Super Bock em Stock 2021 - Dia 1: um regresso tão esperado


Após a sua última edição em 2019, o Super Bock em Stock voltou à carga nos dias 19 e 20 de novembro, na Avenida da Liberdade. Tendo sido um dos poucos festivais, pelo menos em Lisboa, a regressar pós-pandemia e, ainda, com o uso de máscaras. O primeiro dia contou com um cancelamento do maior nome no cartaz, os Black Country, New Road, que foram substituídos por The Legendary Tigerman com os Iceage a transitarem para o dia seguinte. Apesar disso, ainda houve muitos concertos para ver com alguns estreias e, igualmente, regressos.

Este ano, a editora Cuca Monga fez curadorias, no Palácio da Independência, ao longo dos dois dias do festival e a primeira contou com Fernão Biu e Luís Montenegro. Durante o concerto, tocaram temas dos seus projetos, Zarco e Rapaz Ego, umas vezes mais em sintonia do que outras, mas a proporcionar momentos divertidos. Na canção "Liberdade" de Cuca Vida (2020), Guilherme Tomé Ribeiro (Salto e GPU Panic) e Diogo Rodrigues juntaram-se em palco para este fim de tarde com amigos. Um concerto calmo antes da correria que se seguiria.

  Curadoria Cuca Monga: Fernão Biu & Luís Montenegro @ Super Bock em Stock 2021

 

Na Casa do Alentejo, encontravam-se os Acácia Maior, o coletivo de músicos formado por Henrique Silva e Luís Firmino, que trouxeram os ritmos de Cabo Verde para as muitas pessoas que os queriam ver no festival. Com os convidados Débora Paris, Cachupa Psicadélica e Eliana Rosa deixaram fluir as suas influências cabo-verdianas com alguns elementos diferentes, como a guitarra elétrica. Desde a morna, passando por coladeira até ao funaná com uns toques de reggae e rock, os Acácia Maior mostraram porque são um dos projetos mais interessantes que surgiu nos últimos tempos ao fazerem um concerto repleto de animação e dança, tanto em palco como no público. A mistura que fazem entre música tradicional de Cabo Verde e géneros como o reggae e o rock resulta muito bem ao vivo, e os convidados ajudaram a tornar a festa ainda maior.

 

Acácia Maior @ Super Bock em Stock 2021 

À mesma hora, o Bloco Moche (Capitólio) começou a noite a abrir com o rapper português T-Rex. Com energia e a notar a sua presença de público, o rapper da Linha de Sintra esteve em palco durante 50 minutos a cantar músicas do seu mais recente EP, intitulado de Gota D’Espaço (2020). Músicas como “Tinoni”, que já conquistou platina, “Ar” e “Soft” fizeram parte desta setlist, assim como hits “Volta”, “Tempo” em parceria com o produtor FRANKIEONTHEGUITAR e com os rappers Lon3r Jonhy e Bispo, “R&bsr&b$” e “É Assim”. O artista, que este ano, conquistou o público português pelos vários hits deste mesmo EP, e que já esgotou dois concertos no Teatro Tivoli BBVA, continua a ser uma promessa no hip-hop tuga. Vai estar presente na nova edição do mega concerto “A História do Hip-Hop Tuga” no próximo ano na Altice Arena.

 

Num Coliseu cheio, Mundo Segundo & Sam The Kid subiram ao palco acompanhados pelo DJ Cruzfader e DJ Guze nos beats e scratch. Numa disputa entre Gaia e Chelas, os dois rappers trouxeram alguns dos seus greatest hits para o concerto. Sempre a completarem-se um ao outro e em sintonia, tanto a explodirem versos como nos gestos e a andarem no palco, fizeram uma espécie de best of não só das suas carreiras, mas da história do hip-hop nacional. Claro que o público reagiu bem e cantou tudo de uma ponta à outra. O alinhamento foi feito por músicas em conjunto de ambos, como, "Gaia Chelas", "Tu Não Sabes", "Também Faz Parte" e "Deixar de Ser", e, ao mesmo tempo, por temas de cada um, tais como, "Recado", a icónica "Poetas de Karaoke" (Sam The Kid), "Era Uma Vez" (Mundo Segundo). A apoiarem-se um ao outro, ambos mostraram porque são dois dos grandes nomes no hip-hop nacional com os temas clássicos que não só animaram a multidão como lhe trouxe nostalgia. No final, quem ganhou nesta batalha entre Gaia e Chelas? O público que assistiu a tudo.

