Disco de Kylie Minogue: o regresso da rainha da pista de dança

O novo trabalho de Kylie Minogue, Disco, foi lançado a 6 de novembro através da sua editora, Darenote. A cantora conjuga influências da disco mais antigas com outras recentes, resultando em músicas repletas de brilhantes.  

Disco é o décimo quinto álbum de Kylie Minogue e, contrariamente ao anterior Golden (2018) numa sonoridade mais country, este fica mais perto dos seus maiores sucessos. O seu novo trabalho foi gravado durante a quarentena, mas não apresenta nada sobre a solidão de se ficar em casa. Aliás, está feito para se sentir um coletivo e ser ouvido em grupo, e até se conseguir voltar a isso, apenas pode ser apreciado individualmente. 

Em Disco, Kylie Minogue disse que iria «Dressed in sequins and glittering through the darkness»  (vestida em lantejoulas e a brilhar pela escuridão) neste longa-duração, e é exatamente o que faz. Com tudo o que aconteceu neste ano estranho, a música ganhou uma maior importância para nos distrair do mundo exterior. Kylie Minogue é mais uma das artistas a conseguir-nos transportar para outro universo através das suas músicas. Inspirado na disco dos anos 70 e 80, o álbum traz temas divertidos e refrescantes ligados a refrões catchy. Ao longo de doze músicas, mais quatro na versão deluxe, transforma-se numa pista de dança para se mexer os pés em qualquer lado, isto é, enquanto não houver oportunidade para mais. "Fine wine" é a mais óbvia referência ao voguing - o estilo de dança criado nos ballrooms nos anos 60. Entretanto, a eletrizante "Where Does the DJ Go?", a doce "Miss a Thing" e "Real Groove", num lado mais eletrónico com recurso a sintetizadores, são alguns dos momentos que nos levam a imaginar que estamos num ringue com patins calçados a fazermos uma coreografia sincronizada em grupo enquanto uma bola de espelhos ilumina esse espaço. Algo que traz ênfase à intenção óbvia de dar vontade aos ouvintes de abanarem o corpo com estes temas, e transportá-los para outra dimensão, que é concretizada de forma natural.

 

 

Começa por perguntar «Do you believe in magic?» em "Magic", e depois deste LP é fácil acreditar-se na magia da cantora australiana. Ainda mais, consegue juntar influências do seu passado, presente e futuro durante cinquenta e três minutos. Em "Dance Floor Darling", faz referência ao Studio 54: «Like Studio 54 now» - um antigo club noturno em New York. Já "Last Chance" foi inspirada nos ABBA e Bee Gees, o que se nota na melodia. "Unstoppable" poderia passar em qualquer discoteca, se estivessem abertas. "Supernova" remete para uma galáxia distante. Na edição normal, termina com "Celebrate You" cantada na terceira pessoa e sobre a personagem Mary, que pode ser qualquer pessoa, e funciona como uma descida à terra. Na versão deluxe, o último tema é "Spotlight" que dá continuidade à noite, uma maneira de dizer que «a noite ainda é uma criança». Assim, a magia magnética carregada de glitter de Kylie Minogue é espalhada em todos os momentos deste disco.  

 

 

Disco é o álbum de Kylie Minogue que não se esperava, principalmente depois do penúltimo, mas que se precisava. Infelizmente, ainda não se pode aproveitar este trabalho completamente porque foi feito para se bailar numa pista de dança qualquer, mas até lá faz-se uma viagem imaginada ao universo disco e eufórico aqui criado.


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