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O NOS Primavera Sound realizou-se há quase duas semanas. Nos dias 6, 7 e 8 de junho o Parque da Cidade, no Porto, voltou-se a encher de música. Nomes como Rosalía, James Blake, Surma, Let's Eat Grandma e Big Thief passaram por lá.

Para recordar o festival, aqui ficam algumas fotos do ambiente.

Ambiente NOS Primavera Sound 2019

O terceiro e último dia do NOS Primavera Sound foi provavelmente o dia mais cheio deste ano. Com nomes como O TernoJorge Ben Jor, Yves Tumor ou Rosalía e o sol a mostrar-se brilhante, fechou assim mais uma edição.

Esta começou com um concerto dos Shellac à entrada do recinto. A banda atuou pela segunda vez nesta edição e aqui ainda mais perto dos seus fãs. A seguir e abrir o Palco Seat, estiveram os brasileiros O Terno, a banda de Tim Bernardes, Guilherme D'Almeida e Gabriel Basile. O trio veio apresentar o seu mais recente e maravilhoso disco <atrás/além>, editado no passado mês de abril, e trouxe o calor e o amor de São Paulo consigo. Um concerto simples, sereno e caloroso era o que fazia falta nesta tarde.

O Terno @ NOS Primavera Sound 2019

We're Hop Along from Philadelphia, Pennsylvania, United States. A banda americana abriu o Palco NOS. Não sendo visivelmente um dos favoritos do público, reuniu ainda assim alguns entusiastas e uns quantos curiosos que ocuparam tempo depois de O TernoFrances Quinlan é vocalista e guitarrista nos Hop Along e deu voz a temas como What The Writer Meant ou How Simple

Lucy Dacus regressou a Portugal, depois da sua passagem pelo Vodafone Paredes de Coura no ano passado, com o seu álbum Historian na bagagem. O seu ar tímido juntamente com as suas letras que podiam ser contos curtos e a sua voz doce são o que tornam as músicas da norte-americana tão especiais. Houve tempo para uma cover de La Vie en Rose e para pedir desculpa sobre o seu país, os Estados Unidos, por tudo o que anda a acontecer lá. Addictions, I Don't Wanna Be Funny Anymore e a nova My Mother and I fizeram parte do alinhamento do concerto.

Lucy Dacus @ NOS Primavera Sound 2019

O prémio de concerto mais explosivo do dia foi para Amyl and The Sniffers. A banda australiana liderada pela vocalista Amy Taylor, desde os primeiros segundos que entrou em palco mostrou que não está para brincadeiras. O grupo trouxe o espírito do punk, que talvez era esperado por alguns festivaleiros, com as suas músicas rápidas que entram por um ouvido e saem por outro. A presença de Amy Taylor em palco é potente e não consegue ficar nenhum minuto parada sem andar de um lado para o outro e aproximar-se mais do público, o que ajuda a elevar ainda mais o nível rockeiro das atuações da banda. Um espetáculo enérgico e cru de uma banda em crescimento que tem tudo para se tornar num grande fenómeno.

Amyl and The Sniffers @ NOS Primavera Sound 2019



Se o recinto foi pista de reggaeton na noite anterior, rapidamente se transformou em sambódromo no final da tarde. Se O Terno abriram suavemente as portas do Brasil, Jorge Ben Jor escancarou-as e fez o público dançar até mais não. Sempre com um sorriso de orelha a orelha, a banda arrancou com Jorge da Capadócia e a festa nunca mais parou. Até mesmo aqueles que não conheciam a carreira de Jorge Ben Jor, não ficaram calados a ouvir os êxitos Mas Que Nada ou País Tropical, acompanhando o cantor com palmas. No final, não deixou de agradecer ao público por ter estado a acompanhá-lo de forma tão maravilhosa e agradeceu a Deus pelas oportunidades que a vida lhe proporcionou. Foi uma rápida viagem ao Brasil, que deixou todos com o corpo leve e o sorriso na cara.

