Entrevista à Colado | Watch and Listen!

Entrevista à Colado


No passado dia 17 de Outubro, fomos até ao Cais do Sodré para falar um bocado com o simpático e divertido Filipe Collaço, baterista dos Old Yellow Jack, sobre a sua nova aposta: a Colado. A Colado pretende ser uma agência de bandas e uma promotora de eventos. Está no ativo desde Setembro deste ano, e acreditamos que terá muito sucesso futuramente. Estivemos à conversa sobre a origem da Colado, sobre o interesse pela área e sobre os planos que o Filipe tem em mente para a sua agência. Fica abaixo, a entrevista na íntegra.

Watch&Listen: Como surgiu a ideia de criares a Colado?

Filipe Collaço: A ideia surgiu porque nos Old Yellow Jack, dos quais eu faço parte, há cerca de dois anos tivémos um manager. Ou uma tentativa de porque não correu bem. O Guilherme teve que o despedir e tudo. E depois ficámos temporariamente sem manager. Temporariamente, porque como já tínhamos tido um manager, não queríamos voltar atrás e não ter nada. Portanto, eu decidi tomar as rédeas. Comecei a ser eu o agente dos Old Yellow Jack. Atualmente não sou. Mas, depois conheci os Ganso e gostei muito deles ao vivo. Ouvi dizer que eles estavam a gravar um EP e então, ofereci-me para ser agente deles. E o Guilherme e o Miguel dos Old Yellow Jack estão prestes a formar uma banda, que são os NOOJ. Eles vão lançar um EP em Janeiro e também são uma das minhas bandas. E como já tinha mais que uma banda, decidi fazer uma estrutura mais organizada e trabalhar mais a sério nisto. E está a correr bem.

W&L: Como surgiu o teu interesse por esta área?

Filipe Collaço: O meu pai é gestor. E as duas coisas que eu sempre mais gostei de fazer são tocar e gerir. Gostei muito de gerir os Old Yellow Jack. Aliás, eu estou a tirar uma licenciatura em Gestão. E então, decidi juntar as duas coisas. E também por necessidade. Começou por necessidade, acima de tudo. Houve uma altura em que sentimos que ninguém nos queria agenciar, então decidimos que seríamos nós a levar isso para a frente. E na altura até resultou. Além disso é muito bom. Várias bandas têm as suas cenas familiares, e é muito do estilo "do it yourself". E além do mais, fica tudo em família. E na Colado sou eu que trato de tudo. Mas, imaginem que quero ver uma banda que pode ser fixe ou não para contratar... Eu confio no Guilherme, dos Old Yellow Jack, para me dar a opinião dele. Para design é o Henrique dos Old Yellow Jack. Portanto é mesmo uma cena de família.

W&L: Fala-nos um pouco mais sobre os objetivos que tens em mente para a Colado.

Filipe Collaço: Os Ganso vão lançar em breve o EP. Eu estou a fazer promoção em termos de media. E claro, tenho andando a marcar-lhes concertos. Ou seja, agenciamento normal. Mas isto vai ser mais potente em 2016, quando os NOOJ lançarem o EP deles. E aí vou ter toda a gente na estrada, sempre. E vai ser muito fixe. E mais tarde, gostava de fazer também eventos. Não necessariamente só das minhas bandas. Acho que era bom.


W&L: Pensas fazer isto a longo prazo?

Filipe Collaço: Sim. O que eu faço neste momento, que é tocar bateria e ter uma agência, é o meu trabalho de sonho. É o que eu quero fazer para sempre. Está a ser incrível. É mesmo isto que eu quero. Acordar todos os dias, e beber café e mandar mails, e depois ir ensaiar e dar concertos. É isto. Isto é a minha definição de vida ideal.

W&L: Já consideraste expandir a Colado futuramente, ou seja, meter mais pessoal a trabalhar contigo?

Filipe Collaço: Não. Eu costumo dizer que, se a minha vida correr da maneira mais ideal possível, o único trabalho de grupo que eu quero fazer são os Old Yellow Jack. Eu gosto muito de trabalhar sozinho. Gosto mesmo muito de trabalhar sozinho. Só mesmo as coisas que eu não consigo fazer, por exemplo a parte design... e claro, pedir uma opinião ocasional ao Guilherme, aí é que eu incluo pessoas. De resto, não.

W&L: E, para terminar. Qual é a tua opinião sobre o panorâma musical português atual?

Filipe Collaço: O panorâma musical português está muito forte. As bandas estão a brotar como cogumelos, e a qualidade está a ser muito boa. E isso é bom e mau. É bom porque enquanto ouvintes estamos ótimos, mas em termos de concorrência é mais desafiante. Mas isso também consegue ser bom porque incentiva mais. Estamos numa boa fase.



Texto: Alexzandra Souza
Fotografias: Iris Cabaça

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