau.
Guilherme: Também acontecia de vez em quando enganos e era mesmo mau.
Tito: Tipo a bateria ir abaixo e coisas assim...
Guilherme: E o computador ir abaixo... Foi fixe dessa vez... Ficámos todos borrados! (risos) E porque gostamos de fazer músicas com mais pessoas.
Luís: E depois lá está, a ambição. Também faz um bocado parte querer crescer enquanto músico. Eu acho que um dia gostava de tocar numa banda com muitas pessoas. Com muita textura, com muitas possibilidades, muitas cabeças a pensarem. O que é óptimo. Quantas mais pessoas, melhor.
Guilherme: Porque é sempre possível fazeres música sozinho em casa. Mas fazer com mais pessoas é um exercício muito mais rico. E porque são amigos, e gostamos deles e eles gostam de nós. Tratam-nos bem e fazem isto de graça! (risos) Também é bom para nós. O Tito está connosco há imenso tempo. Só que ele não vivia no Porto... e quando veio para o Porto, nós dissemos "anda cá!" (risos). E o Filipe estudou connosco na mesma turma, o que era mesmo fixe.
Luís: Se acharem que há coisas que não são verdade, digam. É ou não é mentira... É MENTIRA! (risos)



W&L: Qual é o vosso concerto mais memorável? 
Luís: O concerto mais memorável... vai ser este! Mas, como ainda não foi, há-de ter sido o Paredes de Coura... eu gostei muito do Paredes de Coura.                                            
Guilherme: O Paredes de Coura é uma referência!
Luís: Mas sim, o Paredes de Coura de 2012. Foi no dia "0", e estava à pinha a chover e tudo ali colado.
Tito: Foi muito fixe, mesmo! 

W&L: Como classificam a vossa música? 
Luís: De 0 a 10... Amarelo!
Filipe:  Radioactiva.
Guilherme: De 0 a 10... Amarelo, radioactiva e...
Luís: Muito boa! Muito boa!
Filipe: "Multiópolirrítmica" e orgânica. E multiópticas! (risos)
Tito: Simba experimental...
Luís: Agora a sério... Eu acho que esta é a pergunta que os músicos respondem todos igual... "não sei". A não ser que toques jazz... (risos) Mas tenho imensa dificuldade em definir o nosso género. Acho que é uma cena maior.
Guilherme: Tem ali uma mistura. Um bocadinho de rock... tem toda uma cena.
Filipe: E agora, mais que nunca, tem muito mais do que alguma vez teve.
 W&L: Podiam, então, inventar um nome para o vosso género. (risos) 
Guilherme: Podíamos tipo...
Filipe: Amarelo.
Guilherme: Espacionalidade tridimensional polirrítmica... gangster! (risos)

W&L: Acham que há uma diferença entre o público portuense e lisboeta?  
Guilherme: O sotaque. (risos) 
Tito: Existe, na medida em que tocamos mais vezes em Lisboa do que no Porto. Se calhar gostam mais de nós cá do que lá.
Guilherme: Temos tocado mais tocado mais no sul e em Lisboa. Coimbra e essas coisas.
Luís: Sei lá... Eu sou da Maia e o Guilherme também. E nunca tocámos lá.
Guilherme: Já tivemos para ir... mas não. Agora, o público de Lisboa e do Porto são iguais. Gostam cada vez mais de música e isso nota-se. Vão a cada vez mais festivais e concertos. Quem diz Lisboa, diz de outras cidades. E é pessoal que gosta mesmo de festa, e de concertos e desse tipo de ambiente. É pessoal entusiasta. Se calhar a diferença, é que no porto há mais crowdsurfing. (risos)

 


W&L: No evento da Tradiio atuaram em Live Set pela primeira vez. Como é que foi a experiência? Guilherme: Foi muito giro. Foi a primeira vez, nesse formato.
Luís: No fundo, levámos alguns instrumentos electrónicos e tocámos por cima de músicas que gostávamos. E tocámos bem. Também músicas nossas. Foi muito divertido. Tivemos ali um problema de som no início, mas depois foi altamente!
Guilherme: Foi um formato engraçado, foi giro.

