Super Bock Super Rock 2018: Back to the 70s | Watch and Listen!

Super Bock Super Rock 2018: Back to the 70s


O primeiro dia de Super Bock Super Rock, 19 de julho, trouxe a Oriente os festivaleiros e passaram pelo Parque das Nações nomes como The Parkinsons, Parcels, Temples, Lee Fields & The Expressions, The Vaccines, The xx e Justice. Foi também um dia de nostalgia com o tributo "Who The Fuck is Zé Pedro?", em homenagem ao guitarrista português.

The Parkinsons vieram destruir o Palco EDP logo no princípio. A banda de Coimbra formada por Afonso Pinto, Victor Torpedo, Pedro Chau, João Silva e Ricardo Brito elevou logo as expectativas para este dia no festival. Trouxeram a essência do punk rock que foi bem recebida pelo público. O carismático vocalista, Afonso Pinto, ajudou ainda mais à festa quando desceu do palco para cantar no meio das pessoas. O grupo veio apresentar o novo álbum que saiu este ano, The Shape of Nothing To Come, e mostrou a razão de ser considerado um dos melhores ao vivo.

The Parkinsons @ Super Bock Super Rock 2018

Se a TARDIS ou qualquer ideia de transporte no tempo e no espaço fosse uma possibilidade conhecida e real, esta estaria nas mãos dos Parcels e naquilo que fizeram no Palco EDP. Os australianos Louie Swain, Patrick Hetherington, Noah Hill, Anatole Serret e Jules Crommelin encarregaram-se de tornar memorável a sua estreia em Portugal e fizeram Lisboa dançar como se a sua vida dependesse disso. Ainda sem um primeiro álbum, os cinco rapazes já prometem vingar no mundo da música disco e electropop, não tivessem sido quase descobertos pelos magnânimos Daft Punk. E onde há Daft Punk, há electrónica que faz os mortos dançar: Overnight, single de estreia  dos australianos, lançado em 2017, não é excepção. Os anos 70 regressaram para preencher o horizonte do Pavilhão de Portugal e fizeram-no através dos ritmos psicadélicos de temas como Gamesofluck e Tieduprightnow. Não precisámos de deixar crescer o cabelo nem voltar a usar calças boca-de-sino floridas para nos sentirmos numa pista de dança invadida pelo boogie da época. Os australianos sabem ao que são associados e aproveitam-no para proporcionar um espectáculo cuja estética remete facilmente a um passado de diversão e descontração, quer através das roupas exuberantes, quer através do seu logo multicolor. O público vibrou em êxtase e teve direito a quase uma hora de Parcels, que pareceram estar a ter the time of their lives. Conquistaram 2018 com um pé de dança em 1970; resta esperar para ver onde vão estes rapazes. Os Tame Impala que se preparem.

Parcels @ Super Bock Super Rock 2018

Temples já não são propriamente uma novidade no nosso país: passaram pelo Optimus (agora NOS) Alive em 2014 e pelo Vodafone Paredes de Coura em 2015. Foram confirmados como substituição à artista Torres, nome da música independente americana, cuja carreira arrancou em 2012. Apesar desta ter sido revelada como uma novidade no nosso país, a sua fanbase ainda não parece ter atingido uma dimensão muito ampla. O rock psicadélico dos britânicos Temples tornou-se conhecido com o álbum Sun Structures (2014), do qual fazem parte alguns dos temas que estão na ponta da língua daqueles que conhecem minimamente o seu trabalho. Dessa estreia, reservaram-nos, entre outras, Shelter Song e Keep In The Dark, que não escaparam à energia do público. Encontraram o equilíbrio exacto entre o primeiro e o segundo álbum, Volcano (2017). Com Certainty e Strange Or Be Forgotten a fazer também parte do repertório, ficar quieto não foi uma opção e ouviu-se o murmúrio do público como quem em reconhecimento daquilo que os faz electrizar. A evolução em palco é notória e reflecte-se na energia solta dos membros da banda, que prometeram regressar muito em breve. Cá estaremos à espera dessa explosão vulcânica patrocinada por sintetizadores.

Temples @ Super Bock Super Rock 2018

Filipe Sambado e Os Acompanhantes de Luxo não agarraram muita gente. Não podemos culpá-los, não estivessem a tocar ao mesmo tempo de Lee Fields & The Expressions ou do tributo a Zé Pedro, "Who The Fuck Is Zé Pedro?", uma das principais atracções nostálgicas deste dia. Com um vento frio a fazer companhia aos festivaleiros que se espalhavam pelo espaço do Palco LG by Rádio SBSR, algures perto da grade, algures sentados nas escadas da Altice Arena, foram "poucos, mas bons" aqueles que ficaram. Filipe Sambado é uma das novas vozes da música pop portuguesa, saído da editora Maternidade. Cada concerto é um abraço biográfico de um rapaz que produz arte irreverente, que quebra padrões socialmente impostos, agarra nos estereótipos de género e dá cabo deles. O seu mais recente álbum, homónimo do projecto, trouxe ao Super Bock Super Rock temas como Alargar o Passo, Deixem Lá e Só Beijinhos e ainda Já Não Vou Sair Daqui e Vida Salgada, do álbum Vida Salgada (2016). Os Acompanhantes de Luxo são Alexandre Rendeiro na guitarra, C de Crochê no baixo, Luís Barros na bateria e Primeira Dama nas teclas e vozes.

