Entrevista aos Holy Nothing | Watch and Listen!

Entrevista aos Holy Nothing


No passado dia 28 de Novembro, estivemos no Vodafone Mexefest à conversa com os Holy Nothing antes do concerto da banda. Os Holy Nothing são uma banda de electrónica proveniente do Porto, e lançaram este ano o seu primeiro álbum, "Hypertext". Durante a entrevista, falámos sobre a origem da banda e do nome, do álbum, do concerto que deram entre Paredes Coura, entre outros. Fica a entrevista abaixo, na íntegra.

Watch&Listen: Como é que surgiu a banda e o porquê do nome?
Holy Nothing: A banda surgiu porque... O Samuel é o chefe da banda. E o Samuel viu-me a tocar e convidou-me. Ele tinha uns trabalhos com o Pedro, que eu ouvi e gostei. Depois começámos a trabalhar nesse sentido. Depois um de nós foi para Erasmus e começámos a partilhar música, um bocado à distância. Depois quando ele voltou para o Porto já tínhamos uma biblioteca de material para trabalhar em sala de ensaio. E inicialmente, o nome que nós tínhamos em mente era Shwwon. Era também para dar uma alusão ao que nós queríamos fazer com os vídeos. Com as animações e isso. E então quando estávamos a gravar os dois primeiros singles... O Zé fartou-se de nos ouvir e andava sempre a perguntar como é que afinal nos íamos chamar. Até que disse que acabou isto e para irmos à prateleira, para tirarmos um livro de James Joyce, para desfolharmos as páginas e encontrarmos aí um nome, através de combinações de palavras. Fizemos para aí uma lista de 10/20, e começámos a iluminar... Até que ficou Holy Nothing. Ou seja, algures num livro de James Joyce tens Holy Nothing. E foi assim.

W&L: Podem falar-nos um pouco do vosso álbum de estreia, "Hypertext"?
Holy Nothing: O álbum de estreia, nós costumamos de dizer que resulta muito de uma espécie de síntese, do que nós fizemos durante 1 ano no estúdio. Ou seja, a ideia de o álbum se chamar "Hypertext", hipertexto, é um bocadinho uma descrição do que é o nosso trabalho em sala de ensaios. É uma espécie de hiperligação textual, múltiplos links. Às vezes distintos, outra vezes coincidentes, dependendo das várias referências que nós vamos tendo. E na interação que nós vamos tendo com o material, com os instrumentos que trazemos para a sala de ensaios. Por isso, costumamos de dizer que é uma espécie de resumo instrospectivo do que nós fazemos na sala de ensaios. Porque todo o processo é muito experimental, percebes? E nós queremos com isso, expressar o nosso álbum de estreia... que é uma espécie de álbum que sintetiza a banda. Daí o "Hypertext".


W&L: Vocês atuaram este ano no Paredes de Coura. Como é que foi para vocês atuarem neste festival?
Holy Nothing: Obviamente que a sensação é completamente diferente dos concertos que tínhamos tido, anteriormente. Apesar de darmos muito valor aos pequenos concertos, em sítios mais intimistas. Estamos habituadíssimos a tocar nesse tipo de salas. Mas obviamente, que a dimensão de um festival como aquele, e um festival que nos é muito próximo. Geograficamente. Somos todos do Norte, e temos uma afeição especial pelo festival Paredes de Coura. As bandas que víamos em miúdos quando lá íamos... Já fomos a várias edições. E é sempre incrível começar este role de concertos, em festivais grandes, num festival que nos é tão querido. As emoções nestes concertos triplicam-se por mil num concerto deste género. E achamos que correu bem.

W&L: Qual é a vossa opinião sobre o estado da música electrónica em Portugal?
Holy Nothing: É assim, é muito difícil falar do trabalho dos outros. Mas é assim, nós temos uma opinião de que hoje em cada e cada vez mais, as fronteiras geográficas relativamente a música entre países, estão-se a dissipar cada vez mais. Esta ideia de globalização da informação, as referências e a informação que nós temos, é exactamente igual à que o pessoal em Paris tem. E nos Estados Unidos, e no Canadá. Por isso, tendemos a ver essa evolução da música electrónica como um colectivo. Temos influências diretas de coisas que foram feitas por Mount Kimbie. E há outras bandas em Portugal que têm outras referências muito próximas de bandas, que nada têm a ver connosco. Acho que mais que falar da evolução da música electrónica nacional, temos que perceber qual é a evolução da música electrónica nesta década. Acho que é muito em conjunto. As bandas de electrónica que vão surgindo em Portugal, vão surtindo um bocadinho desse conjunto de evoluções da música electrónica mundial. Mas acho que, particularmente, estão cada vez a surgir projectos de electrónica interessantes. Ou seja, está de saúde.

W&L: Como é que é para vocês atuarem no Vodafone Mexefest?
Holy Nothing: Vamos ver. Estamos com as expectativas lá em cima. Estamos todos um bocadinho cansados depois daquele rock 'n' roll que foi ontem o concerto de Coimbra, tocar às 3 da manhã. Mas estamos cheios de pica para ver o que é que vai acontecer hoje. Ouvi dizer que estava esgotado. Esperemos que a sala esteja completamente lotadíssima.


Texto: Alexzandra Souza
Fotos: Iris Cabaça

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