¡Madre mía, Rosalía, bajalé! A catalã Rosalía era um dos nomes mais esperados desta edição do NOS Primavera Sound, levando muita gente ao Parque da Cidade no último dia. A dez minutos da hora marcada para arranque do concerto, já se ouviam gritos dos fãs que repetiam La Rosalía e aguardavam impacientemente. O ecrã acendeu com uma sucessão da palavra Rosalía Rosalía subiu ao palco vestida de branco tal anjo caído do céu, acompanhada pelas suas bailarinas e por El Guincho, co-produtor do álbum El Mal Querer (2018). PIENSO EN TU MIRÁ foi o som de partida para um dos concertos mais surpreendentes desta edição. No palco, uma Rosalía cujos movimentos pareciam automaticamente interligados às batidas contagiantes de Como Ali ou Lo presiento. Um regresso às raízes de Los Ángeles (2017), primeiro álbum da artista, veio com Catalina, uma dos escolhas mais emocionais do alinhamento e que deixou arrepios nos braços, tal foi a segurança e intensidade do falsetto da catalã. Do alinhamento, fizeram parte duas colaborações que já tinham sido ouvidas no Parque da Cidade no dia anterior: Barefoot in the Park (com James Blake) e Con Altura e Brillo (com J Balvin), assim como outros temas do mais recente álbum: DI MI NOMBRE ou BAGDADRosalía desceu para perto do público duas vezes, uma das quais para pôr a primeira fila a cantar "olé olé" com ela, sempre dada a sorrisos e derretida pelos fãs. Não deixou de pedir "muito amor" para todos aqueles que a acompanhavam em palco. Os êxitos CON ALTURAMALAMENTE chegaram explosivos e ditaram o final de uma hora de concerto, que soube a pouco e deixou o público a gritar "outra, outra". Rosalía assume uma posição camaleónica, transformando-se do pop ao flamenco, da electrónica ao reggaeton.

Rosalía @ NOS Primavera Sound 2019

A melhor surpresa da noite foi para Yves Tumor, acompanhado pela sua banda. O projeto do músico e produtor Sean Bowie pode soar um pouco estranho na primeira audição, mas quando ouvido atentamente, tudo faz sentido. Quando entrou em palco, parecia escondido com as luzes azuis, mas mal se viu a sua figura alta com um casaco de cabedal, soube-se que seria um concerto imperdível. A presença hipnotizante de Yves Tumor é inigualável e impossível de se ficar indiferente. Os seus temas são música eletrónica experimental, mas depois entram ali riffs magistrais de guitarra que tornam tudo diferente e ainda melhor. Sendo uma das razões porque os seus concertos são tão únicos. Noid e Licking An Orchid são alguns dos temas que comprovaram isso. A mistura que Yves Tumor faz de eletrónica experimental com um rock sedutor é uma forma de olhar para o futuro, e ainda bem que nos deixou entrar na sua premonição.

Yves Tumor @ NOS Primavera Sound 2019

Já começa a ser tradição o Palco Pull&Bear, que no ano passado foi apelidado de Palco Pitchfork, encerrar com um gay icon: há um ano terminou com Arca, e nesta edição, a honra ficou a cargo de Mykki Blanco. O rapper, que mora em Lisboa, não tem papas na língua e tentou fazer um espetáculo inclusivo para todos, LGBT+ ou heterossexuais, e conseguiu. Primeiro, entrou um bailarino vestido de anjo a falar em português com o público, e a seguir chegou Blanco com um vestido branco a fazer um pouco de teatro onde parecia reservado. Alguns segundos depois, descontrolou-se, começou a saltar por todo o lado para cima dos adereços que tinha no palco e das colunas e desceu para perto das pessoas. Tendo passado grande parte do concerto a atuar no meio do público e chegar-se perto do mesmo. Este espetáculo foi uma espécie de residência artística juntamente com um DJ set, liderado pela DJ Lyzza, e um concerto. De vez em quando ouvia-se temas de Britney Spears e Charli XCX enquanto Mykki Blanco fazia versos por cima. Dito assim, parece que foi uma grande confusão e foi, mas bastante controlada fazendo todo o sentido. Foi a melhor forma de encerrar a noite neste palco. A festa só terminou com Nina Kraviz no Palco Primavera Bits.