 

Mundo Segundo & Sam The Kid @ Super Bock em Stock 2021 

Os Django Django finalmente regressaram a Portugal, após o concerto no NOS Alive em 2015, para uma plateia sedenta para dançar. A frenética "Spirals", do mais recente álbum Glowing in the Dark (2021), deu o mote para mais de uma hora de espetáculo da banda londrina, e mal entraram em palco reparou-se que estavam bastante entusiasmados por este regresso a Lisboa, inclusive o vocalista Vincent Neff usou uma t-shirt da seleção portuguesa. Aos poucos, foram aquecendo com algumas das suas músicas mais dançáveis, como, "Tic Tac Toe", "Glowing in the Dark", "In Your Beat" e "First Light". Também houve tempo para momentos com um toque mais country com "Waking Up", sem a voz de Charlotte Gainsbourg, e para a clássica "Default". Assim, conseguiram animar o público, mesmo o que se encontrava nas bancadas laterais com as interações que foram tendo ao longo do concerto, e com a sua mistura de géneros musicais. Ao mesmo tempo, foi aqui que se começou a sentir um maior regresso à normalidade, dentro possível atualmente, nos festivais que se assemelhou a 2019. 

 

Djangos Djangos @ Super Bock em Stock 2021 

Sendo uma das novas promessas do R&B e no hip-hop internacional, Lava La Rue surpreendeu o público português no seu concerto no Bloco Moche, no Capitólio. A artista, que também é membro da banda de hip-hop Nine8 Collective, cantou músicas como “G.O.Y.D.”, “Magpie” e “Angel” e esteve em palco durante mais de 50 minutos. A presença de palco da cantora era notória: o público entoava os refrães das músicas da artista e aplaudia bastante pelo seu concerto. A artista, de apenas 23 anos e originária de Londres, tem a sua própria gravadora, a “Lava La Rue Recordings”, e ainda possui algumas músicas com os Nine8 Collective, sendo que, mencionado anterioramente, é membro da banda, também ela originária dos subúrbios de Londres. Desta forma, revelou-se como uma boa surpresa e uma estreia em Portugal memorável.

 

Também de Londres, os Sports Team mostraram o lado mais rockeiro da cidade britânica na Sala Rádio SBSR.FM (Estação Ferroviária do Rossio). Antes de abrirem o concerto com a explosiva "Here It Comes Again", o vocalista Alex Rice teceu elogios à cerveja da Super Bock e críticas à da Sagres, o que deve ter cativado logo alguns fãs. No princípio, parecia que estavam "Going Soft" e mais contidos, mas rapidamente mostraram a energia punk-rock que era esperada deles e até cantaram "A Minha Casinha" dos Xutos & Pontapés o melhor que conseguiram. O vocalista foi ter com as pessoas que estavam nas primeiras filas algumas vezes e subiu para cima de uma coluna para cantar. As músicas "M5", "Long Hot Summer" e "Kutcher" fizeram as delícias dos seus fãs que retribuíram com mosh pits e aplausos. Apenas com um disco editado, Deep Down Happy (2020),  o grupo britânico já começa a ser um nome marcante em qualquer festival. O primeiro dia terminou com um DJ set de Rui Pregal da Cunha e Paulo Pedro Gonçalves no Coliseu dos Recreios. 

 

Sports Team @ Super Bock em Stock 2021
 
Texto: Pedro Miguel & Iris Cabaça
Fotografias: Iris Cabaça
Super Bock em Stock 2021 - Dia 1: um regresso tão esperado Super Bock em Stock 2021 - Dia 1: um regresso tão esperado Reviewed by Watch and Listen on novembro 24, 2021 Rating: 5

Slideshow