Entrevista a Sequin | Watch and Listen!

Entrevista a Sequin



Já há algum tempo estivemos à conversa com a Ana Miró, mais conhecida por "Sequin". A Ana é sem dúvida uma querida e estivemos à conversa sobre o projecto Sequin, sobre sítios onde a cantora sonha dar concertos e muito mais. Deixamos a entrevista abaixo.

Como é que surgiu o projecto "Sequin" e porquê o nome?

O projecto, surgiu numa altura em que eu precisava de fazer qualquer na música, porque tinha parado. Foi em 2012. Tinha parado no início do ano com outros projectos de música, e a única coisa que eu tive nesse ano foi a participação com o Óscar Silva, em Jibóia. Ele convidou-me para fazer um cover da Gal Costa e entretanto aquilo correu bem. Foi engraçado, e decidimos começar a trabalhar em originais. Era a única coisa que eu estava a fazer. No final do ano, comecei a pensar que se o Óscar conseguia fazer um projecto de musica sozinho, eu também devia tentar experimentar. E foi isso que fiz. Comprei um teclado, que é a única coisa que eu sei tocar. Nas férias de Natal fui para a casa dos meus pais, e tive lá a viver no meio do campo, e acho que foi perfeito para isso. Comecei a desenvolver as músicas do projecto que eu mais tarde decidi de chamar "Sequin". Foi aí que surgiu a ideia de fazer alguma coisa sozinha e em nome próprio. Já tinha trabalho como banda e era tudo muito divertido. Mas, acaba por ser um bocado cansativo ter que estar à espera das outras pessoas, porque e difícil chegar a um consenso. Assim é mais fácil. Sou só eu. E precisava um bocado disso, de me libertar de tudo o que tinha feito até agora e arranjar uma coisa nova.

Estás presente em alguns projetos musicais. Fala-nos um pouco de cada um.

Estou só em Jibóia de momento. Estive com outra banda mas tendo em conta que Sequin está a correr bem, estou praticamente sem tempo para conseguir dedicar-me a outros projectos. Jibóia é diferente porque sou apenas convidada, apesar de ter lançado agora um EP novo. Já tinhamos feito esse trabalho o ano passado, mas gravámos este ano. E agora lançámos-o. Acho que é necessário não estar só numa coisa. faz bem à cabeça, à criatividade. É melhor do que te limitares a fazer só uma coisa.

Consegues escolher o teu projecto preferido?

Sequin é meu, é o meu bebezinho. É diferente. Eu gosto de tudo, de todas as experiências não há assim nenhum preferido. São coisas diferentes. Também foi por isso que eu não quis chamar ao projecto a solo, o meu nome próprio. Eu sei que não vou conseguir conter-me só numa coisa. Eu gosto de experimentar várias coisas. Não consigo estar envolvida só numa coisa. Acho que o limite não existe e os vários projectos em que tenho estado, permitem-me evoluir nos outros e isso é bom.

 
Como é trabalhar com o Jibóia?

É bom. Somos amigos há muito tempo e é um projecto mais livre e experimental. Não sei, acho que as coisas fluem muito facilmente. Trabalhamos bem um com o outro. Tem-me permitido conhecer sítios novos, e tocar para pessoas completamente diferentes das que iria tocar com Sequin
É óptimo trabalhar com ele. Aprendem-se sempre imensas coisas.

Estiveste no Paredes de Coura este ano. Podes falar-nos um pouco dessa experiência?

Posso. Foi muito gratificante. Foi um bom concerto de verão. Eu andei  a tocar em todo o lado. E foi especial. Foram todos mas... Eu não estava à espera de tocar tão cedo e ter tanta gente. Estava cheio, nunca pensei que naquela hora as pessoas viessem ver. E coincidiu um bocado com Sensible Soccers. Foi incrível ver que as pessoas estavam lá para ouvir a música. Foi pouco tempo, mas isso é bom porque é melhor do que cansar as pessoas. (risos) Foi um concerto muito especial. Quando entrei estava tudo a fazer barulho, eu não sabia o que dizer. Foi divertidíssimo. Acho que correu bem. Foi uma boa experiência. Tive quase para chorar na primeira música, porque a reacção do público foi mesmo boa. Houve uma parte em que parámos o beat e só ouve-se pessoas a gritar e eu fiquei incrédula, só queria chorar. Mas ri-me. (risos)

 
Penelope é um álbum que parece ter raízes bastante internacionais e tal aconteceu para conseguires mais público internacionalmente?

