Good News de Megan Thee Stallion: depois da tempestade, vem a positividade

O álbum de estreia de Megan Thee Stallion foi editado a 20 de novembro. Good News tenta trazer positivismo com versos afiados na ponta da língua. 

Após ter lançado três EPs, Make It Hot (2017), Tina Snow (2018) e Suga (2020), é a vez da artista de Houston, Texas, lançar o seu primeiro disco, Good News. O LP chega numa altura em que tanto Megan Thee Stallion, como o mundo precisam de boas vibes. Em julho, Tory Lanez disparou contra os pés de Megan depois de uma festa. Ao contrário do seu agressor que negou todas as acusações e até fez um álbum sobre isso, a rapper apenas aborda o incidente horrível em "Shots Fired": «You shot a 5'10" bitch with a .22/ Talkin' 'bout bones and tendons like them bullets wasn't pellets». Podia ter feito muitas mais críticas, mas decidiu dedicar-se a outros temas distintos e animadores.

A "real hot girl shit" constrói versos assertivos e diretos ao assunto com frases que têm a intenção de se tornarem, instantaneamente, icónicas. A sua lírica está no ponto ideal e, de certeza, que ficará ainda melhor nos próximos álbuns. Honestamente, nem todas(os) as(os) rappers conseguem ter esta astúcia logo no primeiro longa-duração. Na música "Go Crazy" com 2 Chainz e Big Sean, afirma que «Bitch, I'm the shit, and I ain't gotta prove it» e é a verdade, não tem de provar nada. Contudo, os dezassete temas são a prova de que está no seu melhor jogo. Até a maneira catchy como diz «Body-ody-ody-ody-ody-ody-ody-ody» que fica na cabeça dois segundos a seguir, é magnética. Além disso, as letras estão cheias de positividade sexual, sendo "WAP" com Cardi B um antevisão para isso. Tal como, em "Work That": «He like it when I lick that, sit down, look back/ When I ride him like a rodeo» e «Moaning like a bitch when he hit this pussy /Damn, he probably wanna wear my hoodie (Ah)», a canção "Cry Baby"com DaBaby.

 

As raízes dos beats são originárias do hip-hop, mas também explora outras sonoridades. O R&B, a Pop e até dancehall, dão uma certa reviravolta nas diferentes músicas, e, no geral, todas servem para se abanar o rabo. Por exemplo, "Don’t Rock Me To Sleep" aproxima-se synth-pop e disco dos anos 80. Já em "Intercourse", uma colaboração com Mustard e Popcaan (o artista jamaicano também a produziu), é um desvio para o dancehall. Enquanto, a voz suave de SZA em "Freaky Girls" traz o ar de R&B. O momento mais calmo e íntimo acontece em "Outside", mas nem aí perde o seu flow.

Good News é uma grande amostra de positividade que era necessária para Megan Thee Stallion, e também comprova o porquê da rapper de Houston andar na cabeça das pessoas: está num ponto alto da sua carreira. Os seus “ah” são ouvidos em todas as músicas, é o seu som de marca, o que a distingue. De certeza que virão notícias ainda melhores para uma das artistas deste ano.

 

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