Mykki Blanco @ NOS Primavera Sound 2019

O festival regressa no próximo ano, uns dias mais tarde: 11 a 13 de junho, já com a confirmação dos americanos Pavement. Corram, este é um dos dois únicos concertos da banda a nível mundial. De volta ao Parque da Cidade em 2020?

O segundo dia do NOS Primavera Sound trouxe o Sol e um recinto visivelmente mais cheio. Contou com nomes como Courtney Barnett, James Blake, JPEGMAFIA e J Balvin.

A Surma estreou-se no festival a abrir o Palco Seat. Ao vivo, costuma atuar sozinha, mas desta vez trouxe consigo um músico para tocar violoncelo e teclado, e bailarinos para fazerem dança performativa. Estas adições tornaram o espetáculo, que contou com uma boa afluência do público apesar de ser ao mesmo tempo que Profjam, ainda melhor. A cantora apresentou o seu disco de estreia Antwerpen, editado há dois anos, e deliciou os espectadores com com os seus temas experimentais que percorrem a eletrónica e o jazz.

Surma @ NOS Primavera Sound 2019


A Aldous Harding voltou a Portugal, após ter passado pelo Vodafone Mexefest agora Super Bock em Stock, para apresentar o seu mais recente álbum Designer, editado este ano. Com a sua estranheza e o seu folk encantou o público.

Aldous Harding @ NOS Primavera Sound 2019

Se o vosso plano ideal para o Mês do Orgulho LGBT passa por ver uma mulher lésbica com um domínio incrível da guitarra, chegaram ao sítio certo: Courtney Barnett veio em segundo lugar ao Palco NOS. A cantora não é de muitas palavras, fala através das letras e dos acordes da guitarra. Falou de amor com Need a Little Time e falou da dura realidade de ser mulher num tom feminista com Nameless, Faceless do álbum Tell Me How You Really Feel (2018). O eixo dos concertos de Courtney Barnett está na energia da guitarra, que agarra como se a sua vida dependesse disso. É uma força da natureza conduzida pelas vibrações das cordas. Terminou a tour europeia no Porto.

Courtney Barnett @ NOS Primavera Sound 2019

O nome mais controverso desta edição: o colombiano J Balvin veio invadir o Parque da Cidade com os ritmos do reggaeton. Muitos juravam a pés juntos que o recinto ia ficar vazio, mas viram a sua teoria cair por terra, não tivesse sido talvez o concerto mais cheio do festival até agora. A bandeira da Colombia já abanava nas mãos de um grupo à direita, um cartaz de cores fortes com tom de declaração de amor ("qué pena me daría no tenerte en mi vida, vida mia") era segurado bem alto por uma fã. Balvin subiu ao Palco NOS com Reggaeton para mostrar que o reggaeton está nas bocas do mundo. Um espectáculo carregado de efeitos visuais, completado por nuvens de traços humanizados ou cabeçudos inspirados em artistas como Bad Bunny ou Cardi B. O artista entrou em força com uma espécie de medley que combinou alguns dos seus temas mais conhecidos como Machika (um feat com Anitta) ou Contra La Pared (feat com Sean Paul). O concerto passou pelos maiores êxitos numa fase inicial, contribuindo para um pico de energia imediato e muita dança por todo o relvado. A oportunidade de ouvir todos os hits que fazem parte das soundtracks de verão de muita gente surgiu durante mais de metade do concerto: X, Mi Gente, Machika, Con Altura ou Downtown, que teve direito a uma lap dance. Algumas musicas menos conhecidas para o público não fizeram o cantor perder a energia: Sensualidad do álbum Vibras (2018) ou No Es Justo (uma colaboração com Bad Bunny e Prince Royce) foram cantadas pelos maiores conhecedores. Uma das surpresas da noite foi uma versão espanhola do funk Bum Bum Tam Tam (originalmente do MC Fioti). J Balvin dominou o palco e mostrou-se surpreendido e agradecido pelo envolvimento do público, que reagiu intensamente  durante o concerto todo. Desceu do palco e ainda tirou algumas selfies com os fãs da primeira fila. Terminou com Contra La Pared e deu voz à maior festa desta  edição.

