O lado feminino do NOS Primavera Sound | Watch and Listen!

O lado feminino do NOS Primavera Sound


Em 2018, existiram seis vezes mais homens nos palcos do que mulheres nos festivais portugueses.
Em 2019, o NOS Primavera Sound quebra as regras e constrói um alinhamento com 70 artistas, dos quais 40 são mulheres ou bandas com, pelo menos, uma mulher. 


Falta menos de um mês para o NOS Primavera Sound regressar ao Parque da Cidade, no Porto. De 6 a 8 de junho, o festival traz música intemporal e emergente à invicta. E nós trazemos algumas confirmações no feminino que não vais querer perder. 

Ama Lou 



A londrina de 19 anos foi praticamente revelada ao público por Drake, que comprou merch da artista e partilhou no seu Instagram parte da letra de TBC, o single de estreia de Ama Lou. Este foi baseado na sua experiência com a brutalidade policial vivida nas ruas americanas. A sua música é uma mistura entre os sons do trap, a voz do soul e o embalo do R&B. Lembra Jorja Smith, quer na música, quer nas raízes, e já a acompanhou em tour, depois de se terem tornado amigas. DDD, o seu EP de estreia, saiu em março do ano passado e conta com três faixas: Tried Up, Wrong Lesson e Wire. As faixas são acompanhadas por visuals relacionadas com o deserto, disponíveis no site da cantora, e a sua sonoridade varia em função da altura do dia nesse mesmo espaço. Ama Lou parece ter alcançado uma maturidade quase precoce, mas não esconde que cresceu a ouvir Hannah Montana e High School Music. Mantém-se fiel a si própria.

Kali Uchis 



Kali Uchis é dona de uma das vozes femininas mais interessantes da atualidade. É hipnotizante, segura de si própria. Produz a sua música, colabora na direcção criativa dos seus vídeos e cria a sua artwork. É uma artista de contrastes e sensualidade. Isolation foi o seu álbum de estreia, que esteve nas bocas do mundo e fez parte dos 50 melhores álbuns de 2018 para a Pitchfork. Alguns dos temas da cantora são Dead to Me, Killer e Loner. No seu percurso, a colombiana aliou-se a nomes como a banda Gorillaz (em She’s My Collar, do álbum Humanz, lançado em 2015), a artista americana Lana Del Rey (como artista de abertura na LA to the Moon Tour na América do Norte) ou o rapper Tyler, The Creator (em See You Again, do álbum Flower Boy, e em After The Storm, parte do álbum de estreia de Kali). Atualmente, encontra-se numa tour norte-americana em conjunto com a artista britânica Jorja Smith, confirmada para a próxima edição do NOS Alive. Já tinham colaborado anteriormente em Tyrant (2017). 

Lena D'Água 



Lena D'Água deu-nos a mítica Sempre Que o Amor Me Quiser e é difícil encontrar um português que não reconheça a voz de uma das maiores artistas femininas do Portugal dos anos oitenta. Volta aos 62 anos e é como se nunca tivessem passado três décadas, como se nunca tivesse ido embora. O novo disco chama-se Desalmadamente e conta com letras de Pedro Silva Martins e interpretação de Francisca Cortesão, Mariana Ricardo, Benjamim e Sérgio Nascimento. A voz sempre jovial canta temas como Hipocampo, Formatada ou Desalmadamente, que dá nome ao álbum. Em entrevista à Sapo, Lena D'Água destacou o papel das mulheres na música portuguesa e a participação de Francisca e Mariana no seu novo disco. Desde 2018, empresta a sua voz a um projecto com Primeira Dama e com a Banda Xita e vai levar ao Primavera uma mistura entre os seus originais e os originais daqueles que a vão acompanhar. 

Let's Eat Grandma 



Rosa Walton e Jenny Hollingworth formam Let’s Eat Grandma. Aos 13 anos, começaram a fazer música juntas e, em 2013, nasceu o duo. O álbum de estreia, I, Gemini, foi editado em 2016, e I’m All Ears chegou dois anos depois, tendo recebido um Q Award para Álbum do Ano. Cantam em sincronia e são multi-instrumentistas. Nas suas músicas, ouvem-se instrumentos pouco usuais, tais como xilofone, saxofone e acordão numa pop experimental. 

Men I Trust 



A banda canadiana Men I Trust tem Emma Proulx na voz e na guitarra e é impossível escapar da sensação de dormência sonhadora que carrega. O conforto do indie dream pop de Men I Trust faz-nos sentir que flutuamos num lago ou andamos à deriva pela rua quando o sol nasce; aquele conforto que só alcançamos quando somos nós e o mundo, que espera sinal para acordar. Numb é o mais recente single da banda, lançado há menos de um mês; antes do novo álbum, ouvimos singles como Say, Can Your Hear (2018) ou I Hope To Be Around (2017). Num conteúdo inicial, destacam-se pelo single Lauren e pelo álbum Headroom, ambos de 2015. A nova criação, Oncle Jazz, está quase pronta e prevista para este ano. Com sorte, chega antes de junho. 

