Super Bock Super Rock 2019: de volta à Summertime Sadness no Meco | Watch and Listen!

Super Bock Super Rock 2019: de volta à Summertime Sadness no Meco


O Super Bock Super Rock regressou ao Meco, a pedido de muitas pessoas durante estes últimos 4 anos, nos dias 18, 19 e 20 de julho. Com ele trouxe de volta um cartaz eclético e coeso, o pó e boas memórias. Também contou com o regresso de alguns nomes a Portugal.

Neste primeiro dia esgotado, houve espaço para folk, funaná, eletrónica, pop e muito mais. O neo-zelandês Marlon Williams subiu ao Palco EDP para encantar o público português novamente depois da sua estreia no Vodafone Paredes de Coura no ano passado. O músico começou o concerto sentado a tocar o seu teclado e com o tema I Didn't Make a Plan. Estreou uma música nova, Being Somebody, após ter perguntado quem é que estava feliz por estar vivo/a. Mais à frente, entregou-se à melancólica What's Chasing You. Terminou a cantar I Started a Joke no chão do palco.

Marlon Williams @ Super Bock Super Rock 2019

A abrir o Palco Super Bock esteve a norte-americana Cat Power. Vestida de preto, chegou com o seu folk obscuro para um público que ia chegando aos poucos. Veio apresentar o seu mais recente álbum, Wanderer, e infelizmente Lana Del Rey não se juntou em palco para atuarem o tema Woman, mas Cat Power fez um cover de White Mustang. Num palco talvez demasiado grande para as suas músicas intimistas, conseguiu dar a volta e melhorou a tarde solarenga de quem assistiu.

Novamente no Palco EDP, foi a vez de Dino D'Santiago trazer o seu mundu nôbu do funaná. Um artista cada vez maior e melhor ao vivo. Pois, em pouco tempo tornou-se um nome assertivo nos festivais nacionais e não precisa de uma estrela grande da Pop mundial para isso, fá-lo sozinho. O artista português continua a mostrar a sua Nova Lisboa de forma maravilhosa e marcou a primeira enchente do dia neste palco, metendo o público a dançar. A grande surpresa foi quando Pedro Mafama se juntou a Dino para cantar a sua parte do remix de Sô Bô, que faz parte do EP Mundu Nôbu Remix. Apesar do microfone de Pedro Mafama não ter ajudado, foi um momento bonito para a música nacional. Além de se ter tarraxado ao som de Tudo Certo e Como Seria, Dino também apresentou novos temas. No final, saiu do palco e foi para o meio do público cantar Nôs Funaná com Ana Moura ao lado a assistir e terminou em grande com a festa concretizada.

Dino D'Santiago @ Super Bock Super Rock 2019

Os Jungle começam a ser um nome recorrente nos festivais (no ano passado tocaram no Vodafone Paredes de Coura e no Super Bock em Stock) que ainda não cansa. Os londrinos Tom McFarland e Josh Lloyd-Watson, que formaram a banda e ao vivo têm mais pessoas, podiam trazer o clima mais frio de Inglaterra, mas as suas músicas chamam pelo sol dando vitamina D a quem assiste a um concerto deles. Talvez seja por isso que são sempre bem recebidos no nosso país e a sua mensagem para as pessoas se divertirem e dançarem é sempre compreendida e realizada. Nem precisam de fazer muito para o público se reagir e ficar feliz porque os seus temas dizem tudo. A meio disseram "we're never tired of you all" (nunca estamos fartos de vocês), e pelos vistos Portugal também nunca se farta deles. O alinhamento não variou muito desde as suas duas últimas passagens, e tocaram Casio, House in LA, The Heat, Julia, entre outras. Ao mesmo tempo, mostraram que conseguem dominar um palco grande e tornaram o pôr-do-sol no Meco ainda mais bonito. Como é hábito, o concerto acabou com Drops, Busy Earnin' e Time. A verdade é que é sempre bom vê-los e podem voltar as vezes que quiserem.

Jungle @ Super Bock Super Rock 2019

Também do Reino Unido, mas neste caso de Manchester vieram os The 1975 que atuaram na hora certa para o espetáculo de luzes que têm, ao contrário do que aconteceu na última vez que tocaram cá. Começaram em força com Give Yourself A Try, TOOTIMETOOTIMETOOTIME e She's American. Ao longo do concerto passaram pelos seus três álbuns e Matty Healy, o vocalista, brinco com o auto-tune. Não faltou a triste Somebody Else, provavelmente um dos melhores temas do grupo, e a poderosa Love It If We Made It, que ao vivo se perdeu um pouco. Foram perdendo a garra durante o concerto, mas mesmo assim o seu indie-pop com sintetizadores fez um bom trabalho e exaltou o público.