W&L: O vosso lema é #saltoédequemouvir. Expliquem-nos o que querem dizer com isso? 
Guilherme: Que somos das pessoas. E é para as pessoas ouvirem mais do que falarem. É ouvirem, desfrutarem daquilo que é uma experiência auditiva. E é para isso que a música serve. E por isso é que nós, fazemos a nossa música para quem a quiser ouvir. E não para quem não a quiser ouvir.
Luís: Nós fazemos a música porque gostamos. E lá está: é a nossa expressão, a nossa maneira de viver a musica. Não o fazemos de propósito para as pessoas, porque sabemos que acham que querem ouvir, mas porque queremos englobar o ouvinte. Quase como família. Se gostas, que alegria. Aliás, as coisas que mais me fascinavam quando ia a um concerto era, que aquilo que tava no disco era também uma pessoa como eu, e que estava ali a expandir-se e a curtir, e a criar. E isso é que tem piada. Nós queremos voltar a criar essa desmistificação do artista.
Tito: Criar uma empatia com o público, que são pessoas vulgares. A única diferença é que fazem música para as pessoas ouvirem, em vez de serem uma imagem de centro de cultura pop, em que uma estrela de rock é completamente superior às pessoas e basicamente, tentar transmitir aquela ideia de que sentimos a mesma coisa que a pessoa que tá a ouvir. Só tentamos fazer transmitir, numa determinada forma.

W&L: Sentem que a vossa licenciatura em Produção e Tecnologias da Música ajuda na criação da vossa música? 
Luís: Ajuda, porque nós usámos imensas técnicas que encontrámos lá, para fazer musica. Se calhar se não tivéssemos andado lá, sabíamos fazer exactamente a mesma coisa. Mas, se calhar....
Guilherme: Tínhamos tido outro percurso, de certeza. Quando começámos a fazer Salto, os dois com a programação, os computadores, foi muito por causa daquilo que aprendemos. Mas está muito relacionado. O Filipe também tirou este curso. O Tito tirou em casa. Andou na escola da vida. (risos) Universidade da vida.




W&L: Vocês fizeram um remix da música “Verdade” dos Capitão Fausto. Acham que poderia surgir uma colaboração a partir daí? 
Luís: Não respondam...
Guilherme: É surpresa.. ou não! Eles são muito nossos amigos. Se calhar não fazemos musica com eles, porque não moramos na mesma cidade. Se calhar se morássemos aí íamos para casa deles e gravávamos.
W&L: Então já pensaram em mudar-se para Lisboa?
Guilherme: Já. O Filipe não porque é anti-alérgico ao glúten. E há mais glúten cá. E a água cá é mais calcária. (risos) Mas claro que sim, Lisboa é Lisboa. Diz-nos muita coisa, porque partilhamos muita coisa com os artistas de cá que nos identificamos muito mais do que os artistas do Porto. Se calhar, por ser mais o nosso género. Se calhar o nosso género no Porto, não é uma coisa tão comum. O Porto tem mais uma cultura de rock mais pesado, e tem hip hop e mais eletrónica. E ainda não conhecemos, sei lá. Se os teus amigos, à tua volta, não jogam futebol e jogam rugby, é mais fácil jogares rugby que futebol. Ou se gostas mesmo de futebol, vais ficar mais sozinha e vais à procura dos futebolistas. Aqui em Lisboa, gostamos muito dos D'alva, identificamos-nos muito com o que eles fazem. Os Capitão Fausto são nossos amigos há muitos anos, também. E há muitas bandas a fazer muita boa música por cá. E na capital é que acontecem coisas.
Tito: Há mais gente também, é natural que haja mais coisas.
Guilherme: Culturalmente é mais heterogénico, tens gente mais diferente. Claro que já nos pensámos em mudar para cá.

W&L: As músicas de Beat Oven #01 são mais electrónicas. Isso vai influenciar o vosso segundo álbum? 
Guilherme: O que aconteceu foi que quisemos mais explorar essa questão. Tentar perceber como levar isso para um concerto, e gravámos. Fomos nós que gravamos tudo, e foi diferente porque não o fizemos com uma editora. É um desafio e uma maneira de crescermos na parte técnica. E esse sonho de concretizares um EP electrónico há sempre. Não é como teres um hit no meio do álbum que é meio electrónico. Não, é fazeres música electrónica mesmo e tentar perceber como é que isso resulta aqui, e é esse o exercício.
  
W&L: O vosso concerto no Mexefest foi recentemente anunciado. Irão preparar algo especial para esse concerto?  
Guilherme: Claro! Nós fazemos isso para quase todos os concertos. Este também tem coisas especiais, embora como ainda estávamos em gravações, foi mais difícil  preparar assim coisas especialíssimas, como costumamos preparar mas, geralmente preparamos. Antes tínhamos disso, fazíamos alguma coisa nova sempre que íamos dar um concerto. Agora tentamos isso, mas é mais difícil. Para o Mexefest vamos ter mesmo isso. Coisas novas, momentos de malabarismo. E pois é isso. Ah e escalada. É só. E já tentámos isso hoje mas o palco é levezinho e não dá por isso hoje não vai acontecer. Mas vai ser giro à mesma. 



No nosso novo canal do YouTube podes encontrar o vídeo de apresentação dos SALTO e o do jogo que fizemos, que se segue:
Texto: Alexzandra Souza
Fotos: Iris Cabaça 
Vídeo: Diana Veiga

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