Os fantasmas pouco aterradores de The Haunting of Bly Manor

Uma das mais recentes séries da Netflix estreou a 9 de outubro. The Haunting of Bly Manor tenta trazer o terror de fantasmas misturado com uma história mais profunda, mas falha nessa premissa.

The Haunting of Bly Manor é a sucessora de The Haunting of Hill House (2018), mas não é nenhuma continuação da primeira, apesar de partilhar grande parte do elenco: Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohen, Henry Thomas, Kate Siegel, Carla Gugino, e Catherine Parker. Também há novas adições, como, Amelia Eve, Rahul Kohli, Tahirah Sharif, Amelie Bea Smith, Benjamin Evan Ainsworth e T'Nia Miller. A nova série foi criada por Mike Flanagan e inspirada na novela de horror The Turn of the Screw do autor Henry James. Conta a história da norte-americana Dani Clayton (Victoria Pedretti) que se mudou para Londres com o objetivo de fugir do seu passado. Acaba por arranjar um trabalho como babysitter na mansão Bly para cuidar de duas crianças, Flora Wingrave (Amelie Bea Smith) e Miles Wingrave (Benjamin Evan Ainsworth). Pelo meio, depara-se com fantasmas, amor e não só. Aparenta ser uma história de terror, mas não é.

Os primeiros episódios não mostram nada de interessante e chegam a ser bastante aborrecidos. Basicamente, Dani muda-se para Bly para tratar das duas crianças, Flora e Miles, e conhece a governanta da mansão Hannah Grose (T'Nia Miller), o cozinheiro Owen (Rahul Kohli) e a jardineira Jamie (Amelia Eve). Entretanto, começam a acontecer situações estranhas na casa e, igualmente, com Flora e Miles, aparecem espíritos e descobre-se que nem todas as pessoas que trabalham ou moram ali estão vivas. Contudo, acaba por ter tudo monótono e previsível, pois, basta prestar-se bem atenção a certas cenas e pormenores que se adivinha o que irá acontecer a seguir. Até o vídeo da introdução e os nomes dos episódios são spoilers. Ainda mais, o plot e o guião não são realmente cativantes para a pouca ação que existe. Já para não dizer que é apenas mais outra história banal sobre uma casa assombrada, fazendo lembrar American Horror Story: Murder House, mas até esta foi mais surpreendente na altura em que saiu. Só os últimos dois episódios é que são um bocado interessantes, mas nem esses conseguem salvar tudo. 

Comparando com The Haunting of Hill House, The Haunting of Bly Manor não faz jus ao horror que se experienciou na primeira e foi apenas posto de lado. Em Hill House, a história era cativante e os momentos mais assustadores apareciam quando menos se esperava, o que nos fazia dar saltos na cadeira, mas em Bly Manor nada disso acontece. As cenas com os fantasmas, que podiam ter sido mesmo aterradoras, são apenas calculadas, comuns e fáceis de se prever. Assim, é praticamente uma série de horror, mas sem essa parte. O que foi uma grande desilusão. 

A melhor parte destes nove episódios é, sem dúvida, a relação de Dani e Jamie. O realizador Mike Flanagan decidiu misturar histórias de fantasmas e relacioná-las com traumas de infância em Hill House, e aqui envolve-as com uma bonita e trágica história de amor. Ambas apaixonam-se uma pela outra à primeira vista e vão desenvolvendo a sua relação natural e maravilhosamente a cada episódio. Apesar de tudo começar em 1987, neste universo são vistas como qualquer outro casal, e até o mais importante, não existindo homofobia, como devia ser sempre em todas as séries e não só. Dani e Jamie vivem juntas durante alguns anos, têm uma loja de flores e casam-se, dentro dos possíveis legais daquela época, mas como Dani vive com o espirito de Viola Lloyd (Kate Siegel) dentro de si, para salvar os habitantes (humanos ou fantasmas) de Bly, começa a vê-la. Para salvar Jamie, decide afogar-se no lago da mansão, o que deixa a sua mulher triste e tenta juntar-se a ela, sem sucesso. No final, confirma-se que quem conta a história é uma versão mais velha de Jamie (Carla Gugino) no casamento de Flora, onde Owen, o tio de Miles e o pai de Flora, Henry Wingrave (Duncan Fraser) e Miles também estão presentes. Revelando a intenção de que o plot é, na realidade, sobre a bela relação de ambas.


Também há outras histórias de amor na série, mas não são todas tão fortes como a de Dani e Jamie. A segunda melhor é a de Owen e Hannah que se desenrola de uma forma fluída, mas, infelizmente, nunca é muito aprofundada por ela ser um fantasma – algo bastante óbvio porque nunca come nem bebe - e ele não. A outra é de Rebecca Jessel (Tahirah Sharif) e Peter Quint (Oliver Jackson-Cohen) que é apenas uma história de amor normal e, ao mesmo tempo, tóxica. 

Após a brilhante e aterradora The Haunting of Hill House, esperava-se que a nova série trouxesse os mesmos elementos horripilantes e profundos da primeira, mas não ocorre nada semelhante sequer. O plot e o guião são desinteressantes e não há nenhum momento de susto. Pelo menos, tem duas bonitas histórias de amor. 

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