After Hours de The Weeknd: um novo capítulo frenético | Watch and Listen!

After Hours de The Weeknd: um novo capítulo frenético


O novo álbum de The Weeknd, After Hours, foi editado a 20 de março e é esperado que chegue ao primeiro lugar do top Billboard 200 esta semana, tendo superando as expectativas de vendas e ultrapassado 1 bilião de streamings no Spotify.

Em After Hours, Abel Tesfaye constrói uma personagem de vilão a tentar remediar-se dos seus erros no passado rodeado pelas luzes da cidade do pecado, Las Vegas. "Heartless", o primeiro single, introduziu esta nova era do artista e "Blinding Lights" reforçou ainda mais a recente imagem, num vídeo onde se vê Tesfaye com sangue na cara a dançar na rua. Com apenas estas duas amostras, aguardava-se ansiosamente por este novo trabalho, onde finalmente conseguiu construir uma sonoridade que o caracterizou desde o princípio e, igualmente, a que o levou ao sucesso comercial nos últimos anos.


The Weeknd começou por chamar a atenção com as suas primeiras mixtapes, lançadas em 2011,  House of Balloons, Thursday, e Echoes of Silence, que mais tarde, em 2012, foram compiladas em Triology. A seguir, veio o primeiro álbum com o selo de uma editora, Kiss Land (2013). Só em 2015 é que chegou o primeiro número um no top Billboard Hot 100 com o single "The Hills", e depois foi a vez de "Can't Feel My Face" chegar ao primeiro lugar. Após o sucesso do seu segundo disco, Beauty Behind The Madness, e se ter tornado numa estrela mundial, chegou Starboy contando com a colaboração dos Daft Punk na música com o mesmo título e "I Feel It Coming", ambas carregadas da eletrónica que caracteriza o duo francês. Sendo que o EP My Dear Melancholy (2018) mostrou outra era. Agora com After Hours, o músico canadiano apela aos seus fãs mais antigos e aos mais recente, conseguindo fazer uma espécie de best-of dos temas lançados ao longo da sua carreira e com novas nuances que elevam ainda mais este LP. Também se vê o seu lado mais sombrio, profundo e retrospetivo que ainda não se tinha revelado até aqui.

Os assuntos presentes nas letras são os que Tesfaye já nos habitou: drogas, relações amorosas, sexo, e, ainda, culpa, e solidão. Na balada "Scared To Live", diz à sua ex-parceira para encontrar alguém novamente e não ter medo de viver (So don't be scared to live again/ Be scared to live again). Já em "After Hours" revela como se sente sozinho (My darkest hours/ Girl, I felt so alone inside of this crowded room) e serve como uma desculpa para a relação que não resultou. Com "Too Late" e "Hardest To Love", assume a sua culpa no falhanço dessa mesma relação, dizendo I made mistakes, I did you wrong, baby e But I've been the hardest to love/ You're tryna let me go, yeah. Quando se chega à última faixa, "Until I Bleed Out", afirma que já está cansado de lutar, o que remete para a capa e vídeos do álbum. A cada verso, ele assume a sua culpa na relação que aborda ao longo do disco, mostrando um lado vulnerável e, por vezes, outro em que apenas não quer saber, como em "Heartless".


A sonoridade de After Hours traz à luz vários géneros musicais, tais como, synth-pop, new wave, UK garage, disco, pop e liquid drum and bass com um toque retro e influências dos anos 80, que também se pode ver nos vídeos inspirados em filmes de terror dessa época. Introduzido como um "brain melting psychotic chapter" (capítulo psicótico a derreter o cérebro), é uma viagem frenética por todas estas inspirações. Com uma música co-escrita e produzida por Kevin Parker (Tame Impala), "Repeat After Me (Interlude), e outras onde colaborou com os produtores Illangelo, Metro Boomin e Oneohtrix Point Never, compositor da banda sonora do filme Uncut Gems (2019), em que The Weeknd tem uma participação, só podia vir algo grandioso. O próprio fez parte da produção do disco. "Alone Again", o primeiro tema está carregado de sintetizadores que vão crescendo até um baixo e uma bateria. Depois, "Too Late" mistura UK garage com sintetizadores num ambiente trippy. Já "In Your Eyes" é a que tem mais influências disco e onde se ouve um saxofone tocado por Tomas Jannson. Todas estas inspirações diferentes ajudam a trazer algo de novo, fresco e, ao mesmo tempo, retro à sonoridade deste álbum. O que resulta em momentos bastante certeiros ao longo das catorze faixas.


O novo trabalho de The Weeknd consolida o que o artista tem feito durante a sua carreira, indo buscar partes dos seus trabalhos antigos e dos mais recentes, enquanto que, traz sonoridades diferentes. Finalmente, conseguiu fazer um disco que o caracteriza, trazer uma nova personagem, elevar-se enquanto músico e, apesar de tudo, continuar a ser mainstream, o que nem sempre é mau e muito menos neste caso. 

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