Vodafone Paredes de Coura 2018: vivemos Tudo Agora | Watch and Listen!

Vodafone Paredes de Coura 2018: vivemos Tudo Agora


O quarto e último dia do Vodafone Paredes de Coura arrancou com o soul de Myles Sanko e Curtis Harding, dando espaço à calma hipnotizante de Big Thief, ao calor brasileiro de Silva e à intensidade nacional de Dead Combo. Mas sempre de olhos postos em Arcade Fire.


Com uma soul music directa do coração, Myles Sanko trouxe a boa disposição ao Couraíso e fez todos os presentes viverem um momento livre de qualquer preocupação. Um espectáculo que rapidamente se transformou numa ode ao amor e ao feeling good, com um sorriso e boa disposição, composto por músicas como Just Being Me, Come Back Home e Forever Dreaming, a pedir ajuda ao público. 

Curtis Harding continuou a vibe de Myles Sanko, mas com uma atmosfera menos calorosa. O público recebeu-o com o balanço do concerto anterior e acompanhou o espectáculo com leveza nos passos de dança.  Trouxe a Coura trabalhos como Need Your Love, Keep On Shinning e Next Time. Com um estilo musical bastante semelhante, a transição foi feita com uma espécie de neutralidade auditiva e os rapazes da soul aproveitaram para pôr a plateia com um sorriso na cara antes do início da noite.

A estreia dos Big Thief em Portugal ficou marcada pela timidez encantadora de Adrianne Lenker, vocalista da banda americana. A tocar para a maior plateia com a qual se tinham deparado até à data, os americanos surpreenderam com um concerto que espantou quem não conhecia o seu trabalho e estava só a guardar lugar para o maior nome da noite. A delicadeza de Lenker fê-la parecer um pouco indefesa, à deriva no palco, mas não deixou de fazer com que a fluidez simples das suas músicas agradasse os ouvidos dos fãs. As interações calmas, meio desajeitadas, foram um elemento essencial para estabelecer uma conexão doce com o público, deixando uma pergunta incomum no ar ("Alguém se lembra do momento em que nasceu?", como quem tem a cabeça na lua) e descendo do palco para ler os cartazes da plateia. No habitat natural da música ouviu-se Masterpiece, Mythological Beauty e Shark Smile, três exemplos do repertório da banda. 


O sol ia se pondo lentamente, mas Silva trouxe o calor do Brasil consigo. O músico e produtor não visitava o nosso país há cerca de um ano, depois da sua passagem pelo Super Bock Super Rock em 2017. Desta vez, trouxe Brasileiro (2018) na bagagem. Com a sua ternura e voz doce, conseguiu apaixonar os portugueses neste concerto. O Palco Vodafone FM encheu, o que fez questionar se não merecia o palco principal. Inclusive, havia até cartazes na plateia sobre o seu tema Beija Eu. A Cor é Rosa e Fica Tudo Bem, a inesperada colaboração com Anitta, foram algumas das músicas mais cantadas pelo público. Foram 50 minutos curtos, mas bons. O brasileiro pode voltar a Portugal sempre que quiser, vai ser bem recebido.

Silva @ Vodafone Paredes de Coura 2018

Soa estranha a possibilidade de encontrar um português que não vibre com a sonoridade contagiante dos Dead Combo. Ou um que não tenha tido a oportunidade de apreciar a agilidade com que estes dominam a alma e o palco através das cordas, com toda a sua Má Fama. E Paredes de Coura fechou os olhos e soltou a alma para ouvir mais uma vez a intensidade intrínseca que corre nas veias do ser português: uma emoção assente no fado e reforçada no rock, com pujança para conquistar até Mark Lanegan. Abriram as portas ao Odeon Hotel, com Deus Me Dê Grana e fizeram questão de acomodar todos os hóspedes, que os acompanharam através de uma dança a roçar o frenética. Pelo habitat da música passaram temas como Esse Olhar Que Era Só Teu, Cuba 1970, Rodada e Desassossego. Não é todos os dias que surge a certeza de presenciar algo digno de conquistar espaço na História, mas foi fácil sabê-lo: a voz grave do americano Mark Lanegan arrepiou cada milímetro do anfiteatro, desacelerando o ritmo desenfreado das canções anteriores. Ouviram-se I Know, I Alone, Fire of Love e Wedding Dress. Durante hora e meia, com direito a um poderoso solo de bateria de Alexandre Frazão, no alto das suas cinco décadas, e o grito permanente de um fã com um "Dá-me os teus óculos, Pedro!", cumpriu-se Portugal.


Viveram-se 13 anos desde que os canadianos Arcade Fire pisaram os palcos portugueses pela primeira vez: partiram de Paredes de Coura (2005), passaram pelo Rock in Rio (2014) e pelo NOS Alive (2016), esgotaram um concerto em nome próprio no Campo Pequeno (2018). Assim que regressaram ao habitat natural da música, foi como se nunca tivessem ido embora. Desta vez a trazer Everything Now (2017), um álbum que conquistou tanto como perdeu, a banda voltou a provar que foram chamados ao Vodafone Paredes de Coura para mais um concerto digno de marcar a vida de muita gente. Durante os dias que antecederam o concerto, muitos foram aqueles que esperaram com a ânsia de quem viveu o concerto de 2005 e nunca mais conseguiu esquecê-lo e muitos foram aqueles que esperaram com a ânsia de quem vê Arcade Fire pela primeira vez. Era inegável: o grande nome desta edição trouxe 27 mil pessoas ao anfiteatro e o burburinho e a agitação foi crescendo noite dentro. A explosão de Everything Now arrancou com um dos concertos mais memoráveis da história do festival, com a multidão a dançar e cantar a plenos pulmões. Seguiram-se trabalhos mais antigos, com Neighborhood #3 (Power Out)Rebellion (Lies) e No Cars Go, que relembraram a verdadeira essência "arcadefireana", capaz de conquistar qualquer ouvinte através da energia quase revolucionária a que nos têm habituado. Passaram por Put Your Money On e Electric Blue, que abriu a porta para a voz de Régine Chassagne, que não esteve nos seus melhores dias, mas não desiludiu e preencheu duas das músicas mais comerciais do novo álbum. Win Butler introduziu Cars and Telephones, explicando que foi uma das canções que escreveu numa fase inicial, quando sentiu falta de apoio para perseguir a paixão pela música. A performance ficou completa com The Suburbs, Ready To Start e Sprawl II, a preencher as lacunas de entusiasmo causadas por alguns temas mais recentes. Não pode faltar a tão aclamada Wake Up, que representa sempre um dos pontos altos dos concertos da banda, a terminar com um "tutu tuturutu" animado da Walk on the Wild Side de Lou ReedPara além de um espectáculo de música, Arcade Fire constroem uma perfomance quase teatral, de luz e movimento, condensando praticamente 20 anos de carreira em duas horas que nos fazem recuperar toda a adrenalina que temos escondida. Num concerto dos miúdos de 2005 que se transformaram nos incomparáveis de 2018, vivemos Tudo Agora, vivemos Coura.

Vodafone Paredes de Coura 2018: 4º dia

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