Entrevista aos Keep Razors Sharp | Watch and Listen!

Entrevista aos Keep Razors Sharp


Na passada quarta-feira, dia 8 de Abril, fomos até ao Cinema de S.Jorge conversar com o Luís Raimundo, dos Keep Razors Sharp, sobre a origem do nome da banda, como decidiram formar a banda. Falámos ainda sobre inspirações musicais e sobre os festivais em Portugal. 
No final houve ainda tempo, para fazermos um jogo com o Luís. Fica a entrevista completa abaixo, assim como o vídeo do jogo. 

Watch and Listen: Como é que decidiram começar a banda?

Luís Raimundo: Coincidiu numa altura, em que eu sou de Lisboa e o Bráulio e o Afonso vieram para Lisboa viver. E nessa altura, e ainda tenho, tinha uma sala onde eu trabalho com os The Poppers. E tínhamos a sala livre, nós estávamos lá sempre. E a dada altura o Bráulio sugeriu, visto sermos músicos e sermos amigos, juntarmos-nos para fazer alguma coisa... sem grande ideia do quê que haveria de ser. Mas já estávamos a perder um bocado de tempo à noite no Bairro Alto, e no Cais do Sodré. E durante uns dias, refugiamos-nos na nossa sala de ensaios, a fazer o que fosse. E foi assim que surgiram os Keep Razors Sharp.

W&L: E como é que chegaram ao nome Keep Razors Sharp?

LR: Quando o Afonso ainda não estava em Lisboa, eu trocava muitas mensagens com ele. Às vezes escrevíamos mails um ao outro. E eu, despedia-me dele, sempre com essa frase: Keep Razors Sharp. Como uma forma de dizer, "mantêm-te forte", pronto. De modo a dar alguma força. E quando estávamos à procura do nome, ele lembrou-se e perguntou-me... "pá aquilo que normalmente te costumavas despedir de mim, com "keep razors sharp"... tiraste aquilo de algum lado ou?". E eu disse-lhe que não, que foi uma coisa que me saiu... e pronto, e saiu. Não em condições, mas saiu. E pronto Keep Razors Sharp, ficou a partir daí dessa despedida de mail.

W&L: Como é que se sentem desde o lançamento do vosso disco?

LR: Muito bem, temos sido muito acarinhados. Nós, como eu estava a dizer à pouco, quando começámos a fazer o tipo de música que estamos a fazer, não tínhamos nenhum plano delineado nem nada disso. Curiosamente, gravámos o álbum rapidamente, as canções começaram a passar na rádio... E depois vieram os concertos, e até agora a recepção tem sido muito boa. Temos sentido muito carinho, tanto por parte do público, como mesmo por parte da comunicação social. E é muito gratificante quando fazes uma coisa entre amigos, naturalmente, e vês que existem mais pessoas a identificarem-se com o que tu fazes.


W&L: Podes falar-nos do vosso novo videoclip "By The Sea"? 

LR: O "By The Sea" foi feito pela Leonor. Nós passámos-lhe o conceito do videoclip. E a Leonor depois fez o esboço e passou-nos as ideias, e a partir daí realizou-se o vídeo. O vídeo foi gravado num dia, com a coragem das meninas que tão lá, porque era Inverno e tiveram que ir ao mar algumas vezes... como está no clip. E desde já o meu obrigado a toda a equipa e à Leonor também. Foi um processo simples, Nós só passámos a ideia e a Leonor desenvolveu a partir daí.

W&L: Quais é que são as vossas maiores inspirações a nível musical?

LR: Cada um de nós, veio de projetos diferentes. Eu, por exemplo, tenho os The Poppers, que é uma coisa mais roqueira, mais rock n' roll puro. Temos o Carlos BB, que é uma pessoa que vem de música mais pesada, é o nosso baterista. O Bráulio vem de uma escola mais punk. O Afonso tem os Sean Riley & Slowriders. Todos nós temos inspirações diferentes, e vamos beber influências a locais diferentes, alguns que se cruzam. Mas curiosamente, desde o primeiro dia em que entrámos em sala para ensaiar... eu levei uma guitarra diferente, uma guitarra de 12 cordas, levei alguns pedais que nunca tinha utilizado. O Afonso a mesma coisa, o Bráulio a mesma coisa, para experimentarmos. E curiosamente, desde o primeiro dia o som criou-se automaticamente. Portanto, nunca tivémos que usar influências uns dos outros para tentar procurar um tipo de som. Cada um de nós tem influências muito diferentes. Algumas, provavelmente, The Jesus and Mary Chain... existem algumas coisas que podem ser cruzadas. Mas realmente cada um de nós é muito diferente, claro que dentro das bandas existe guitarras e isso. Mas cada um de nós explorou sítios diferentes. E Razors acho que é um sítio em que as influências de todos, se cruzam. Podia não ter corrido bem, mas correu.

W&L: Como é que está a correr a vossa tour?

