Se Deus é astronauta, a Casa da Música foi o Universo | Watch and Listen!

Se Deus é astronauta, a Casa da Música foi o Universo


A viagem nostálgica dos irlandeses God is an Astronaut passou ontem pelo Porto, com uma sala quase cheia de fãs atentos e responsivos.

Passava pouco das 22h quando o palco foi, lentamente, preenchido. Torsten Kinsella, vocalista, foi o último a entrar, e trouxe consigo o início de uma viagem espacial que vamos demorar a esquecer. Começaram com Epitaph, música que dá nome ao último álbum da banda, e trouxeram à sala 2 da Casa da Música o calor e a proximidade que lhe faltava.

A projeção, que acompanhou o concerto todo, lembrou um céu estrelado e as luzes completaram o cenário que nos transportou para outra dimensão. No fim da segunda música houve espaço para falar com o público, e não faltou uma explicação para o significado deste novo álbum, que dizem ser o seu trabalho mais negro e pessoal. Em memória de um primo de sete anos, que morreu há 19 anos, Epitaph revela-se uma forma de luto que demorou demasiado a ser feito.

The End Of The Beginning deu início à passagem para os álbuns mais antigos, com direito às mais conhecidas All Is Violent, All Is Bright e Frozen Twillight. A setlist completa e variada navegou por vários álbuns e deu sempre a volta para dar foco ao mais recente.

A sonoridade etérea da banda, que vê uns vocais aqui e ali, encheu a sala com um poderosíssimo espírito capaz de hipnotizar todo o público. As cabeças em movimentos sintonizados acompanhavam a banda numa simbiose rara de se ver.



Nos espaços abertos para conversa, Torsten admitiu já não vir a Portugal há muito tempo: o último concerto deram-no há três anos, no Hard Club. Ainda assim, lembra-se de ter estado por cá há mais de uma década, quando subiram ao palco ao lado de Linda Martini. Suicide by Star surge para relembrar esse mesmo concerto, agora numa realidade mais madura.

Já a chegar à hora e meia, e num espaço mergulhado em nostalgia quase extraterrestrial, a banda de space-rock prepara-nos para a aterragem: um encore encenado, com um “agora vamos fingir que vamos sair do palco mas já voltamos”, e a viagem acabou com Helios | Erebus.

E depois de tanta volta, longe de estar cansados de um concerto capaz de nos transportar a lugares escondidos dentro de nós, God is an Astronaut provaram mais uma vez que o nome da banda faz todo o sentido.

Texto e fotos: Carolina Alves

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