Rock In Rio 2016: fim de semana de reis e rainhas | Watch and Listen!

Rock In Rio 2016: fim de semana de reis e rainhas


Nos passados dias 19 e 20 de Maio, começou a sétima edição do Rock In Rio Lisboa, no Parque da Bela Vista. Nesta edição celebram-se os 30 anos de Rock In Rio e não poderia ser de melhor modo.

Com 5 palcos pelo recinto, a festa fez-se fosse ao som dos artistas que passaram pelo Palco Mundo, ou do Palco Eletrónica ou mesmo ao som das bandas emergentes que passaram pelo Palco Vodafone. Houve música para todos os gostos e o calor também marcou presença nestes primeiros dias, para a felicidade de todos os que visitaram o Parque da Bela Vista.

O dia 19 começou em grande e às quatro da tarde já eram inúmeros os fãs que corriam pelo recinto adentro, fosse para conseguir a primeira fila do lendário Bruce Springsteen ou mesmo um sofá da Vodafone. Destaque para o Palco Vodafone pelo apoio à nova música emergente presente no cartaz deste ano, que nomeamos como um dos melhores motivos para ir ao Rock In Rio. A banda que abriu a nossa sessão festivaleira foram os The Sunflowers, duo portuense de garage. Como era de esperar, poucas eram as pessoas presentes mas ainda assim a festa foi grande. A única crítica que temos a apontar para o duo é a pouca interação com o público, coisa que muitas vezes impossibilita perceber se mudaram de música ou não, já que as músicas são muito semelhantes entre si ainda que enérgicas. Mesmo assim, abriram bem o Palco Vodafone e estão de parabéns. As conhecidas "Charlie Don't Surf" e "Zombie" fizeram parte do alinhamento, que meteu todos a dançar e até aos pulos.

The Sunflowers @ Rock in Rio Lisboa 2016

De seguida vieram os já conhecidos Keep Razors Sharp, e por volta desta hora, o público já se concentrava mais no Palco Vodafone para assistir à boa música portuguesa que por ali passava. E ainda bem. Já vimos inúmeras vezes os Keep Razors Sharp e é sempre agradável rever, e rever. O concerto no Rock In Rio chamou a atenção de bastantes curiosos, ou mesmo fãs, que colaram o olhos ao palco e deixaram-se levar pela onda psicadélica que carrega as músicas da banda. "The Lioness" e "By The Sea" foram tocadas e houve até quem soubesse as letras. Os fãs entusiastas que se encontravam mais à frente, fizeram a festa por todos e pareceu-nos que a banda até novos fãs conquistou. Potentes até ao fim, o psicadelismo reinou durante cerca de uma hora no lado oposto do Palco Mundo, e foi incrivelmente bom.

Keep Razors Sharp @ Rock in Rio Lisboa 2016

Eram oito da noite e os Black Lips já se encontravam a tocar no Palco Vodafone. Havia bastantes curiosos a preencher o chão verde do Palco Vodafone, e na realidade, bastantes fãs também. As primeiras filas tinham as letras na ponta da língua, e desta vez ninguém desmaiou mas os suspiros e sorrisos foram muitos. Finalmente vimos os Black Lips em condições, e a banda correspondeu às nossas expectativas e superou-as, e ficamos felizes por isso. A banda de Georgia conseguiu levar o público ao rubro com a sua energia única e a euforia viveu-se do início ao fim. Voou papel higiénico, houve mosh e crowdsurfing e a alegria foi muita. Claro que a famosa "Bad Kids" não faltou e foi a canção que fechou o concerto provocando muito mosh e felicidade entre os fãs que entoavam bem alto a letra. Fica no ar a sensação de que mais uma hora de concerto teria sido muito bem vinda, o que comprova o quão bom estes Black Lips são.

