Conan Osiris no Coliseu dos Recreios: o rapaz que leva a música portuguesa ao futuro


Conan Osiris subiu ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na passada quinta-feira, dia 12 de dezembro, para encerrar a era do álbum Adoro Bolos, editado no final de 2017, da melhor forma. Um concerto rica em cultura e com vários momentos inesperados.

O artista do Cacém abriu de novo portas ao público para o seu pequeno grande universo recheado de bolos e fusões multi-culturais, não só dentro da música como na dança e teatralidade, dando jus mais uma vez ao título de “Conan o rapaz do futuro” - referenciando Hayao Miyazaki. Pois, tal como ninguém, vai buscar referências do popular e tradicional português dando-lhe uma leveza e um sopro de frescura. Ao combinar ambientes sonoros Brasileiros, Africanos e até mesmo Orientais, enaltece todo o imaginário do que Portugal foi e será: um misto de pessoas e culturas. Com os teasers apresentados e com a notícia que seria um palco de 360º, existia uma espera e uma antecipação para todo um imaginário possível a construir e diferentes perspectivas por ver, pois “imprevisível” e até mesmo explosivo são palavras de ordem nos espetáculos de Conan, que se estreou nesta sala emblemática.

Passava um bocado das 21h, quando as luzes se apagaram e se começou a ouvir “eu queria uma mega drive, eu nem sei como é que se joga”, uma rendição do tema “Beija Flor” a acappella a ecoar pelo Coliseu. A sua entrada em palco ocorreu ao som de “100 Paciência”, pisando-o com um ar de quem não estava ali para brincar nesta noite, e não estava mesmo, arrancando aplausos do público ansioso para o que se seguiria.

Rodeado por muitos amigos e “bebés”, estando muito bem acompanhado com o seu duplo e bailarino João Reis Moreira, este que adiciona toda uma densidade extra e um suporte físico à quase história que se ocorre (dando até oportunidade para um duelo de kenjutsu, em “Cartomância”). Os músicos já habituais nos seus live sets, Sunil Pariyar (flautista bansuri), Cheong (tocador de ehru, um instrumento de cordas tradicional chinês), um grupo de 6 bailarinos (escolhidos por uma open-call) e o quarteto de cordas Naked Lunch também fizeram parte deste marco importante da sua carreira. Foi em “Borrego” que os bailarinos se juntaram pela primeira vez em palco, ao lado do cantor e o seu bailarino. A partir daí, o espetáculo começou-se a compor, e foram surpresas atrás de surpresas. “Barcos (Barcos)” e “Adoro Bolos” foram algumas das músicas que contaram com coreografias bem ensaiadas pelos seus bailarinos, pelo próprio e seu companheiro João, que pintaram um espetáculo visual contagiante e com tudo no sítio certo. Contudo, ainda houve muito mais a acontecer.

O momento mais inesperado da noite chegou com “Titanique” que contou com a ajuda dos Pauliteiros de Mirando do Douro. Algo que, provavelmente, nunca ninguém imaginou que acontecesse, mas acabou por ficar bem no espetáculo e com o ritmo da música. Depois, foi a vez de se ouvir “Telemóveis” numa versão acústica e simples acompanhada por um quarteto de cordas. Subiu à tribuna principal para cantar “Avé Lágrima”, enquanto João estava numa espécie de batalha com um dos bailarinos. E como se já não tivesse arrebatado tudo e todos, ainda trouxe Marcus Veiga mais conhecido como Scúru Fitchadu para tocar “Nasce nas Açucenas” e elevá-la a um ritmo ainda mais frenético. As surpresas não acabaram por aí, e ainda houve tempo para Ana Moura subir ao palco ao mesmo tempo em que Branko tocava na tribuna principal, e atuarem uma canção nova, que nem foi lançada, apelidada “20 20”. Uma mistura entre fado, eletrónica e o som único de Conan num só tema resultou brilhantemente.

Em “Celulitite”, meteu o público a cantar a letra em alto e bom som, e chegou a emocional “Amália” que parecia ditar o fim, mas ainda voltou com a versão original de “Telemóveis” para se despedir em grande, após seis mudas de roupa. 

Com tanta variedade de acompanhantes e convidados foi conseguido um leque e uma instrumentalização eclética, dando espaço para quase reconhecer a essência e o back-story de cada momento e “persona”, passando do folk transmontano às salas da cena de voguing, de Arroios a Harajuko.

Esta viagem de músicas bem conhecidas pelo público, tanto pela curiosidade como pela genuína euforia que cria no público, o músico fechou um ciclo e um 2019 - turbulento e cheio pela positiva - de uma das melhores formas possíveis, quase, senão mesmo uma validação e uma reviravolta na sua vida de artista.

O que Conan faz em Portugal, mais ninguém faz igual ou semelhante e a prova disso foi este espetáculo repleto de surpresas, rico em multiculturalidade e com uma produção num nível internacional. Nem este país, nem o Coliseu alguma vez teve um concerto, que será transmitido na RTP brevemente, construído desta forma por um artista nacional, e foi, sem dúvida, um dos melhores concertos do ano, e, talvez, um dos melhores que aconteceu naquela sala. O futuro chegou e não desiludiu. 

Conan Osiris @ Coliseu dos Recreios

Comentários

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