J Balvin @ NOS Primavera Sound 2019

O Branko veio substituir a Kali Uchis, por esta ter cancelado, e honestamente deveria ter sido logo confirmado. O DJ e produtor trouxe a Enchufada na Zona de Lisboa para o Porto e meteu a enchente de pessoas que se encontrava no Palco Super Bock a dançar. As músicas do seu novo álbum Nosso, como, Sempre e Tudo Certo fizeram parte do alinhamento. Amours d'Été terminou o concerto da melhor forma. Apesar de ter sido uma substituição, Branko soube dar conta do recado e pertencia mesmo neste cartaz.

Branko @ NOS Primavera Sound 2019


James Blake veio acalmar os ânimos no Palco NOS. Sentado ao piano, trouxe Assume Form, que dá nome ao seu mais recente álbum, lançado este ano. A atmosfera dos concertos de James Blake aproxima-se de um celestial arrebatador, que faz sentir todas as emoções à flor da pele. O artista tem a capacidade de nos transportar para um estado de transe e não precisa de explicação. Os jogos de luz em conjunto com o piano e os sintetizadores tão depressa nos conduzem para um clube underground ou para uma sala com lareira. Além de Limit To Your Love, tocou músicas como Barefoot in the Park (uma colaboração com Rosalía, presente no terceiro dia do festival) e Are You In Love. Deixou o palco do Primavera com Missing Out e uma mensagem de resistência e apelo à saúde mental e à importância de pedir ajuda.

Apesar de ser ao mesmo tempo de James Blake, o Palco Pull&Bear encontrava-se cheio de pessoas ansiosas para verem a estreia de JPEGMAFIA em Portugal. Mal começou o concerto, ouviu-se e sentiu-se a energia poderosa do rapper com atitude punk. Falar de rapper e punk na mesma frase parece disparatado, mas a realidade é que JPEGMAFIA consegue fazer a mistura desses dois estilos, o que se nota mais ao vivo do que em estúdio. De um lado para o outro a gritar os seus versos e a atirar-se para o público a fazer crowdsurfing, fez tudo o que era esperado dele dando um concerto icónico que provavelmente nunca irá voltar a acontecer igual ou semelhante naquele palco. A meter os seus beats sozinho, num multi-tasking incrível, em pouco menos de uma hora comandou a plateia inteira desde a primeira até à última fila. A música Vengeance Vengeance, a colaboração com Denzel Curry e ZillaKami, deu início ao concerto. A seguir, Real Nega e Thug Tears contribuíram para a loucura que foi crescendo ao longo do espetáculo. How To Build A Relationship, o tema que fez com Flume, também entrou no alinhamento. Houve tempo para um freestyle, que é hábito fazer nos seus últimos concertos, e também para uma dedicação controversa para um músico polémico que ele odeia, Morrissey, com I Cannot Fucking Wait Until Morrissey Dies. Quase no final, mandou as pessoas baixarem-se e desceu do palco para cantar ao pé delas. No fim, notou-se que Peggy acabou o concerto feliz com a sua estreia no nosso país e não desapontou, como disse que o faria no princípio.

JPEGMAFIA @ NOS Primavera Sound 2019

SOPHIE fechou o Palco Pull and Bear com um DJ set.

