Vodafone Mexefest: o ecletismo invadiu a Avenida da Liberdade (2º dia) | Watch and Listen!

Vodafone Mexefest: o ecletismo invadiu a Avenida da Liberdade (2º dia)


O segundo dia do Vodafone Mexefest foi tão bom quanto o primeiro. Foi no passado sábado, dia 28 de Novembro, e o festival já deixa saudades. O Vodafone Mexefest aqueceu a Avenida da Liberdade durante dois gélidos dias de inverno de forma extraordinária. O segundo dia contou com nomes como Patrick Watson, Ariel Pink, Nicolas Godin e Peaches. Havia, portanto, música para todos os gostos e idades.

O nosso segundo dia começou com a atuação de Bombino na Sala 3 do S. Jorge, para a sessão da Vodafone Blackout Room. Um concerto totalmente sensorial. A sala estava praticamente às escuras, apenas existiam algumas luzes mas nada que nos deixasse ver o palco. Não se viam músicos nem instrumentos. Só se ouvia a música. O público permaneceu sentado durante os 15 minutos, e pelas palmas e risinhos que se iam ao ouvindo ao longo da sessão, podemos dizer que esta teve os frutos pretendidos. Resultou e foi incrível. Puxou pelo lado mais sensível de todos os presentes. Foi uma óptima experiência e esperemos que a organização mantenha estas sessões na próxima edição. Valem muito a pena.

Mal saímos desta sessão sensorial dirigimos-nos à Sala Super Bock na Garagem da Epal, para assistirmos a um excerto do concerto dos Flamingos. O pouco que vimos deu para perceber que o público gosta do que vê e que a banda sabe cativar. Os sorrisos do público não mentem o quanto se deixaram encantar pelos jovens. A Garagem da Epal recebeu como souvenir um bom concerto, cheio de energia. Ao mesmo tempo que este, mas mais acima da Avenida estavam os Best Youth a atuar para uma sala totalmente lotada. Ao chegarmos ao S. Jorge pudemos logo notar que a fila para a Sala Manoel de Oliveira cada vez mais aumentava. E mal entrámos na sala verificámos que os Best Youth tiveram casa cheia. E não seria de esperar por menos. O pop indie da banda de "Highway Moon" invadiu o S. Jorge. Catarina Salinas e Ed Rocha Gonçalves brilharam e o público recusou-se a tirar os olhos do palco por um segundo que fosse. A voz de Catarina ao vivo parece ainda mais potente do que na versão de estúdio. A sua voz transforma a necessidade de nunca tirar os olhos do palco, em algo extremamente obrigatório. Os sorrisos da banda demonstraram a felicidade perante uma sala esgotada, seguidos de aplausos que ensurdeciam qualquer um. Até os voluntários recusaram-se a permanecer imóveis durante o concerto. Catarina e Ed estão de parabéns.


Flamingos & Best Youth @ Vodafone Mexefest 2015

De seguida era hora de descer a Avenida da Liberdade para ir até ao Coliseu, ver um dos nomes mais esperados nesta edição: Ariel Pink. Ariel Pink não desiludiu, mas também não encantou. O início do concerto ficou um bocado à quem das altas expectativas que tínhamos, pois não houve potência que fizesse jus ao que se ouve nos discos. Lá para meio do concerto Ariel Pink deita cá para fora a energia que nós sabemos e confiamos que tem, e o Coliseu pareceu ficar mais animado. Foram tocados clássicos e a conhecida "Put Your Number In My Phone". A festa realmente começou a meio do concerto, o que de certo modo nos desiludiu pois esperávamos uma energia possante desde o início. Mas ainda assim o acerto que Ariel deu em termos de energia conseguiu compensar o fraco início, o que lhe garante um Bom da nossa parte. O público que inicialmente também se encontrava algo parado, lá para meio do concerto mostrou saber letras e viam-se cabeças e pernas a abanar. No final de contas foi um bom concerto, embora curto. Um bom mais para o senhor cor de rosa.

Ariel Pink @ Vodafone Mexefest 2015

Nicolas Godin foi o nome que se seguiu, para acalmar os ânimos de Ariel Pink. O concerto teve lugar no Teatro Tivoli BBVA e contou praticamente com lotação esgotada. Conhecido pelo seu trabalho nos Air, era outro dos concertos mais esperados nesta edição. Logo de início o músico soube cativar e do que vimos podemos afirmar que foi um concerto totalmente relaxante. Óptimo para apenas fecharmos os olhos, e nos deixarmos invadir pela sua música calma. Nicolas Godin é realmente bom músico e deliciou o público com belas canções.