The Black Lips @ Rock in Rio Lisboa 2016

Mais tarde, e voltando os olhos para o Palco Mundo, chegou a hora do aguardado concerto de Bruce Springsteen & The E Street Band. O "Boss" demonstrou o porquê de ser o "Boss" em cerca de três horas repletas de euforia e de muita, muita energia. "Badlands" arrancou o concerto em grande, com os seus potentes acordes, e desde cedo foram muitos os que entoaram os clássicos de Bruce por todo o Parque da Bela Vista. Estivessem nas grades ou mais cá atrás, ninguém se demonstrou indiferente ao possante e poderoso Bruce Springsteen. O amor entre o artista e o público é algo notório e bastante admirável. Bruce demonstra um grande carinho e respeito pela plateia, e dá por isso, tudo o que pode dar de si e até mais se for preciso. Bruce Springsteen decidiu apresentar uma setlist que passou por todos os êxitos essenciais da sua carreira, e foi muito bem sucedido já que o público entoou bem alto todas as canções galhardeadas, que fazem parte desta sua carreira que tira o fôlego a qualquer um. O público era bastante variado e passava por todas as idades, o que significa que Bruce Springsteen é intemporal e inevitavelmente agrada a todas as idades. "Born In The USA", "Born To Run" e "Dancing In The Dark", entre muitas outras foram celebradas e o público saltava e dançava como se não houvesse amanhã. Houve quem se emocionasse durante as baladas e o músico após descer ao palco e dar alguns apertos de mão a alguns fãs, convidou uma fã sortuda a subir a palco. Apostamos que a fã ganhou o dia e que o momento irá ficar para sempre marcado na sua mente, assim como a constante sensação da grande pessoa e músico que Bruce é. Sempre com um sorriso na cara, do início ao fim, Bruce Springsteen demonstra-se agradecido e gratificado por ter mais de 67 mil pessoas perante ele a celebrar o seu grande concerto. Inevitavelmente foi o melhor deste dia, e não poderíamos ter pedido melhor. O "Boss" será para sempre o grande "Boss". Assim acabou o primeiro dia desta edição do Rock In Rio: à Boss.


No dia 20 eram esperados cerca de 74 mil festivaleiros para o grande dia que se encontrava em frente: o dia em que os Queen+Adam Lambert iriam recordar Freddy Mercury e uma carreira memorável junto dos muitos fãs que se deslocaram até ao Parque da Bela Vista para ver o concerto. Mas antes disso, muitos bons concertos aguardavam-nos tanto no Palco Vodafone como no Palco Mundo. Quem abriu o nosso segundo dia de Rock In Rio foram os Pista, no Palco Vodafone. A banda portuguesa é empolgante mas o calor era tanto que metade da festa que deveria ter sido feito em frente ao palco, foi feita à sombra das árvores laterais existentes junto ao palco. O que interessa é que não se deixou de dançar nem de acompanhar a alegria que os Pista traziam da Margem Sul até ali. Alex D'alva Teixeira foi o convidado da banda e como não haveria de deixar de ser, brilhou. O Alex dá constante movimento ao palco, seja pelo seu caráter alegre ou pelas danças que executa na perfeição. Não havia melhor modo de abrir o Palco Vodafone, neste dia. Resta dizer, que fica o desejo que a Vodafone agarre neste talento emergente conhecido por Alex D'alva Teixeira, e comece a apoiar na mesma extensão que apoia os Pista.

Pista @ Rock in Rio Lisboa 2016

Seguiram-se os Sensible Soccers. Durante cerca de uma hora o público que assistia ao concerto viajou para um mundo paralelo, o mundo dos Sensible Soccers. A música dos quatro jovens é uma experiência totalmente sensorial, que sabe sempre bem ouvir de olhos fechados. E assim foi. O público que assistia ao concerto não conseguiu evitar fechar os olhos, e apreciar as calmas melodias que a banda ia tocando. Uma ótima maneira de acalmar os ânimos que tinham estado ao rubro no concerto anterior. Sem necessidade para grandes cerimónias ou conversas, os Sensible Soccers tocaram o que tinham para tocar e no fim agradeceram e foram embora, deixando para trás um público sorridente com o agradável concerto que ali aconteceu.

Sensible Soccers @ Rock in Rio Lisboa 2016

Finalmente, às oito da noite, subiram ao Palco Vodafone uma das bandas que mais queríamos ver nesta edição do Rock In Rio: os brasileiros Boogarins. Infelizmente o público do Rock In Rio não parece compreender o quão fantástica é a banda goiana, pelo que o Palco Vodafone não estava tão cheio como no dia anterior. No entanto, quem lá esteve fez a festa por todos e assistiu a um dos nossos concertos preferidos até agora, desta edição. Os Boogarins são um daqueles achados preciosos que a partir do momento em que se começa a ouvir, é impossível parar de ouvir. Desde o primeiro álbum que nos rendemos ao psicadelismo destes jovens brasileiros, e quando os vimos o ano passado no Musicbox ficámos ainda mais certas do enorme talento que possuem. Não foram tocadas as conhecidas "Doce" e "Avalanche" mas nem isso desiludiu o público que, apesar de ter sentido falta, deixou que essa falta fosse preenchida pelas muitas outras igualmente incríveis (ou até melhores) que foram tocadas nesse dia. De olhos fechados e a dançar, assim se passou o mágico concerto dos Boogarins que deixou com vontade de mais. Foi o melhor concerto do Palco Vodafone desde dia, sem dúvida, e preencheu as nossas altas expectativas como sempre. Continuamos rendidas e isso nunca irá mudar. Fica o desejo de que voltem em breve.