Arrancou mais uma edição do NOS Primavera Sound, na cidade do Porto. Com muita chuva à mistura, os festivaleiros demoraram a ocupar o recinto, mas nada que uns ponchos oferecidos pela organização não tivessem tentado resolver. Apesar dos cancelamentos de última hora, nomeadamente da artista Ama Lou e da DJ Peggy Gou, o alinhamento do primeiro dia contou com nomes como Solange, Men I Trust, Danny Brown, Miya Folick e Dino d'Santiago


Nem a tempestade foi capaz de roubar os ritmos quentes a Dino d' Santiago. Poucos eram os resistentes à chuva que caiu na cidade invicta, mas o Palco Super Bock acolheu todos aqueles que fizeram questão de aproveitar cada minuto do festival. Um concerto que deu voz à nação criola e ritmo aos pés da música lusófona. Dino d' Santiago veio trazer-nos Mundu Nôbu, álbum que lançou o ano passado, e o transformou num dos artistas com maior destaque no espectro do afrohouse português. Para além de tocar Fidju Poilon ou Nova Lisboa, o caboverdiano fez com que a reviravolta chegasse em Como Seria. Esta fundiu-se com Nôs Funaná, através de uma transição que rumou à electrónica e intensificou as danças tímidas por parte do público. O artista pediu aproximação e desceu ao relvado. O pedido deu lugar a um círculo de corpos a abanar ao som de Nôs Funaná, o final do primeiro concerto do dia. Dino despediu-se, sem deixar de mencionar e agradecer o momento de união que se fez sentir e nos transformou numa família com um amor comum: a batida. Trouxe um pouco de Alfama e Cabo Verde ao Parque da Cidade, numa mistura entre a festa e a melancolia.

Dino D'Santiago @ NOS Primavera Sound 2019


Men I Trust vieram suavizar o Palco Super Bock. Emma Proulx, que já tínhamos mencionado neste artigo, é a voz que nos faz sentir abraçados por um conforto que só a música nos sabe dar. A banda canadiana traz uma das sonoridades mais aconchegantes desta edição, que se traduziu num concerto calmo, sem grandes mudanças inesperadas. Os fãs foram embalados pelo sussurro melódico que tão bem caracteriza a voz de Emma, associada ao indie dream electrónico dos canadianos. No Palco Super Bock, ouviram-se singles como I Hope to be Around (2017), Lauren (2016) ou Tailwhip (2017). O sol espreitou por entre as árvores, Emma sorriu e agradeceu aos fãs pelo amor daquele fim de tarde. See you sometime, Men I Trust.

Men I Trust @ NOS Primavera Sound 2019

A portuguesa Mai Kino abriu o Palco Seat às 19.45h, devido ao cancelamento de última hora de Ama Lou, e levou-nos numa viagem espiritual pela sua electro-pop sonhadora. No princípio, encontravam-se poucas pessoas no público, mas à medida que o tempo passava e após o final do espetáculo dos Men I Trust, começou-se a compor. Com os temas June, The Waves, Young Love e a sua voz doce e ritmos eletrónicos, encantou o público do festival.

Mai Kino @ NOS Primavera Sound 2019

O rapper Tomm¥ €a$h move-se pela estranheza, pelo rídiculo que agarra e molda para criar algo que custa delimitar e definir. Tomm¥ €a$h  é só Tommy Cash e faz o que faz sem justificações concretas. Vindo da Estónia para o Mundo, Tommy já tinha passado pelo Musicbox em Lisboa e pelo Passos Manuel no Porto, em 2016. Três anos se passaram e voltou para agitar o Palco Super Bock. Do público, ouvia-se Tommy! Tommy! Tommy! a um ritmo quase tão rápido como as imagens projectadas, que passavam sucessivamente e mostravam o mundo gráfico do artista. A sonoridade de Tomm¥ €a$h  é completada por um inglês com sombras da pronúncia do leste europeu e os sons do trap, do trance e do hip-hop. Os singles PUSSY MONEY WEED e Little Molly ou X-RAY do álbum ¥€$ (2018) fizeram parte do reportório trazido para o Parque da Cidade.

