NOS Primavera Sound: Lorde no céu, Tyler, The Creator na terra | Watch and Listen!

NOS Primavera Sound: Lorde no céu, Tyler, The Creator na terra


O NOS Primavera Sound regressou ao Parque da Cidade, no Porto, ontem, dia 7 de junho, para mais uma edição. A chuva parou quando os concertos começaram para ninguém apanhar uma molha enquanto via Rhye, Father John Misty, Lorde, Tyler, The Creator, entre outros.

Os Fogo Fogo foram os primeiros a abrir o Palco Seat às 17h30. O grupo lisboeta meteu o público a dançar com os seus ritmos africanos. O que originou uma boa primeira festa. À mesma hora e noutro palco, os Foreign Poetry, a banda apadrinhada pelo músico Benjamin, apresentou temas do seu álbum de estreia que sairá ainda este ano, editado pela Pataca Discos. O grupo trouxe um pouco de calor ao Parque da Cidade com o seu indie rock melancólico.

A abrir o Palco NOS esteve a Waxahatchee com a sua docura. A norte-americana trouxe simpatia e novos temas do último disco, Out in the Storm. As suas músicas entram no coração de todos. Não eram só as pessoas na primeira fila que estavam à espera de Lorde, pois, a artista também estava e, por isso, cantou um pouco da canção de Ella, a "Homemade Dynamite". O indie folk de Katie Crutchfield foi ideal para aquecer este palco.


No mesmo palco, o NOS, o projeto Rhye de Mike Milosh veio apaziguar-nos a alma e acalmar-nos antes da loucura a sério de concertos seguidos começar. Milosh já conhece o público português, por isso, sabe como encantá-lo e elogiá-lo, e, assim, o fez alguns minutos depois de subir ao palco. Do alinhamento fizeram parte músicas dos álbuns Woman e Blood. "The Fall" e "Waste" concretizaram as delícias dos fãs. A sua sonoridade groovy com inspirações de jazz juntamente com a bela voz de Milosh tornam os espetáculos de Rhye uma experiência magistral e inesquecível.

Por volta das 20h25, o Palco Seat ficou cheio por uma única razão: Father John Misty. "Nancy From Now On" deu o arranque a um dos melhores concertos deste dia. Para quem já viu o músico ao vivo muitas das vezes que ele passou pelo nosso país, percebe que ele ao vivo está cada vez mais tímido e contido, visto que, já não faz coisas aparvalhadas em palco ou não desce para ir ter com o público. Contudo, ainda mostra os seus movimentos típicos e dançáveis enquanto canta. Agora deixa a sua música falar por si, e honestamente é o que basta. Apesar de interagir menos com os fãs, ainda elogiou a plateia e disse "you must hear all the time the great audience you are, the best". E a realidade é essa porque estava tudo a acompanhá-lo nas letras tema após tema. "Pure Comedy", "Please Don't Die" e "I Love You, Honeybear" proporcionaram os melhores momentos. Josh Tillman é e sempre será feliz no norte do país.

A seguir aguardava-se pela rainha da noite, a Lorde. Muitos eram os fãs que estavam desejosos de verem a cantora ao vivo. Mal entrou em palco a cantar "Sober" sentiu-se uma energia inexplicável do público. Do princípio ao fim, toda a gente cantou as letras das músicas de Lorde, tanto as de Pure Heroine como as de Melodrama. A primeira vez que veio a Portugal foi no Rock in Rio Lisboa em 2014. Demorou quatro anos a voltar, o que foi muito tempo segundo a própria, e regressou ainda melhor. Lorde é uma cantora Pop com tudo a que tem direito, mas não é uma de grandezas. A forma como se apresenta em palco é bastante simples, pelo menos aqui foi. Apenas tinha um ecrã atrás, a sua banda e bailarinos. E também é diferente porque chega realmente às pessoas com as suas letras pessoais e permite que elas as interpretam à sua própria maneira. Foi exatamente isso que se notou no concerto. A cada tema que se começava a ouvir, sabia-se que tocava cada pessoa ali presente de forma diferente. De vez em quando juntava-se aos seus bailarinos e também dançava, o que foi bonito. A artista também sabe jogar os seus truques como deve ser a colocar as mais animadas "Homemade Dynamite" seguida por "Tennis Court" e "Magnets", a música que fez com os Disclosure, e como introduzir a triste "Liability" e "Sober II (Melodrama)" logo depois. Ella ficou rendida à plateia e as pessoas a ela. Só dizia elogios e mostrava-se feliz enquanto que as pessoas saltavam, gritavam e até mostravam bandeiras LGBT+. O tema "Green Light" deu por finalizado o melhor concerto deste dia com toda a gente a dar tudo o que conseguiu. 


De volta ao Palco Seat, Tyler, The Creator foi o rei do hip-hop desta noite. O flower boy começou numa espécie de plataforma que o fez parecer mais alto e durante uma hora comandou o palco todo de uma ponta à outra repleto de energia. Esta foi a sua estreia em Portugal porque cancelou o seu concerto no Super Bock Super Rock do ano passado, e nas primeiras filas notava-se que era uma estreia aguardada há bastante tempo. Pois, as pessoas sabiam as letras, gritavam e choravam também. "OKRA", "Who Dat Boy", "I Ain't Got No Time!" e o seu flow característico fizeram os fãs acérrimos felizes. O hip-hop pode ser considerado o novo rock, e, devido a isso, houve mosh neste espetáculo. Tal como aconteceu com Kendrick Lamar em 2014, o NOS Primavera Sound mostrou aos portugueses outro grande nome deste género musical que daqui a alguns anos será cabeça de cartaz num festival cá, e foi outra estreia inesquecível. O tema "See You Again" encerrou este belo momento, e esperemos voltar a vê-lo em breve.


No final, Jamie XX deu por fim aos concertos no Palco NOS e transformou o recinto numa pista de dança. O rei do Boiler Room mostrou o melhor que faz no scratch. Todas as pessoas estavam a dançar ao som da sua eletrónica magnificente. Assim, terminou a noite em beleza.

NOS Primavera Sound 2018: 1º dia

Texto e fotos: Iris Cabaça

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