Boogarins @ Rock in Rio Lisboa 2016

Logo a seguir a Boogarins, a curiosidade levou-nos a ir até ao Palco Mundo para ver um excerto do concerto de Fergie. Fergie surpreendeu e mostrou que sabe dar um bom espetáculo digno de se ver, ainda que quase não toque músicas de sua autoria deixando-se brilhar com músicas dos The Black Eyed Peas. De seguida veio outra surpresa da noite: o Mika. O cantor mostrou que a sua música ainda está viva e de boa saúde. E recomenda-se. Mika brilhou e encantou. E até o Fado cantou. Não tínhamos qualquer tipo de expectativa para este concerto, mas saímos de lá rendidas e com uma mão cheia de elogios para dar ao Mika. Ele bem os merece. Os êxitos ainda puxam pelo público, que demonstra saber as letras na ponta da língua. "Grace Kelly" e "Rain" foram duas das mais cantadas nesta noite pelo público, que provou que o gosto pelo cantor não morreu. Ainda está bem vivo no coração que cada um.

De seguida veio o concerto do dia e provavelmente o melhor desta edição do Rock In Rio Lisboa. É verdade, ainda há muito que ver, mas uma coisa é certa. O que os Queen e o Adam Lambert fizeram ali acontecer naquela noite dificilmente será superado. Com meia hora de atraso, deixando o público impaciente, finalmente os lendários Queen e o jovem Adam Lambert subiram ao Palco Mundo para uma bela e emocionante homenagem a Freddy Mercury. O concerto arrancou com a enérgica "Flash Tape" e a primeira metade foi passada assim mesmo: em alegria a dançar os êxitos que se iam tocando. Adam Lambert não é Freddy Mercury, e o próprio afirma isso com toda a humildade e certeza e refere que o seu objetivo é apenas homenagear um dos maiores músicos que o mundo já teve o prazer de conhecer, junto dos outros lendários membros dos Queen. Após ouvir-se o que o jovem tem para dizer tornou-se óbvio o porquê da escolha dos Queen. O jovem tem talento suficiente e, sobretudo, humildade suficiente para o difícil trabalho que tem em mãos. Os Queen foram destacados sempre que possível ao longo do concerto pelo jovem que insistia em virar as atenções para os lendários músicos. Adam Lambert abandonou várias vezes o palco, deixando brilhar os reais protagonistas da noite. Já passaram 25 anos desde que Freddy Mercury abandonou cruelmente o mundo mas tanto a banda como os fãs, sentem a sua morte como se tivesse sido ontem. Após o discurso de Adam Lambert tudo se tornou mais emocional e houve até mesmo quem chorasse. As saudades de Freddy são notórias e a banda teima em vincá-las. "These Are The Days Of Our Lives" deixou grande parte dos presentes em lágrimas, já que a canção em conjunto com as imagens da banda, que passavam nos ecrãs nos seus tempos áureos com Freddy eram letais para os mais sensíveis. Não foi o único momento da noite que deixou grande parte do público em lágrimas. A par deste, os momentos em que iam passando imagens ou mesmo Freddy a cantar nos ecrãs e quando tocaram a famosa "Who Wants To Live Forever", foram os momentos mais emocionantes e bonitos da noite. Os Queen são enormes e ainda sabem como entreter e emocionar uma plateia de 74 mil pessoas. Falta parte da essência, mas ainda estão lá os solos épicos e a bateria. Brian May tentou falar em português, criando um dos momentos mais alegres da emocionante noite. Foi o concerto mais belo que passou nesta edição do Rock In Rio e não existem palavras suficientes para descrever o que ali se viveu. Dizer que foi fantástico ou incrível é pouco. Foi mágico, de outro mundo. Dá a vontade terrível de voltar atrás no tempo ou trazer Freddy Mercury de volta. "Somebody To Love", "Bohemian Rhapsody" "Radio Gaga", "Break Free", "We Will Rock You" e "We Are The Champions" foram só alguns dos temas que puxaram por todos os que ali se encontravam e ninguém deixou de entoar os hinos da banda. Superaram as expectativas de quem dizia mal e mostraram que ainda sabem fazer bons e memoráveis concertos e homenagens a Freddy Mercury. Os Queen nunca irão morrer nem nunca deixarão de ser a grande banda que são. É uma certezas que sempre foi clara para todos. Enquanto a humanidade viver, os Queen viverão nos corações de todos nós. Tem sido assim até agora, e assim será para sempre. Não há como negar. Resta agradecer aos Queen pelo fantástico e memorável concerto. Não há palavras.

Texto: Alexzandra Souza
Fotografias: Iris Cabaça

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