Não. Eu quando fiz as músicas não pensei muito nisso. Estava a pensar mais que queria fazer algo, que me desse mesmo muito prazer a tocar e a ouvir. Basicamente, eu decidi fazer músicas que me agradassem a mim. Não sei, quando tens a possiblidade de fazer qualquer coisa em geral, por exemplo, eu adoro música e eu pensei que queria fazer música que me desse imenso prazer de ouvir, e acabou por sugir assim. Eu nunca pensei muito em portuguesa. Acho que a música é universal. Se tem uma sonoridade mais fora do que há em Portugal, é porque as minhas influencias estão praticamente todas lá fora. Não foi uma coisa pensada e aliás eu nem sei se tem um publico asim tão internacional, porque ainda nem toquei assim tantas vezes lá fora. (risos) Não faço ideia se as pessoas lá fora gostam ou não, mas é um bocado por aí. Tem a ver com as influências que eu tenho com a música que eu oiço em geral, e sinceramente não oiço muita música portuguesa.

Como é que chegaste às sonoridades do disco de estreia?

Sinceramente, não faço ideia. Foi um bocado por acaso. Foi espontâneo. Eu o ano passado ouvi muita música dos anos 80. E, fiquei com vontade de fazer coisas mais nessa linha. Acho que essa foi uma altura em que ainda se estava a viver um bocado dos anos 70. E a música era super divertida e, mesmo os temas melancolicos e tal, eram super dançáveis! Tenho sempre uma sensação de um tempo que ficou parado. Sempre me fascinou imenso nos videos, um pessoal totalmente estranho, cheio de cheio de plumas e glitters. E isso está a voltar, eu gosto muito desse ambiente. As minhas músicas acabaram por  tomar esse rumo porque, eu estava numa onda de fazer música dançável, mas que não deixasse de ter esse quê de melancolia e de uma coisa que já passou. Quando faço música não penso muito nessas coisas, acaba por acontecer. As músicas mudaram muito desde que as fiz em casa e as levei para o estúdio... Algumas não mudaram muito, mas outras ficaram irreconhecíveis e isso é uma coisa que eu gosto muito. Eu sou compositora, sei mais ou menos o que quero produzir mas, não tenho esse skill de construir um som científico. E acho que isso se deveu muito ao Moullinex porque ele acabou por perceber o que eu queria, e chegou lá mais depressa que eu. E já tem muitos anos disto, foi um trabalho muito engraçado ver as coisas a crescerem para ese tipo de som.

Qual é o local onde mais desejas dar um concerto?

Não tenho. Eu nunca penso nisso. Gostava de tocar em qualquer lugar, desde que toque é o que interessa. Eu gosto mesmo de tocar e aposto que não conheço quase nada dos sítios bonitos e interessantes para se tocar. De momento não. Nunca pensei nisso como artista, não conheço nada. aladoro quando me convidam, e eu nunca sei como o sitio é quando vou tocar. Sei que é aquele sítio mas não sei como é. Não tenho assim nenhum desejo ou vontade de tocar num sítio específico.

Escreves poemas no teu blog, Conception Rouge, em português e muito bem. Já pensaste em partir daí e escrever algumas músicas em português?

Já pensei e já experimentei e não faz muito sentido. A maneira como eu escrevo não é nada cantável, não fica muito bem. Escrever em português para musica é uma tarefa muito difícil de trabalhar, e facilmente as coisas ficam feias e estranhas e foleiras. Sempre gostei muito do inglês e do francês e sempre preferi cantar nessas línguas. Mesmo quando tive noutros projectos, cantei em português e eu acho que o inglês transmite mais coisas com palavras mais simples. O português é muito rebuscado. Para dizer algo, tens que escolher mesmo as palavras certas. O inglês não, podes escolher palavras que não tem nada a ver e estás a dizer aquilo. E é mais divertido de trabalhar. O inglês é a minha praia.


Em Portugal, não há muitas mulheres a fazerem música porque é que achas que tal acontece?

Sinceramente não sei. Acho que isso é mentira. Pelo menos até agora tenho conseguido conhecer raparigas que têm projectos. Acho que é mais uma questão de falta de coragem. Sim, é um mundo de homens aqui. Acho que é uma coisa de cultura. Não temos uma história de música assim muito grande. Normalmente vou tocar aqui e ali, e sou a única rapariga. Mas há muitas a começarem a formar projectos. Acho que é a falta de coragem. mas é trabalhar e trabalhar sem medo do que possam dizer. Acho que há muita gente com muito talento cá e mais uns anos e isto vai mudar.

Sabemos que gostas de escrever poemas no teu blog. Não gostarías de deixar aos nossos leitores um dos teus poemas?

"Mato os dias afundada nas palavras
Que ninguém diz por querer.
Passo os dias magoada com os gestos funestos
Que ninguém faz por pensar.

E nos acordes e nos solos do Jobim
Fico pelo fim da minha angústia repentina
E Deus sabe como vibra a minha mente
Entre as coisas que não são minhas
E as que quero ter." 


Mais fotos aqui.


No final da entrevista, pedimos à cantora para nos dizer o que pensava de cada música que passámos segundo esta escala: ok - cute - awesome - flawless. Vejam o vídeo aqui em baixo:

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