LR: Está a correr bem, temos tido as casas muito compostas. Tá a correr muito bem. Ainda vamos continuar a promover o disco. Ainda temos algumas datas, principalmente no Alentejo, voltamos outra vez à Marinha Grande... e depois subimos outra vez. Portanto, ainda estamos a promover o disco e vamos continuar ainda durante algum tempo. Mas para já está a correr muito bem. As pessoas têm aderido. É muito bom quando chegas a um sítio, e ouves assim um bocado de burburinho, mas não tens noção de como a casa está... depois sobes a palco, e vês que as pessoas tão lá. Muitas pessoas para te verem, e isso é muito fixe. Tá a correr bem.


W&L: Agora têm surgido muitos festivais portugueses, como por exemplo, o que vocês vão tocar na sexta-feira, o Lisbon Psych Fest. No quê que achas que isto pode contribuir para a música portuguesa. É bom, mas em que sentido é que pode ajudar, ou ajuda na música portuguesa?

LR: Eu acho que é bom. Muito francamente é assim, nós como banda, quando vamos tocar a esses festivais, a primeira análise é que as condições são sempre boas. Tecnicamente, tu notas que não são coisas do género "epá vamos fazer um festival", e então levam lá as bandas e depois tu chegas lá ou não têm um sistema de som, não têm as coisas como deve ser, estão desorganizados. Não é o casom, tem-se visto uma maturidade muito grande. Depois por outro lado, tens festivais um pouco mais pequenos que já vão na terceira, na quarta, na segunda edição... o que quer dizer que as pessoas vão aos festivais e têm sede para verem as coisas a acontecerem. Portanto, para nós bandas portuguesas, é bom que este circuito exista. Porque faz com que tu consigas também... porque uma coisa é tu ires tocar a um clube, para 100, 150, 200, 300 pessoas. E essas pessoas vão para te ver. Outra coisa é tu ires tocar a um festival, mesmo que seja médio, imagina 4 ou mil pessoas, e existem muitas pessoas que vão a esse festival não para te ver. Mas que acabam por te ver e acabam por gostar, ou acabam por achar que tu és uma surpresa. E realmente acabam por gostar da tua música. Portanto, os festivais são sempre muito importantes porque, normalmente, tem uma componente muito diversificada. E isso para as bandas portuguesas ajuda. Há sempre aquela questão de que será que existe excesso. Eu sinceramente acho que não existe excesso de festivais. Em Lisboa este ano vais ter dois grandes, o NOS Alive e o Super Bock Super Rock. Mas o ano passado por exemplo, o Alive era em Lisboa e o Super Bock era do outro lado, onde nós tocámos. Portanto, eu acho que as coisas tão mais ou menos assim bem divididas. Acho que as organizações, e as pessoas que estão à frente, estão a saber fazer com algum respeito uns pelos outros, estão a conseguir fazer as coisas de uma boa maneira. Por exemplo tens aqui agora o Psych Fest em Lisboa, tiveste o Reverence o ano passado e vais ter este ano, que também é um festival psicadélico... nós o ano passado tivémos lá. E a pessoa responsável por aquele festival, vem agora meter música no Psych Fest no sábado, que é o Nick. Portanto acho que é uma competição saudável. E eles dão-se uns com os outros. Acho que tem que haver algum cuidado, porque se começa a haver festivais em todo o lado também não há público. É tipo cogumelos que andam em todo o lado, mas depois é esquisito. Porque não há dinheiro, não há público. E não anda para a frente. Mas existem, tal como já disse, festivais médios com várias edições. E se eles tão a fazer isso é porque as coisas lhes correram bem. Acho que é bom.


W&L: Sabemos que o futuro é um bocado incerto, mas o quê que achas que o futuro reserva para os Keep Razors Sharp?

LR: Nós já começámos a delinear alguns planos, para depois do verão. Mas as coisas com Razors têm sido muito... as coisas não têm acontecido por acaso, porque nós temos trabalhado para isso. Mas nunca aspirámos em nada. Portanto, eu não te posso garantir que para o ano lancemos outro álbum ou eu não te posso garantir que vai haver um segundo álbum de Razors. Tudo indica que sim, mas a nossa preocupação agora é, quero dizer, em primeira análise foi promover o disco em Portugal, que era o sítio mais importante onde achámos que devíamos iniciar porque é o nosso país. E agora vai haver, e já está a começar a existir contactos para começar a passar para o outro lado da fronteira. Já temos um festival marcado na Espanha, e já existem coisas que estão praticamente fechadas para o norte da Europa, mas que ainda não posso falar porque não estão fechadas. É neste ponto que nós nos encontramos, ainda a promover o disco. Nós quando vamos ensaiar, acabamos sempre por fazer canções, e tamos a guardar canções. O mais provável é acontecer algo.



No final da entrevista, pedimos ao Luís Raimundo para nos dizer a primeira palavra que lhe viesse à cabeça quando disséssemos os nomes de algumas bandas. Vejam o vídeo aqui:


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