MIL - Lisbon International Music Network 2018: em abril, anda-se a mil | Watch and Listen!

MIL - Lisbon International Music Network 2018: em abril, anda-se a mil


O MIL - Lisbon International Music Network regressou, para a sua segunda edição, às ruas do Cais do Sodré nos dias 4, 5 e 6 de abril. Mais um ano onde mostrou o que de melhor se faz na música emergente e não só. Contou com concertos, conferências, documentários e muito mais.

Nesta edição houve mais um dia com o concerto de apresentação do evento. Os Boogarins atuaram com os Capitão Fausto, Paus e The Legendary Tigerman no B.leza. Durante alguns dias, o grupo brasileiro teve uma residência no estúdio HAUS onde gravou novos temas com os convidados deste espetáculo e com alguns fãs. O resultado foi mostrado num documentário exibido antes de atuarem e quando os convidados subiram ao palco com eles. Os Capitão Fausto e o The Legendary Tigerman deixaram a banda brilhar nesta colaboração, pois os sons mais poderosos vinham do quarteto. Quanto aos Paus, foi a melhor música, sem dúvidas. As duas bandas conseguiram interligar-se perfeitamente uma com a outra. Do lados dos Boogarins veio o psicadelismo e do lado dos Paus o rock dançável. Uma colaboração que devia ir além de uma música e podiam lançar um EP que ia resultar bem. Porém, não foi só de feats. que foi feito este concerto. Começou com a "6000 Dias (Ou Mantra dos 20 Anos" e seguiram-se outros temas mais antigos como "Benzin", "Lucifernandis" e terminou com "Onde Negra" do mais recente álbum, "Lá Vem a Morte". Um alinhamento que agradou, provavelmente, todos os fãs presentes. No final, toda a gente presente acabou a noite feliz com este espetáculo.


Rumou-se para o dia seguinte, 5 de abril, que foi mais a sério, ou seja, andou-se de um lado para o outro para se ver o número máximo de concertos possível. Na rua estava bom tempo, por isso, as pessoas já estavam bastante animadas para o que aí vinha. 

A espanhola Núria Graham foi uma das primeiras artistas a iniciar os concertos oficialmente, no Tokyo. Não veio com a sua guitarra, que ficou retida no aeroporto, mas trouxe a sua doçura. A artista conta histórias através das suas músicas tal como, se pode ouvir em "Marianne" e "Christopher". Ao vivo, parece que está a falar sobre elas numa sessão de leitura aberta. Foi essa a sensação que transmitiu neste concerto. 

Vindos de Goiânia, os Boogarins encheram o Musicbox, o que já se tornou um hábito quando atuam na sala lisboeta. Na noite anterior, o quarteto deu um espetáculo no B.leza com os convidados especiais e nesta estava pronto para darem outro tão bom ou ainda melhor. Cada vez que os rapazes brasileiros voltam ao nosso país evoluem nas suas apresentações ao vivo. Aqui notou-se esse melhoramento desde que passaram por Lisboa em 2015. Uma banda muito mais confiante das suas capacidades musicais. As músicas do último álbum, Lá Vem a Morte, dominaram a setlist, como seria de esperar. Em palco, o grupo transmite uma felicidade cativante para o público. Pois, é muito improvável de se ficar triste num concerto de Boogarins pelos sorrisos estampados nas caras deles. Ainda mais, parecia que estavam a tocar em casa para os seus amigos e conhecidos tal é a proximidade que têm com o público português, o qual ficou encantado novamente. O segundo dia do MIL tinha começado há poucas horas, mas soube-se logo que este foi o concerto mais marcante da segunda edição. 


