Love + Fear de Marina: a evolução do diamante em bruto | Watch and Listen!

Love + Fear de Marina: a evolução do diamante em bruto


Marina lançou o seu quarto álbum, Love + Fear, no dia 26 de abril, que está dividido em duas partes com oito músicas cada uma. O sucessor de Froot (2015) traz uma sonoridade diferente e as suas típicas letras relacionáveis que a artista nos foi habituando ao longo dos seus trabalhos.

Apenas pela capa do disco, pode-se chegar à conclusão que é o seu trabalho mais simples, sereno e refrescante. Não explora a pop retro de The Family Jewels (2010), não procura diferentes personas numa pop comercial como em Electra Heart (2012) e nem vai buscar a sonoridade disco e eletrónica de Froot (2015). Em vez disso, apresenta Marina, que deixou + The Diamonds no nome para trás, na sua forma artística mais pura e despida, após ter ponderado em desistir de fazer música. 

O álbum divide-se em dois lados: o primeiro é Love e o segundo é Fear. Segundo a cantora, a psicóloga Elisabeth Kübler-Ross acreditava que "There are only two emotions: love and fear. All positive emotions come from love, all negative emotions from fear" (Só há duas emoções: amor e medo. Todas as emoções positivas vêm do amor, todas as emoções negativas vêm do medo). Daí o nome do álbum ser este. Ambas as partes contêm oito músicas.


Love

A primeira parte, Love, saiu no dia 4 de abril e as músicas remetem ao tema do amor, apesar de nem todas serem sobre relações amorosas. Começa com Handmade Heaven que fala sobre um paraíso imaginado e a ligação com a natureza, sendo que, traz uma sensação de calma e paz. A seguir, vem Superstar que é mesmo uma música sobre amor com, talvez, uma das melhores frases neste disco: "My love is a planet revolving your heart". Já Orange Trees é a mais alegre e tanto a letra como a melodia fazem lembrar o verão. A colaboração com os Clean Bandit e Luis Fonsi em Baby também aparece aqui na sua versão original e, provavelmente, uma versão a solo ou acústica tinha ficado melhor. A música Enjoy Your Life surge como uma lema para se aproveitar a vida ao máximo. Enquanto que True fala sobre amor próprio e nos mantermos fiéis a nós mesmos. Quanto a To Be Human, é a música mais política do álbum e Marina canta sobre situações que aconteceram em alguns países e, apesar das diferenças culturais, todas as pessoas à volta do mundo estão unidas pelo "amor" e pela "dor". Esta parte termina com End of the Earth, que foi inicialmente feita para um filme e depois recusada para o mesmo, e é outro tema sobre relações amorosas e arriscar-se tudo por amor.

Além do tema abordado ser claramente sobre amor, Love é o lado que tem músicas otimistas com melodias que dão vontade de se dançar e letras inspiradoras capazes de animarem os ouvintes. To Be Human pode parecer a mais triste, mas também traz uma futura esperança acerca do mundo. Assim, Love consegue a parte mais alegre e, ao mesmo tempo, traz uma calma reconfortante que não se sentia nos álbuns anteriores.


Fear

Em relação à segunda parte, Fear mostra um lado diferente. A primeira canção, Believe in Love, faz a ponte ideal de Love para Fear porque fala sobre inseguranças em relações e parece vinda de uma Electra Heart mais crescida. Depois, chega Life is Strange, uma ode para os seus fãs, e afirma que todas as pessoas são iguais. O tema You é sobre uma pessoa que foi má para Marina e volta a falar sobre igualdade num falsete maravilhoso. Já Karma é a mais ousada do álbum e diz como o karma vai voltar para homens nas indústrias do cinema e da música que abusam de mulheres. Em Emotional Machine, que foi co-escrita por Georgia Nott dos Broods, a artista usa a voz como o instrumento principal passando por arranjos vocais graves e agudos, mostrando uma grande evolução na sua voz. Too Afraid é a música que melhor compila o assunto desta segunda parte porque fala sobre medo. Com No More Suckers, co-escrita por Alex Hope (que escreveu para Troye Sivan em Blue Neighbourhood), a britânica tenta afastar-se de pessoas que se aproveitam dela. Tudo termina com Soft To Be Strong onde a artista se despede do medo e mostra, novamente, o progresso da sua voz.

Ao contrário de Love, Fear tem canções mais pop, atrevidas e obscuras. Ainda assim, algumas das letras conseguem ser igualmente positivas como na primeira parte. A produção das músicas tem um destaque diferente e mais marcante ao invés de Love, onde as letras sobrassem muito mais. Também se percebe porque é que o álbum foi dividido em dois lados em vez de um.


Em suma, Love + Fear consegue ser o LP mais honesto e maduro de Marina. Quando se ouve os discos anteriores, percebe-se que o novo tem um pouco dos outros três e que era uma evolução natural para a artista. E, mais uma vez, fez temas cujas letras tocam quem as ouve e podem tornar-se em lemas de vida para as mesmas. Ainda mais, trazem uma tranquilidade que dá gosto de se ouvir e sentir ao longo das dezasseis músicas. O álbum também representa um crescimento pessoal e artístico do diamante em bruto que é Marina Diamandis.

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