Kelsey Lu no Jameson Urban Routes 2019: a passagem do clássico para o contemporâneo | Watch and Listen!

Kelsey Lu no Jameson Urban Routes 2019: a passagem do clássico para o contemporâneo


Na terceiro dia do Jameson Urban Routes, Angélica Salvi e Kelsey Lu tiraram proveito do clássico e desceram até à atualidade. A harpista foi a escolha ideal para abrir o concerto da artista norte-americana. Com duas linguagens muito próprias, ambas trouxeram um público atento, respeitador e animado ao Musicbox.

Angélica Salvi apresentou-se apenas com a sua harpa, como é habitual. A harpista espanhola, que mora no Porto, editou o álbum Phantone este ano, tendo percorrido um pouco o país para o tocar. Neste concerto, conseguiu prender e acalmar o público presente e não se ouviu nenhum susurro sequer. As pessoas ficaram todas em silêncio a apreciar a magia que Angélica faz (e bem) com a sua harpa. Cada vez que toca numa corda da harpa, a artista transporta-nos para um mundo sereno e bonito.

Após o concerto de Kelsey Lu no NOS Primavera Sound do ano passado, ficámos a pensar que o ideal seria atuar a solo no nosso país, porque as suas músicas pedem um ambiente mais intimista, ao contrário do que acontece em festivais de grande dimensão. Mais de um ano depois, finalmente aconteceu. Sem chuva e com o novo álbum Blood, que foi editado este ano, e uma roupa roubada a Naomi Campbell, começou o concerto entrando em palco calmamente, sem dirigir uma única palavra e apenas a improvisar com o seu violoncelo de uma forma hipnotizante. Logo no princípio, anunciou que haveria surpresas e houve mesmo.

A artista norte-americana tem uma forma muito peculiar de jogar entre a música clássica e a contemporânea. Ora pega no violoncelo para tocar o seus temas mais clássicos, como, "Dreams" e "Pushin Against The Wind", ora ouve-se canções pop com remixes a puxarem para a eletrónica e segundas vozes por cima. O que lhe corre bem porque nota-se que sai naturalmente. Com um início calmo, o esperado para quem a conhece, Lu partiu partiu para uma verdadeira festa com as músicas mais mexidas. A loucura foi tanta que descalçou os sapatos de salto alto para poder dançar melhor e derramou vinho no palco. "Foreign Car" e "Poor Fake" foram algumas das principais causas para tanta exaltação. "Shades of Blue" trouxe um momento emocional, e a dançável "Due West" foi a mais especial, sendo que ambas levaram o público a entoar a letra pelo Musicbox.

Durante o concerto, Lu contou montes de histórias sobre as músicas, a razão de as ter escrito, onde as fez e o significado que têm. Mostrou-se sempre interativa com o público, o que foi recíproco, e ficou-se a conhecer um pouco como ela é e parecia que estava a atuar para uns dez amigos (claro que estavam mais pessoas lá, pois a parte da frente estava cheia de fãs ansiosos por a (re)verem). Daí a necessidade de um concerto a solo para ter esta parte bastante próxima das pessoas que assistiram.

Com isto, o êxtase tanto do público como de Kelsey Lu foi tanto que depois de ter terminado o espetáculo com "I'm Not in Love" voltou para fazer o encore com "Too Much". A seguir a este regresso memorável da californiana, só se espera que volte com um novo trabalho e que fique mais conhecida em Portugal para esgotar uma sala.

Kelsey Lu @ Jameson Urban Routes 2019

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