Mais abaixo e novamente na Sala Super Bock da Garagem da Epal e 20 minutos depois do início do concerto de Nicolas Godin, os The Babe Rainbow subiram ao palco, e nós chegámos a tempo do início. Há muito que nos tínhamos deixado apaixonar pela jovem banda e eram uma das confirmações que mais queríamos ver. Foi também um dos melhores concertos do festival, sem sombra de dúvidas. Os jovens são uma das nossas apostas musicais para o ano que vem, pois será o ano de lançamento do primeiro álbum. Acreditamos que serão uma banda em ascensão e que têm tudo para crescer cada vez mais. Vieram ao Vodafone Mexefest apresentar o seu EP de estreia, e ainda tivemos a oportunidade de ouvir novas canções que irão estar presentes no primeiro álbum. O garage dos jovens invadiu totalmente a Garagem da Epal, e acreditamos que conquistaram muitos fãs nesta noite. A energia dos jovens é algo completamente contagiante. O público deixou-se fascinar pelas malhas psicadélicas, e custou-nos perder os 10 minutos finais do concerto. Aconselhamos vivamente a que oiçam os jovens australianos. Não se irão arrepender. São extraordinariamente fantásticos e merecem ser ouvidos. Até à próxima, The Babe Rainbow.


The Babe Rainbow & Nicolas Godin @ Vodafone Mexefest

Após este concerto que nos deixou ainda mais deslumbradas com os jovens australianos, fomos até ao Tanque para ver Peaches. Do pouco que vimos não nos encantou. A cantora tem realmente bastante reportório e energia, mas o som não a auxiliou da melhor forma. Pelo menos na parte de trás do palco, o som ressoava da pior forma e a música alta do bar de entrada para o Tanque não ajudou a que houvesse melhorias. Fora o som, a cantora fez jus à fama. O Tanque é um sítio incrível e a festa foi grande. Foram tocados êxitos e a extravagância de Peaches marcou o concerto. O público estava feliz e confiamos que Peaches também.

De seguida fomos praticamente a correr para o Coliseu dos Recreios, para ver outro dos concertos mais esperados desta edição pelo público e por nós: Patrick Watson. Patrick Watson é um encanto de pessoa. Para além de simpático, a voz arrancou bastantes lágrimas na plateia e fez furor entre o público ansioso e expectante. O músico para além de simpático e talentoso, é também uma pessoa que gosta de introduzir algum humor durante o concerto. Talvez seja essa a razão pela qual o público não chorou compulsivamente, durante todo o concerto. Todos nós sabemos que Patrick Watson tem músicas bastante emotivas, e julgámos por momentos que o concerto iria puxar o lado mais sensível de todos nós. Porém o lado brincalhão do cantor não deixou que assim ocorresse, e houve lugar para risos entre as lágrimas. O palco estava decorado a rigor e fazia lembrar a capa do recente álbum, "Love Songs For Robots". Foi fascinante e o Coliseu encheu e esgotou para ver Patrick Watson. As palmas e a felicidade estampada na cara do público deixou bem claro o quão fantástico estava a ser. O cantor prolongou o concerto durante mais meia hora, pois nem ele tinha vontade de abandonar o palco. Isto leva a crer que em breve teremos Patrick Watson de regresso a terras lusas. Patrick Watson foi feliz e ficou encantado com a maré de pessoas que estava no Coliseu só para o ver. Ouviram-se os clássicos como "Lighthouse" e o concerto teve início com as já conhecidas "Love Songs For Robots" e "Good Morning Mr. Wolf". O público ficou totalmente rendido, assim como o cantor que comentou até quão belo é o Coliseu dos Recreios. Quando o concerto chegou ao fim, e embora tenha sido prolongado, podia-se constatar que tanto o músico como o público não se importariam que se prolonga-se durante mais umas horas. O nosso Vodafone Mexefest acabou da melhor maneira e, também, com o melhor concerto do festival, de longe. Patrick Watson teve direito a muitas salvas de palmas e merece não uma, como duas mãos cheias de elogios. Foi perfeito, e o festival em si já deixa saudades. Até para o ano, Vodafone Mexefest.

 Patrick Watson @ Vodafone Mexefest  

Texto: Alexzandra Souza
Fotografias: Iris Cabaça


0 comments:

Enviar um comentário