Emily in Paris: a rom-com dos clichés

Emily in Paris é a nova série da Netflix que estreou a 2 de outubro. Apesar de parecer magnifique, acaba por ser apenas uma rom-com com uma trama previsível e repleta de clichés.

A mais recente série da Netflix, Emily in Paris, conta com Lily Collins no papel principal de Emily Cooper, que trabalha numa firma de marketing em Chicago e, de repente, recebe uma proposta para representar a sua empresa em Paris. Na capital francesa, encontra vários obstáculos nesta versão suave e millennial de Sex and the City, criada pelo mesmo realizador: Darren Star. Numa nova cidade, casa nova, novos amigos e novas paixões, Emily acaba por viver uma vida de sonho onde tudo tem sempre uma solução. Pelo caminho, depara-se com a dificuldade de não falar francês e não ser desde logo aceite no seu novo trabalho. Porém, o positivismo da personagem, aos poucos, consegue melhorar tudo. Ao mesmo tempo, torna-se uma micro influencer no Instagram.

A história até parecia prometer, principalmente por ser protagonizada por Lily Collins, mas acaba por ser fraca e cheia de clichés. Quantas vezes é que já se viu uma mulher a viver numa grande cidade repleta de moda, com um trabalho que parece complicado, mas o torna fácil e com uma vida aparentemente perfeita? Milhares de vezes. Também faz lembrar outros filmes e séries semelhantes, como, Gossip Girl (2007) e The Devil Wears Prada (2006). Se calhar, teria resultado melhor se fosse uma longa-metragem em vez de ser dividida por episódios. No geral, acaba por ser tudo previsível e precisava de mais elementos surpresa para se tornar mais interessante, porque se não fosse pelo carisma da atriz britânica, pouco se aproveitava. 

A série introduz o ator francês Lucas Bravo no papel de Gabriel, o vizinho no andar de baixo de Emily e o cozinheiro. Além de Lily Collins, é a segunda melhor parte dos dez episódios, sendo que, o romance e a química com Emily é a parte mais cativante da trama e o que desperta interesse no plot inteiro. Sem Gabriel, seria apenas uma rom-com sem o rom, a paixão, e ficaria a faltar ainda mais qualquer coisa para puxar a atenção das pessoas. Claro que ambos andam às voltas um com o outro até ficarem juntos. Apenas no final, é que finalmente dão a entender que isso pode acontecer. O que deve ser apenas uma justificação para se fazer uma segunda temporada, o mais provável de acontecer. Para ficar tudo mais interessante, Emily, Gabriel e Camille (Camille Razat), a (ex)namorada de Gabriel, deviam ficar numa relação os três, porque é das poucas coisas que faz sentido na série. Ainda mais, quando há vários momentos que podem indicar o avanço dessa história, mas, tal como inúmeras partes, não chega a ser mais desenvolvida.

Basicamente, é uma visão americana de Paris, tal como Emily chega à cidade para dar a sua opinião do outro lado do atlântico, fazendo várias críticas aos franceses, por vezes, baseadas em estereótipos. Alguns são verdade, e outros não são a realidade de todas as pessoas francesas. Em vários momentos, exageram demasiado nessas ideias, o que é só desnecessário 

Emily in Paris não é a melhor série deste ano, e quase que se prevê tudo antes do final de cada episódio. Contudo, é leve e boa para passar o tempo e ver-se algo sem se pensar muito enquanto se assiste a algumas imagens de Paris e à fantasia de Emily. Podia ser muito melhor, mas não é péssima.

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