MIL - Lisbon International Music Network 2017: a grandeza da música nacional | Watch and Listen!

MIL - Lisbon International Music Network 2017: a grandeza da música nacional


O MIL - Lisbon International Music Network realizou-se nos dias 1 e 2 de junho, em Lisboa. Ao todo, 218 artistas deram 52 showcases em 6 salas com uma lotação esgotada de 750 espectadores. Além das atuações, houve 12 debates e 332 delegados e profissionais estiveram presentes e representaram 14 países. Durante estes dois dias teve-se a prova de que a música portuguesa continua a crescer cada vez mais, por isso, muitos espetáculos de artistas e bandas portugueses encheram as salas maiores e as mais pequenas. Sendo que muitas pessoas vieram ao festival e conferência com a intenção de apoiarem a música portuguesa. O que conseguiram fazer.

O primeiro dia, 1 de junho, começou com muitas conferências e debates. Destaque para a "Artist's Rights In The Digital Era" que contou com as opiniões de Virginia Dias-Caron, Akotchaye Okio, Casper Clausen, Paulo Gouveia e Raquel Laureano como moderadora. Aqui abordou-se a controvérsia do Spotify e quanto os músicos ganham pela sua arte.

O roteiro dos showcases começou com os Galgo no Sabotage Club. A banda de Lisboa tem vindo a melhorar cada vez mais nas suas atuações ao vivo o que se notou realmente aqui e o público já conhece quase todas as músicas. Porém, um dos melhores momentos nos seus concertos é o tema "Skela", e não foi exceção aqui. Depois deu para ver um pouco de Cachupa Psicadélica, no Tokyo, e os Bispo, no Sabotage Club. O músico cabo-verdiano encantou apenas com a sua guitarra e o projeto paralelo dos Capitão Fausto deu início à festa com as suas músicas num estilo 8-bit antes de atuarem todos no Musicbox. A seguir, andou-se até ao B.leza para o showcase de Benjamin que perdeu público por ser um pouco à parte das restantes salas. Contudo, o músico deu um concerto como se a sala estivesse cheia. O artista introduziu o tema "Tarrafal" a dizer que fala de tempos difíceis, e este concerto não foi nenhum tempo difícil mas sim bonito.  À 00h30min chegou um dos concertos mais esperados do festival, que criou filas enormes à porta do Musicbox: o dos Capitão Fausto. O grupo tocou algumas músicas do mais recente álbum, "Capitão Fausto Têm Os Dias Contados", e ainda houve tempo para algumas mais antigas, tais como, "Santa Ana" e "Maneiras Más", deixando o público em êxtase e a iniciar mosh e crowdsurfing. A enchente deveu-se ao hype de que a banda têm provocado nos últimos por ser uma das mais inspiradoras desta nova geração de músicos. Nesta noite, o roteiro terminou com a energia eletrónica de White Haus no Sabotage Club. O portuense João Vieira transformou completamente a sala numa pista de dança.


O segundo e último dia, 2 de junho, voltou a contar com muitas conferências e espetáculos. Na talk "Artists and Managers: Reinventing A Collaboration in Progess", no Espaço Atmosferas, foi argumentada a relação entre artistas e managers nos dias de hoje. O painel contou com os convidados Miguel Leite, Paulo Ventura, Alex D'Alva Teixeira, Mafalda Veiga e Miguel Magalhães como moderador.

O primeiro showcase da noite foi o das Golden Slumbers, no Tokyo, que mostraram a sua folk única. Ver as irmãs Falcão ao vivo é sempre uma lufada de ar fresco por usarem um género musical que ainda não foi muito explorado em Portugal e pelas suas harmonias perfeitamente em sintonia. O showcase seguinte foi o dos Riding Pânico onde deu para se ouvir o seu post-rock instrumental e depois foi o dos Linda Martini com um Musicbox cheio até à porta, onde se ouviu a canção "Ratos". Depois Diron Animal atuou no Tokyo e deu um concerto carregado de energia. O vocalista dos Throes + The Shine tirou o pé do chão às pessoas presentes com os seus ritmos africanos. Até criou vários momentos de interação com o público onde desceu do palco para cantar mais perto das pessoas. À  meia-noite, Duquesa atuou no Lounge num showcase bastante intimista, sendo que, até tocou uma versão mais lenta e apropriada para o seu projeto a solo do tema "Heat" da sua banda os The Glockenwise. Um pequeno concerto e especial onde duquesa mostrou a doçura das suas músicas. Para algo completamente diferente voltou-se ao Musicbox para o espetáculo de Xinobi que contou com a voz de Sequin. O que foi uma boa surpresa, e meteu o público todo a dançar com os seus ritmos eletrónicos. Pouco depois viu-se o início de Quelle Dead Gazelle, no Roterdão, e de Jibóia, no Sabotage. Jibóia começou o espetáculo com músicas novas que tem andando a trabalhar nos últimos tempos. O que foi uma desilusão porque os seus trabalhos anteriores são realmente únicos e esta nova sonoridade soou a muitas coisas que já se faz cá. 


O MIL conseguiu concretizar a sua função de expandir a música lusófona tanto para pessoas portuguesas como para pessoas estrangeiras. Apesar do cartaz ter vários nomes emergentes de outros países, o grande destaque foi claramente para a música nacional. Com o sucesso da primeira edição, em 2018 volta a Lisboa nos dias 5, 6 e 7 de abril.


Fotos: Andre Anonimo & Joana Batista
Texto: Iris Cabaça

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