The Queen's Gambit: o jogo de Anya Taylor-Joy

A nova minissérie da Netflix, The Queen's Gambit, estreou a 23 de outubro. Em poucos dias, tornou-se uma das mais vistas na plataforma de streaming, trazendo ao ecrã o mundo fantástico do xadrez.  
 

The Queen's Gambit foi criada por Scott Frank e Allan Scott e é protagonizada por Anya Taylor-Joy (The Witch). O elenco também conta com Bill Camp (Joker), Thomas Brodie-Sangster (Love Actually), Moses Ingram, Harry Melling (Harry Potter), Marielle Heller (The Diary of a Teenage Girl), e muitos mais. A história é baseada no livro de Walter Tevis, editado em 1983, com o mesmo nome e fala sobre a personagem de Beth Harmon (Anya Taylor-Joy) que fica órfã aos oito anos, aqui interpretada por Isla Johnston, nos anos cinquenta. Acaba por ir parar a um orfanato onde começa a aprender a jogar xadrez com Mr. Shaibel (Bill Camp), o zelador do sítio. Rapidamente, ele apercebe-se que Beth é um prodígio do jogo e apresenta-se a um conhecido que a coloca a jogar na equipa de xadrez da escola onde trabalha. Mais tarde, Beth é adotada por Alma (Marielle Heller) e Allston Wheatley (Patrick Kennedy), o que lhe permite começar a sua aventura no mundo dos xeques-mates. Pelo meio, depara-se com obstáculos e problemas de adição de álcool e comprimidos. Contudo, é uma narrativa bonita sobre alguém alcançar os seus sonhos apesar dos seus problemas pessoais, e uma rapariga num meio dominado por homens.

Quem consegue tornar a minissérie realmente interessante é Anya Taylor-Joy com a sua representação magnética e inesquecível, ficando difícil imaginar outra atriz neste papel. A forma como entra na personagem de Beth Harmon é brilhante, pensada ao pormenor e impactante. As pequenas características que acrescentou a Beth desde o cabelo, passando pelas roupas e até às atitudes, que foram trazidas pela atriz, ajudam a enaltecer a história e a ganhar uma dimensão ainda maior. Talvez tenha sido uma das razões de ter sido a série mais vista na Netflix no dia 28 de outubro. O facto de conseguir interpretar uma rapariga de treze anos até aos vinte e dois, quando na vida real tem vinte e quatro, também mostra a sua versatilidade e a transformação que consegue fazer no ecrã. 

Outra coisa que consegue tornar os sete episódios aliciantes é como as cenas dos jogos de xadrez são filmadas. Mesmo para quem nunca tenha prestado muita atenção a esta atividade, é quase impossível não se ficar com curiosidade e até com vontade de se jogar, pelo menos, uma vez. Os planos intensos e aproximados das caras dos jogadores e os movimentos ponderados das mãos quando mudam uma peça no tabuleiro, inclusive quando Beth imagina e antecipa as jogadas na sua mente, transportam os espectadores para este universo incrível. Ao mesmo tempo, mostram as reações de cada personagem quando ganham ou perdem, dando mais ênfase a cada jogada.

Além dos dois aspetos anteriores, a cinematografia completa tudo. Os cenários retro em pastel com as influências de Hollywood dos anos sessenta puxam a narrativa ainda mais longe e ajudam a conjugar com o argumento na perfeição. As mudanças de cores cinzentas para tons mais quentes representam o estado de espírito de cada cena, e até isso foi pensado ao pormenor. Quando Beth está de luto (após perder a sua mãe biológica, perde a sua mãe adotiva e o seu mentor), a paleta de cores é mais escura e neutra, e nos momentos em que está bem, torna-se tudo mais acolhedor. Ainda mais, os figurinos demostram a confiança de Beth que vai sendo ganha ao longo da trama e repara-se que a maior parte da sua roupa é preta e branca, ou seja, a combinar com os sessenta e quatro quadrados e as peças deste jogo. Estes detalhes bem pensados e colocados são importantes para se criar o mundo atrativo presente na série. 

A Netflix lança cada vez mais séries, mas nem todas são boas e, às vezes, apenas caem em clichés. Porém, The Queen's Gambit não é o caso porque é uma das melhores que foi lançada este ano na plataforma. Anya Taylor-Joy é claramente a grande estrela que traz vida a Beth Harmon, uma personagem necessária de ter vida no ecrã, e o restante elenco juntamente com os detalhes conseguem fazer uma narrativa encantadora e refrescante.

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