No Lounge, Mr. Gallini apresentou temas do seu trabalho "Lovely Demos". O músico precisa de pouco para fazer a festa. A sua euforia, a sua guitarra e as suas letras escritas na primeira pessoa. Já os Best Youth trouxeram o seu electro-pop sensual ao Musicbox. Catarina Salinas e Ed Gonçalves tocaram algumas das suas canções mais conhecidas, tais como, "Mirrorball" e "Black Eyes". A química que o duo tem em palco é realmente mágica e o que torna os concertos tão únicos. Mudando para um estilo completamente diferente, o Sabotage estava a abarrotar durante o concerto dos Killimanjaro. A banda de heavy-rock de Barcelos meteu os cabelos a abanar ao som de "December". Continuando na rua cor-de-rosa, Nerve apresentou algumas músicas do mais recente EP "Auto-Sabotagem" no Viking. As letras retrospetivas do artista sobre situações da vida diária são o que atraem tantas pessoas para os seus concertos, e foi o que aconteceu aqui. Ainda na mesma rua e ao mesmo tempo, The Legendary Tigerman atuava no Musicbox. Paulo Furtado veio apresentar "Misfit", o último disco. Conseguiu meter o público a bater ao pé ao som de blues e rock'n'roll. Inclusive, subiu ao balcão do bar na sala para cantar lá em cima, deixando as pessoas a vibrarem com este momento poderoso. Durante o concerto de Moullinex no B.leza não houve ninguém em cima de balcões, mas houve muitas pessoas a saltarem e a dançarem ao som de "Hypersex". O espetáculo que o músico anda a apresentar recentemente é muito especial porque espalha o amor que tem pela música de dança para mais almas que podem adorar o género musical ou não, e gostam à mesma de assistir a isto. Moullinex e os músicos que tocam com ele apenas passam boas energias, e conseguem finalizar sempre com o objetivo concretizado: deixar as pessoas felizes enquanto dançam. 

Após os concertos, ainda houve after-parties com Interaft. DJ Tapes & Telma, Tropical Twista Records (showcase), John-E e Lovers & Lollypops (showcase).


Tudo o que é bom chega ao fim, e o dia final do MIL - Lisbon International Music Network chegou. A 6 de abril o maior foco ficou nos nomes portugueses com algumas surpresas pelo meio. Estava de chuva, o que não impediu o público de andar a passear pelo Cais do Sodré. 

Para começar, a Monday mostrou os seus temas melancólicos de pop folk, tirados do álbum de estreia "One", no Tokyo. A seguir, os Fugly trouxeram na bagagem o seu garage-punk caótico característico ao Sabotage. Mesmo após terem feito uma tour europeia exaustiva, ainda tiveram energia suficiente para mandarem a sala abaixo, e assim o fizeram com "Millennial Shit". O grupo portuense sabe como meter o público a mexer e deixá-lo enérgico. 


Andou-se até ao Lounge para se ouvir a doce voz da cantora brasileira LaBaq. Num one-woman show, a artista espalhou simpatia e melodias de dream-pop. E menos não seria de se esperar. Enquanto chovia na rua, no Rive Rouge chorava-se, muito provavelmente, por dentro por uma única razão: Luís Severo. Foi um concerto de voz e piano, exceto num momento em que o músico pegou na guitarra. Um espetáculo simples e bastante bonito, como vem sendo habitual vindo dele. Até se ouviu "Cabanas do Bonfim" dos Flamingos. Luís Severo encheu o coração dos presentes ao longo de trinta minutos. Já os Whales inundaram o Tokyo com os seus ritmos eletrónicos e psicadélicos extraídos do disco de estreia homónimo. Depois, Bruno Pernadas encheu o B.leza mesmo com um ligeiro atraso. Apesar disso, o público continuava ansioso por ouvir os seus temas mais recentes. Cada voz, cada letra, cada instrumentos e cada melodia são perfeitos num concerto de Bruno Pernadas ou não fosse jazz. O que origina momentos bonitos e inesquecíveis. Em seguida, no Musicbox surgiu uma das melhores surpresas desta edição do MIL: os Futuro Pelo. O trio francês meteu as pessoas presentes a dançarem ao som da sua pop carregada de boas energias. De certeza que mais cedo ou mais tarde se irá ouvir falar deles.


O MIL - Lisbon International Music Network conseguiu cumprir, mais uma vez, com o objetivo de promover os novatos e os veteranos da música nacional e internacional para mostrar o que fazem de melhor. Também houve música para todos os ouvidos, o que é bom de se ver e ouvir. 

Texto: Iris Cabaça
Fotos: Afonso Carqueijeiro, Ana Viotti, Rafael Farias, Jaime Pires & Maria Gavinho

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