RE-ANIMATOR dos Everything Everything: a calma depois da tempestade

Os Everything Everything editaram o seu quinto álbum de originais a 11 de setembro. RE-ANIMATOR mostra outra faceta da banda britânico. 

Após A Fever Dream, um álbum bombástico, onde expuseram as suas visões políticas sobre o Brexit, Donald Trump e como tudo afetou as pessoas nas comunidades britânicas e americanas, RE-ANIMATOR encontra os Everything Everything mais serenos, com algumas críticas e a pensarem num mundo apocalíptico. Continuam a ser a banda de art-rock que fizeram músicas como "Cough Cough", "Distant Past" e "Desire", só que agora apresentam uma versão menos agressiva e mais reconfortante. 

Ao contrário de todos os seus discos, RE-ANIMATOR começa com um tema calmo. "Lost Powers" fala sobre alguém que perdeu a cabeça e que acredita em teorias da conspiração. Contudo, a melodia é bastante positiva sendo um bom começo. Segue-se "Big Climb", com uma parte instrumental mais animada e relembra o estilo anterior do grupo nos trabalhos antigos.

Os assuntos que abordam nas músicas são sobre o meio ambiente, a mente, ficção científica, a internet e o fim do mundo. Basicamente, tópicos que não são surpreendentes para quem os ouve. "It Was A Monstering" mostra a imagem do vocalista Jonathan Higgs se colocar no papel de monstros nos mitos urbanos, por exemplo, vampiros, o vilão universal ou Frankenstein (It was a monstering at nearly ninety-thousand feet / Or so they say, for I would not know). O meio ambiente é trazido à luz em "Black Hyena" e "Big Climb" (Ice flows quicken / Drip-feed drippin' in your eye socket under the hoax moon), pois expõem o que pode vir a acontecer quando se brinca com a natureza e como a tecnologia tem um papel grande nas alterações climáticas. 

Adicionalmente, "Arch Enemey" e o primeiro single "In Birdsong" falam acerca da mente bicameral, uma teoria apresentada por Julian Jaynes em 1976 onde diz que as funções cognitivas eram divididas numa parte no cérebro que parecia falar e outra metade que ouve e obedece. Também há tempo para criticarem os trolls na internet em "Lord Of The Trapdoor". A letra, provavelmente, mais relacionável da banda chega no final com "Violent Sun", um tema apocalíptico sobre ver o mundo acabar com alguém que se gosta.

Em termos de melodias, este é o trabalho mais suave dos Everything Everything até ao momento. Apesar de ter os aspetos que os caracterizam, não tem nenhum momento especialmente explosivo. Contém elementos eletrónicos, sintetizadores e o magnífico falsete típico de Jonathan Higgs. E é um álbum realmente coeso.

Com RE-ANIMATOR, os Everything Everything mostram, novamente, a sua visão sobre assuntos atuais, por vezes, usando argumentos em letras abstratas que revelam um significado mais profundo. Numa versão ligeiramente mais contida, mostram porque é que são um dos grupos mais interessantes do Reino Unido.

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