Nilüfer Yanya 



A cantora e compositora britânica faz parte dos artistas que começaram por publicar músicas no seu Soundcloud. Começou aí em 2014 e seguiram-se alguns singles. Recebeu uma proposta para fazer parte de uma girl band produzida por Louis Tomlinson, dos One Direction, e recusou. Assim, focou-se na sua música e acabou por editar o seu primeiro EP Small Crimes/Keep on Calling, seguido de Plant Feed (2017) e Do You Like Pain? (2018). Com uma voz soul e com a fusão de indie rock, trip hop e jazz nos seus temas, Nilüfer Yanya está pronta para começar a dominar o mundo com a sua arte e o disco de estreia Miss Universe, editado este ano, é a prova disso.

Rosalía 



Se antes era um tesouro escondido nos recantos do país vizinho, a espanhola Rosalía veio mostrar ao mundo que o flamenco está vivo e de boa saúde, com tendências mais modernas e com uma intensidade que não pede licença nos palcos internacionais. El Mal Querer, o seu segundo álbum, foi lançado em 2018 e conquistou a opinião da crítica e os ouvidos do público. A música de Rosalía remete às raízes tradicionais dos ritmos espanhóis, ao flamenco, enquanto os transforma numa aliança única com a electrónica e o R&B. A artista destaca-se não só pelo estilo musical, mas também pela construção de uma história de libertação empoderadora, contada em capítulos visuais inspirados numa relação tóxica. Recentemente, colaborou com J. Balvin, na música Con Altura, e com James Blake, na música Barefoot In The Park, dois artistas que fazem parte do cartaz anunciado. Pisou também os palcos do Coachella na El Mal Querer Tour

Solange 



Uma das maiores artistas de R&B contemporâneo estreia-se finalmente em Portugal. Solange Knowles deu os primeiros passos na música quando começou a ser dançarina para as Destiny’s Child, a banda da sua irmã Beyoncé, substituindo uma bailarina do grupo durante algum tempo. Mais tarde, começou a escrever canções, entrou em alguns filmes e, em 2002, editou o seu primeiro álbum Solo Star. A seguir, veio o segundo LP Sol-Angel and the Hadley St. Dreams (2008). As coisas começaram a mudar quando, em 2016, lançou o aclamado A Seat At The Table, que ficou em primeiro lugar no top Billboard 200, nos Estados Unidos. O álbum aborda temas como o racismo, o isolamento e a integração, numa mistura entre R&B, funk, neo soul e eletrónica, de uma forma cativante que só Solange consegue alcançar. Em março deste ano, lançou o quarto disco When I Get Home, onde explora com maior intensidade a sonoridade do hip-hop. 

Sophie 



A cantora, produtora, compositora e DJ escocesa é uma das caras da PC Music. Em 2015, a compilação Product foi lançada, reunindo várias músicas da artista desde 2013. Um ano depois, trabalhou com Charli XCX no EP Vroom Vroom. Até ao momento, colaborou com Let’s Eat Grandma, Madonna, Vince Staples, Kim Petras, Flume e muitos mais. No ano passado, Sophie editou o álbum Oil of Every Pearl's Un-Insides, a junção entre um lado exagerado e um lado calmo. 

Surma 



Quando Débora Umbelino lançou o seu primeiro single Maasai, em março de 2016, deixou a íntriga no ar por ter aparecido logo com esta música. Quem era esta pessoa? Como é que tinha chegado aqui? De onde surgiu esta sonoridade? O hype veio rápido e começou a chegar às pessoas e às rádios nacionais. O resultado? As atuações em alguns países europeus, no Eurosonic e no South by Southwest. O primeiro disco, Antwerpen, foi editado em outubro de 2017, tendo sido considerado um dos melhores álbuns nacionais desse ano pela crítica. A artista consegue fazer música experimental explorando jazz, post-rock, noise e eletrónica como mais ninguém. Ao vivo, normalmente, faz tudo: canta e toca sozinha num one-woman show. Em março deste ano, participou no Festival da Canção, onde cantou pela primeira vez em português com Pugna

Yaeji 



Apenas com dois EPs lançados em 2017 (Yaeji e EP2), a cantora, produtora e DJ com malas e bagagens em Nova Iorque acabou por chegar às bocas do mundo e começou a esgotar salas. Como é que isso aconteceu? Na sua primeira sessão de Boiler Room, Yaeji decidiu passar um remix da música Passionfruit de Drake. A artista coreana canta em inglês e em coreano com uma naturalidade inata. Ao vivo, canta por cima das suas músicas, concretizando a ideia de um DJ set e de um concerto ao mesmo tempo. Esta peculiaridade é o que torna os seus temas tão únicos.


Para além destes nomes, não faltam escolhas para todos os ouvidos. Apoiem a música feita por mulheres e ocupem a plateia do NOS Primavera Sound.


Texto: Carina Soares & Iris Cabaça
Imagem: Iris Cabaça

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