O norte-americano Lee Fields veio bem acompanhado pela banda The Expressions. Lee Fields trouxe a sua soul e o último disco Special Night (2017) na bagagem. Este foi, talvez, o concerto subestimado do festival. Quem esteve presente não ficou indiferente ao amor e felicidade que o artista espalhou, desde a primeira até à última fila. Os cantores de soul parecem sempre despertar o melhor das pessoas, e Lee Fields assim o fez. Inclusive, até dedicou o tema Wish You Were Here aos seus amigos falecidos Charles Bradley e Sharon Jones, dois grandes nomes da música soul, revelando que foi difícil cantá-la por ter saudades de ambos. Ao longo de uma hora, foi perguntando ao público algumas vezes, "Are you happy?" (Estão felizes?), e a afirmação positiva veio em forma de gritos. E quase de certeza que as pessoas ficaram mesmo felizes, após verem este grande senhor a dar um espetáculo destes.

Lee Fields & The Expressions @ Super Bock Super Rock 2018

The Vaccines voltaram a Portugal e ao Super Bock Super Rock, onde tinham passado em 2015. A banda britânica veio apresentar o seu novo álbum, editado este ano, Combat Sports. Entraram em palco poderosos com Nightclub e logo passaram para músicas mais antigas, como Teenage Icon e Wreckin' Bar (Ra Ra Ra). Durante o concerto, o crescimento como músicos revelou-se notório. Estão ainda melhores ao vivo.

The Vaccines @ Super Bock Super Rock 2018

Os britânicos The xx regressaram ao nosso país e deram por terminada a tour europeia I See You (2016-2018). Nestes dois anos de estrada, o trio visitou Lisboa num outro festival: a 11ª edição do NOS Alive, em julho do ano passado. Nem a proximidade temporal entre concertos foi suficiente para acabar com a ânsia generalizada do público perante os cabeças de cartaz do primeiro dia do Super Bock Super Rock. O pânico instalou-se nos dias que antecederam esta edição: sobreposições não são propriamente uma novidade na vida de um festivaleiro, mas a escolha entre The Vaccines e The xx fez questionar as leis da física e a impossibilidade de estar em dois sítios ao mesmo tempo.  Estrategicamente planeado ou não, um atraso de 15 minutos evitou qualquer desgosto e o trio lançou-se com Dangerous, com uma entrada prolongada que deixou a Altice Arena num transe de agitação. Os temas da setlist resultaram num equilíbrio entre os mais recentes e os mais antigos trabalhos da banda, com Islands e Crystalised, do álbum de estreia xx (2009), a intercalar com Say Something Loving e I Dare You do álbum I See You (2016), sem ignorar Fiction e Angels do álbum Coexist (2012). A aproximação de Oliver ao público reservou Shelter para dedicar a todos os fãs LGBTQ+, que aplaudiram e se manifestaram um pouco por toda a sala. Esta foi acompanhada de um discurso de tom carinhoso e protetor ("Take care of you, I want you to have fun and enjoy it (...) I adore you, I see you"), que reforçou a ligação entre o cantor e a audiência e contribuiu para intensificar a atmosfera segura, tão característica dos espectáculos proporcionados pelo grupo. Shelter, Loud Places e On Hold transformaram-se no pequeno espectáculo privado de Jamie xx, como se Romy e Oliver fossem apenas vozes de um DJ set, e sentimos de perto que dançávamos algures num Boiler Room com a noite inteira à nossa frente.. Não falaríamos de Romy sem mencionar também a sua Performance, sempre numa sensibilidade que deixa as emoções à flor da pele e que nos relembra da singularidade na sua voz, que nem na calma perde intensidade. Despediram-se com Angels, uma das canções mais apreciadas pelo público, talvez por ser parte do conjunto das suas letras mais românticas. Ficou marcada pela menção ao nascimento de Ettie, o mais recente membro da família de Romy. Foi mais um concerto repleto de efeitos visuais simples, mas que encaixaram como uma luva na performance artística dos três: as paredes de luzes refletiram imagens coloridas, com gradientes e excertos daquilo que se desenrolava à frente dos nossos olhos. É de esperar que seja feita uma pausa para recarregar energias criativas, mas cá estaremos para receber o próximo álbum de braços abertos.


Também da Europa, mais especificamente de França, vieram os Justice, após a passagem pelo NOS Primavera Sound há um ano atrás. Chegaram com um grande atraso, mas quem ficou à espera não se desiludiu. Safe and Sound e D.A.N.C.E. meteram logo as pessoas a dançar desde o início até ao fim. O jogo de luzes durante o espetáculo mereceu aplausos, não tivesse sido algo único e maravilhoso de se presenciar. O tema D.A.N.C.E. regressou quase no final com um remix especial para não se cessarem os passos de dança. A sua eletrónica magistral foi uma ótima forma de encerrar o palco principal neste dia.

Justice @ Super Bock Super Rock 2018

Já no Palco Somersby, a cantora Mahalia regressou a Lisboa para mais um concerto inesquecível, depois de ter passado pelo Vodafone Mexefest (agora Super Bock em Stock), em 2017. A fórmula foi a mesma: storytelling e músicas pessoais para uma audiência que ficou rendida com os seus ritmos de R&B. Trouxe algumas temas novos como I Wish I Missed My Ex e No Reply. O grande momento chegou com Sober que meteu o público todo a cantar. A voz de Mahalia ainda vai levá-la muito longe, provavelmente. Foi bom voltar a vê-la.

Texto: Carina Soares e Iris Cabaça
Fotografia: Iris Cabaça

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