#Throwback: good kid, m.A.A.d city de Kendrick Lamar

O segundo álbum de Kendrick Lamar, good kid, m.A.A.d city, foi editado a 22 de outubro de 2012. Até aos dias de hoje, continua a ser um dos seus trabalhos mais aclamados. 

good kid, m.A.A.d city foi o primeiro disco de Kendrick Lamar com o selo de uma grande editora, a Top Dawg Entertainment, e é o sucessor de Section.80 (2011), considerado uma mixtape pelo próprio, que foi lançado independentemente. Antes, em 2010, deu a conhecer a sua mixtape Overly Dedicated, e contou com as colaborações de Jhené Aiko e ScHoolboy Q. Em apenas dois anos, tudo mudou para o rapper de Compton, na Califórnia, e as portas para o mundo foram abertas. Na primeira semana de lançamento, estreou no segundo lugar do top Billboard 200, nos Estados Unidos, e tem o certificado de tripla platina. Em setembro de 2019, tornou-se o álbum de hip-hop que esteve mais tempo no mesmo top. Ainda mais, recebeu sete nomeações nos Grammys de 2014, mas não ganhou nenhum. Contudo, a história do LP vai muito mais além de prémios e críticas.

O álbum é uma carta cuspida em versos poderosos e autobiográficos sobre a sua cidade natal, Compton, o que é um tema proeminente nos trabalhos seguintes, a sua experiência e a vida dos que o rodeiam na mesma. A métrica das suas letras é o que o torna incomparável e distinto de outros rappers. Quando na primeira música, “Sherane a.k.a Master Splinter’s Daughter”, fala sobre uma relação que teve com uma rapariga chamada Sherane, volta a aparecer em várias canções, aos dezassete anos. Ou quando aborda ser pressionado a fazer algo que não quer pelos seus amigos, neste caso um assalto, em “The Art of Peer Pressure” (Really, I'm a peacemaker/ But I'm with the homies right now). Já em “good kid” e “m.A.A.d city”, começa a partilhar situações onde foi vítima de racismo, e encontros infelizes com a polícia, “I can never pick out the difference and grade a cop on the bill”. No último tema, junta tudo o que aprendeu, fazendo algumas referências a versos anteriores, e transforma-se numa nova pessoa, o “King Kendrick Lamar”. A forma descritiva, realista e direta como conta histórias pessoais e importantes é, realmente, única.

Quanto aos beats, têm um tempo acentuado e simples. As melodias viram-se para o hip-hop contemporâneo por juntarem influências distintas e mais modernas, e contam com um baixo conciso. Porém, o instrumento que, por vezes, ganha mais força é a voz do rapper cujo flow muda consoante a emoção que quer transmitir em cada tema. Por exemplo, em “m.A.A.d city”, canta num tom desesperado e parece que chorar. Contrariamente, já aparenta estar mais calmo “Real” com Anna Wise. Adicionalmente, os voicemails dos seus pais e amigos também representam uma grande parte no disco e ajudam a fortalecer a narrativa.

Com good kid, m.A.A.d city, Kendrick Lamar conseguiu alcançar o sucesso comercial, mostrar a sua lírica singular, e, ao mesmo tempo, fez uma homenagem ao sítio onde nasceu. O álbum é, sem dúvida, um dos mais importantes para a história da música da última década e da sua carreira, porque provou o que sabe fazer melhor: construir uma narrativa dedicada e dominante.

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