Tommy Cash @ NOS Primavera Sound 2019

Não são irmãs, mas parecem-no. Rosa Walton e Jenny Hollingworth são as Let's Eat Grandma e estiveram no Palco Pull and Bear a mostrar todo o seu girl power explosivo. O pop experimental do duo é quase magnetizante e o público consegue sentir uma conexão imediata com as britânicas, que fazem do seu concerto um jogo entre o equilíbrio e o desequilíbrio, o branco e o preto, o bom e o mau. Sempre de sorrisos e com danças descoordenadas, estas mulheres trouxeram a sua energia empoderadora através de músicas como Falling Into Me ou Cool & Collected do álbum I'm All Ears (2018). Um concerto que mostrou que basta uma boa bateria, duas boas vozes e uns bons sintetizadores, sem grandes acessórios além. Os singles It’s Not Just Me e Hot Pink foram dois dos momentos mais intensos do concerto. A produção destas músicas mais agitadas esteve ao cargo de SOPHIE, que ocupa o mesmo palco na madrugada do segundo dia do festival.

Let's Eat Grandma @ NOS Primavera Sound 2019

A Miya Folick tem tudo para ser a pop star ideal: a atitude, o encanto, a voz e as músicas e foi isso que veio mostrar ontem no Palco Pull & Bear. A americana apresentou o seu disco de estreia, Premonoitions, editado no ano passado. As músicas Cost Your Love, Stock Image e Dead Body fizeram parte do alinhamento. A maior surpresa foi quando fez uma cover de "Nothing Compares 2 U" de Sinéad O'Connor, o que deixou o público em êxtase. Apesar deste estatuto pop, de vez em quando também caminha até ao rock com músicas mais dentro desse estilo e a puxar mais pela sua voz. Asssim, foi uma estreia boa de assistir. 

Miya Folick @ NOS Primavera Sound 2019

O canadiano MorMor foi outra estreia em Portugal. Ainda só com dois EPs, Heaven's Only Wishful (2018) e Some Place Else (2018), foi a altura ideal para vir atuar no nosso país porque é provável que daqui a algum tempo se torne num grande nome. O horário perfeito para este concerto teria sido ao pôr-do-sol porque as suas canções moody, profundas e calorosas puxam pela golden hour que só o Primavera sabe trazer. Mesmo assim, a sua voz grave misturada com um falsetto marcante assentou perfeitamente bem no festival. A meio começou a chover, o que contribuiu para tornar os seus temas ainda mais bonitos.

MorMor @ NOS Primavera Sound 2019

Danny Brown trouxe um pouco da história do hip-hop consigo para o Palco NOS. O rapper conta com 5 álbuns editados e mais de 10 anos de carreira. Abriu o concerto com Rolling Stone para animar o público. A realidade é que o seu flow único não é para todos, mas aqueles que gostam gritaram as letras das músicas e começaram um mosh. Inclusive, miúdos e graúdos sabiam as tudo de cor e é assim que um artista com tanta história deve conseguir concretizar na sua carreira. Apenas com um DJ atrás de si e a correr de um lado para o outro em palco, realizou os desejos dos seus fãs.  

O nome mais esperado do primeiro dia do NOS Primavera Sound era a mítica Solange. Um palco NOS visivelmente mais completo, quer a nível de stage, quer a nível do público, aguardava o começo daquele que veio a ser o concerto da noite por unanimidade. Solange transformou um concerto de uma hora numa ode ao black power e à feminilidade. A cumplicidade entre Solange e os seus companheiros de palco, quer nos instrumentos, quer na dança e na perfomance, demonstrou o porquê das altas expectativas em relação à sua presença no palco e a maneira como estas corresponderam à realidade. Uma equipa constituída por artistas negros reforçou o impacto e o talento, a resiliência daqueles que são muitas vezes estereotipados como material apenas para o hip-hop: a coordenação de movimentos foi irreal. Um dos momentos mais sensuais da noite veio com Way To The Show, que também levou o público ao rubro. O público cantou em uníssono F.U.B.U., Don't Touch My Hair e Almeda, incentivado pela artista, que passou o concerto na íntegra a sorrir para os fãs e a falar com eles. Com agudos capazes de impressionar qualquer um e fazer cair muitas bocas, Solange prova que é uma das melhores vozes dos palcos da atualidade. O seu mais recente álbum, When I Get Home, saiu este ano e foi considerado, para muitos, já um dos melhores de 2019. Tirou mesmo um momento para agradecer, falando dos tempos que passou na igreja e na forma como a fé a move e como move o mundo, independentemente dos contornos que esta possa assumir para cada um. Soube a limpeza da alma, quase como renascer. Até mesmo quando o granizo ameaçou desertar o recinto.

