EL ÚLTIMO TOUR DEL MUNDO de Bad Bunny: o camião do futuro

Bad Bunny decidiu lançar o seu terceiro álbum deste ano no dia 27 de novembro. EL ÚLTIMO TOUR DEL MUNDO é uma mistura de algumas das suas influências e conta apenas com três colaborações. 

A 20 de setembro, Bad Bunny colocou-se em cima de um camião para fazer um concerto móvel pelas ruas de New York. Cerca de dois meses depois, o artista lança o seu terceiro álbum deste ano intitulado EL ÚLTIMO TOUR DEL MUNDO e com a imagem de um camião na capa. O primeiro YHLQMDLG, editado a 29 de fevereiro, está repleto de hinos para o perreo – uma dança ao som do reggaeton. Apesar de ter chegado algumas semanas antes da quarentena, foi uma das bandas sonoras ideal para se dançar em casa. O único senão é que ainda não se teve a oportunidade de se ouvir esses temas num bar ou discoteca. Ainda durante o confinamento, fez um livestream no seu Instagram onde passou algumas músicas que nunca tinha lançado, e na semana seguinte, decidiu compila-las num álbum, LAS QUE NO IBAN A SALIR, com dez faixas. No mais recente, faz uma efusão com os mais variados influências musicais mostrando a sua versatilidade.

Bad Bunny cria um género dentro do seu próprio e resulta bem para ele. A prova disso é EL ÚLTIMO TOUR DEL MUNDO ser o primeiro álbum cantado apenas em espanhol no número um do top Billboard 200. O reggaeton pode ser a base das suas músicas só que, ao mesmo tempo, consegue conjugar rock, post-punk, hip-hop e até ao introduzir temas populares de Puerto Rico, a sua ilha natal, de uma forma natural e honesta. No fim de "Hablamos Mañana" com Duki e Pablo Chill-E, de YHLQMDLG, aventurou-se num momento rock. Em "YO VISTO ASÍ" e "LA DROGA" explora o emo rap com acordes de guitarra poderosos e versos de trapero por cima. Na colaboração com a artista norte-americana ABRA, "SORRY PAPI", experimenta com o synthwave. A última música é "CANTARES DE NAVIDAD" do grupo popular porto-riquenho Trio Vegabajeño para homenagear os clássicos.

 

No tão esperado dueto com Rosalía, ambos falam sobre uma noite inesquecível em "LA NOCHE DE ANOCHE" «Porque la noche de anoche fue/ Algo que yo no puedo explicar». Enquanto a artista espanhola usa a sua bela voz com sentimento, o artista canta o seu lado da história ao som de uma batida de reggaeton. Já "DÁKITI" foi o primeiro tema que Jhay Cortez e Bad Bunny criaram de raíz, pois já tinham colaborado em dois remixes de "No me Conoce" com J Balvin e "CÓMO SE SIENTE".

Com "YO COBRÉ" coloca a sua capa de trap falando de dinheiro e luxos «Fumando en la Gucci, nadie lo va a notar/ Estoy burla'o, me tienen que soportar». Contrariamente, em "MALDITA POBREZA" conta a história de querer comprar um Ferrari à sua namorada e também faz uma crítica ao sistema educacional no que toca aos recém-licenciados «Siete año' estudiando hasta que me gradué/ Pero no encuentro trabajo en eso que estudié».

O novo álbum é mais introspetivo e calmo, dentro dos possíveis, e junta diferentes inspirações de uma forma coesa refletindo o futurismo de Bad Bunny, onde os rótulos musicais não interessam desde que soem bem. Num ano em que os números de streaming baixaram durante algumas semanas, o artista porto-riquenho foi um dos que ultrapassou essa altura e acabou em grande não com um, mas com três álbuns.


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