The 1975 @ Super Bock Super Rock 2019


No Palco Somersby e ao mesmo tempo que The 1975, encontrava-se Conan Osiris. O grande fenómeno da música nacional nestes últimos tempos encheu o palco com fãs ansiosos/as de o (re)verem, e foi provavelmente a causa de não estarem mais pessoas a verem o concerto no palco principal. Pois, quando Conan toca à mesma hora que um nome internacional num festival consegue levar montes de pessoas na mesma. Aconteceu com Johnny Marr no Super Bock em Stock no ano passado e voltou a acontecer aqui. O próprio nem sabe o poder que tem e mostrou-se surpreendido por ver tantas pessoas ali presentes, tendo dito "mas porquê tantos aqui comigo com tantos para ver?". A razão é por ter conquistado o país com a multiculturalidade das suas músicas e pela energia que tem durante os seus espetáculos. O artista está cada vez mais confiante na sua voz, o que tem sido notório nos últimos concertos. E claro que não podia faltar o bailarino João Reis Moreira a traduzir os temas em passos de dança. Também se fez acompanhar pelos músicos Sunil e Cheong. Adoro Bolos, Borrego e Gluteuda fizeram a festa e Telemóveis pôs todos em êxtase. No próximo ano, deveria atuar no palco principal do festival porque já é merecido.

Conan Osiris @ Super Bock Super Rock 2019


Os Metronomy são outros amigos de Portugal, principalmente Anna Prior, a baterista, que passa cá a vida. Após o grande concerto no NOS Primavera Sound de 2017, esperava-se um concerto melhor que não aconteceu. Conseguiram fazer a maior enchente no Palco EDP deste dia, mas mesmo assim conseguiram meter muitas pessoas a dançarem. Usaram algumas das suas canções mais conhecidas, que nunca falham, como Everything Goes My Way, Reservoir, Love Letters e The Look ajudaram a animar o concerto.

Metronomy @ Super Bock Super Rock 2019


Lana Del Rey, a rainha da noite e a razão deste dia ter esgotado, chegou com cerca 15min de atraso, que foram logo esquecidos mal começou a cantar o tema "Born To Die" acompanhado pelo massivo coro do público a gritar a letra do princípio ao fim. O que a deixou sorridente e chocada. O Super Bock Super Rock voltou ao Meco e Lana Del Rey também, porque a primeira vez que atuou em Portugal foi neste festival em 2012, e 7 anos depois fez todo o sentido ser a primeira cabeça de cartaz anunciada. Em 2012, apenas tinha editado o seu primeiro álbum Born To Die e o concerto curto, apenas com 9 músicas, foi a redenção ao vivo depois do desastre da atuação no Saturday Night Live. Não levou milhares de pessoas ao Meco, apesar do sucesso que já andava a causar mundialmente e na quinta-feira passada foi tudo completamente diferente. Este ano foi a prova do seu crescimento enquanto uma das maiores estrelas da música, e as 30 mil pessoas que a viram testemunharam uma cantora mais segura e com mais produção ao vivo que se entrega emocionalmente às suas músicas. O entusiasmo foi tanto que, por algumas vezes, se ouvia mais o público a cantar do que Lana. Quanto ao alinhamento, pode não ter sido o ideal, mas não faltaram os hinos mais antigos, como, Blue Jeans, Ride, Video Games, Summertime Sadness e Off To The Races. Também desceu do palco para ir falar com os fãs, tirar selfies e dar autógrafos durante cerca de 10min levando as primeiras filas ao delírio. As músicas ao vivo soam diferentes da versão de estúdio e os arranjos são melhor adaptados para a sua voz, o que às vezes tornava complicado acompanhar as letras. Porém, algumas até ganham outro encanto na versão ao vivo. A realidade é que Lana Del Rey invoca blues, rock, pop e indie numa só pessoa e parece uma estrela de Hollywood, tornando-o numa artista inigualável. O concerto terminou com Venice Bitch, e foi um dos pontos altos deste dia.

0 comments:

Enviar um comentário