Mesmo com vários cancelamentos e um recinto visivelmente mais vazio, repleto de fugidos à chuva, o primeiro dia arrancou em força.

Texto: Carina Soares e Iris Cabaça
Fotografia: Iris Cabaça



Nos dias 24 e 25 de maio, os D'Alva celebraram 5 anos do lançamento do seu primeiro álbum #batequebate, no Porto e em Lisboa respetivamente. Assim, o Musicbox recebeu esta festa explosiva que marcou o regresso da banda à capital.

O grupo voltou ao Musicbox, onde atuou várias vezes, e tocou temas antigos do disco de estreia, o que era esperado, e estrearam algumas músicas novas ao vivo do segundo trabalho, Maus Êxitos. Frescobol, L.L.S., Mulher Versão e A Carta fizeram parte do alinhamento. Além disso, também fizeram uma cover juntamente com Ana Cláudia, que deu voz a Inércia no Festival da Canção deste ano, do tema "Água Fresca" de Dina como homenagem à cantora. E ainda, um pequeno verso da canção Telemóveis de Conan Osiris que Alex D'Alva Teixeira cantou.

Este regresso dos D'Alva a Lisboa foi bastante marcante para quem não os via há algum tempo, o que se notou na animação do público, e foi como se não tivessem passado tantos meses sem atuarem lá. A festa destes 5 anos foi feita com os melhores maus êxitos da banda onde se viu uma evolução notória que todos os seus concertos trazem.

Agora só se pode esperar mais festas de aniversário destas e muitos mais concertos dos D'Alva. E sim, Lisboa fez mesmo barulho.

D'Alva @ Musicbox

Os horários do NOS Primavera Sound deste ano já estão disponíveis. O festival volta ao Parque da Cidade no Porto de 6 a 8 de junho. 

Desta forma, os primeiros concertos começam às 17h e prolongam-se até ao final da noite. Fiquem a saber a que horas são as atuações para fazerem a vossa agenda. 

Os passes gerais e bilhetes diários para o festival encontram-se à venda nos locais habituais, sendo que, os passes custam 117€ e os bilhetes para cada dia 56€.


O disco de estreia dos D'Alva, #batequebate, celebra 5 anos desde o seu lançamento. A festa começa a 24 de maio no Maus Hábitos, no Porto, e termina a 25 de maio no Musicbox, em Lisboa.

Quando #batequebate foi editado em 2014, demorou pouco tempo para que os D'Alva se tornassem a próxima banda a seguir e que o álbum fosse apelidado um dos trabalhos mais frescos no panorama da música nacional desse ano. O que originou em muitos concertos espalhados pelo país nos anos seguintes. Claro que, com a atenção recebida, algum tempo depois já se esperava um segundo longa-duração, e chegou finalmente em 2018.

Ao longo destes 4 anos, tocaram bastante, incluindo no NOS Alive e no Super Bock Super Rock, trabalharam para outros artistas nacionais e cresceram, pessoal e musicalmente. Assim, o segundo álbum, Maus Êxitos, resultou num trabalho muito mais maturo do grupo, tanto a nível lírico como a nível de produção. Ainda continua com a sonoridade característica dos D'Alva, mas a um nível muito mais elevado. 

Para celebrar o aniversário do #batequebate, a banda sobe até ao Maus Hábitos e desce até ao Musicbox para recordar as pessoas de temas mais antigos e, ao mesmo tempo, apresentarem os mais recentes. Os bilhetes para ambos os concertos são 5€.