Watch and Listen!

O Super Bock Super Rock deste ano começa mais cedo. A 17 de julho, a curadoria da Discotexas inaugura a 25ª edição do festival com atuações de Moullinex, Xinobi, DJ Vibe, Da Chick, MEERA e Oma Nata. O festival regressa ao Meco, na Herdade do Cabeço da Flauta, nos dias 18, 19 e 20 de julho.

A editora Discotexas foi criada em 2007 por Moullinex e Xinobi e, durante os últimos anos, levou os seus artistas a festivais internacionais. Em julho, será a vez de dar as boas-vindas ao Super Bock Super Rock.

A festa será para os portadores do passe 3 dias para o festival, e contará com concertos de Da Chick, MEERA e Oma Nata, e, ainda, DJ sets de Moullinex, Xinobi e DJ Vibe.

O passe geral e os bilhetes diários encontram-se à venda nos locais habituais. O passe para os 3 dias custa 110€ e os bilhete diários para dia 19 e 20 de julho (dia 18 encontram-se esgotados) têm o custo de 60€.


Nomes confirmados até ao momento:

17 de julho, Warm-up SBSR (passe 3 dias)
Curadoria Discotexas com Moullinex (DJ Set), Xinobi (DJ Set), DJ Vibe (DJ Set); Da Chick (live); MEERA (live); Oma Nata (live)

18 de julho
Palco Super Bock – Lana Del Rey, The 1975, Jungle, Cat Power
Palco EDP –  Metronomy, Branko, Dino D’Santiago, Glockenwise
Palco Somersby –   Conan Osíris,  Roosevelt
Palco LG by Rádio SBSR -  Sallim

19 de julho
Palco Super Bock – Phoenix, Kaytranada, Christine and the Queens, Shame
Palco EDP –  Charlotte Gainsbourg, Calexico and Iron & Wine, FKJ,Conjunto Corona
Palco Somersby –  Ezra Collective
Palco LG by Rádio SBSR –  Galgo

20 de julho
Palco Super Bock – Migos, Disclosure DJ Set, Janelle Monáe, Profjam
Palco EDP –  Gorgon City, Masego, Superorganism, Rubel



A artista neozelandesa Kimbra estreou-se em Portugal a 7 de março, no LAV - Lisboa Ao Vivo. O concerto fez parte da tour An intimate, reimagined evening que percorreu alguns países na Europa. A primeira parte ficou a cargo de School of X.

School of X atuou antes de Kimbra acompanhado por MAlthe McBeck no teclado e saxofone. O dinamarquês Rasmus Littauer trouxe versões mais despidas das suas músicas synth-pop. O que ficou bem para o que viria a seguir.

School of X @ Lisboa ao Vivo

Com três álbuns, dois EPs e um sucesso comercial em 2011 (Somebody That I Used To Know com Gotye), Kimbra demorou cerca de oito anos a dar um concerto em Portugal. Apesar de ter sido tanto tempo, valeu a espera e agora só se pode aguardar que volte. A sala não foi ocupada na sua totalidade, infelizmente, mas, assim, permitiu criar-se um ambiente bastante intimista, que era exatamente o que esta "an intimate, reimagined evening" pedia.

The Magic Hour deu início ao espetáculo de uma hora que encantou o público do primeiro momento até ao último. Jacob Bergson (teclas) e Spencer Zahn (contrabaixo) fizeram-lhe companhia em palco. Porém, o grande instrumento foi mesmo a voz da neozelandesa. A forma maravilhosa como controlava a voz passando dos momentos calmos para os mais poderosos e, inclusive, quando não cantava para o microfone e, mesmo assim, se ouvia tudo, foi verdadeiramente especial. A seguir, entregou-se a mais alguns temas, como, Plain Gold Ring (cover de Nina Simone), The Good War e Everybody Knows. As músicas do seu último disco, Primal Heart (2018), predominaram o alinhamento, mas também houve tempo para algumas mais antigas, tais como, Waltz Me To The Grave, Old Flame e Rescue Him. Os fãs sabiam as letras de cor e cantaram quase em coro com a artista.

Por ser a sua estreia no nosso país, veio com os trunfos todos na manga, por isso, falou em português com o público, bebeu vinho nacional e interagiu bastante com as pessoas presentes. Pois, cantava e sorria a olhar para elas e ficava mesmo perto das que se encontravam nas primeiras filas.

O final parecia vir com Version of Me, mas após vários gritos e aplausos para voltar ao palco, terminou com Cameo Lover. Pela reação das pessoas até podia ter cantado muito mais. Contudo, foi uma estreia marcante que serviu para se apreciar o talento de Kimbra, e podia muito bem regressar a um festival nacional.

Kimbra @ Lisboa ao Vivo

Não, eles afinal não tinham os dias contados! Os Capitão Fausto acabam de chegar com a Invenção do Dia Claro.

Os Capitão Fausto voltaram, após três anos de terem lançado Capitão Fausto têm os dias contados. Felizmente, por agora, pode dizer-se que continuam em boa forma e parece que esta é mais uma fase de uma boa longa vida; para além disso, parece que todos eles já saíram de “debaixo das saias da mãe”. 

Agora, com A Invenção do Dia Claro, os cinco rapazes lisboetas continuam a crescer; o seu som torna-se mais refinado e já não são os putos de Gazela (2011). Não há novas apostas, como as que tínhamos escutado cada vez que os Capitão Fausto lançavam um álbum novo, mas vê-se que se tornou tudo mais refinado relativamente ao Capitão Fausto têm os dias contados.

Podemos dizer que esta foi uma grande aposta, visto que, já desde 2017 que temos assistido a todo um processo de gravações que atravessou o Atlântico. Certamente, após termos ouvido o álbum, todo o trabalho compensou. 

Hoje, chega-nos então um novo disco composto por oito canções, sendo que já conhecemos três delas – Sempre Bem, Amor, a nossa vida e Faço as vontades. Todas as três pareceram satisfazer o ouvido dos fãs e cumprir com a expectativas. 

O álbum abre com Certeza, uma faixa forte com uma letra bem à moda dos Dias Contados: “e se eu ouvir o coração quando ele falar e me disser que eu já não ‘tou capaz e prosseguir sem tropeçar no teu perdão” e este é só um exemplo. Certeza vai fazer sem dúvida bater o pé até ao mais cético. De seguida, cheia de ritmo , toda “gingona” vem Boa Memória, que transparece uma parte mais sábia dos Capitão Fausto.

Para acalmar um pouco os ânimos, vem Outro lado. Podemos ver que a banda conta com mais músicas melancólicas, como foi a surpresa de Alvalade chama por mim no álbum anterior. Tudo volta a ficar mais arrebitado com Sempre bem, single de estreia para este disco. Após esta, vem Amor, a nossa vida, uma aposta dos Capitão Fausto nas baladas. Depois, vem mais outra conhecida de todos: Faço as vontades

O registo continua alegre com Lentamente, que tem certamente um cheirinho a Brasil que nos chama logo à atenção. Uma canção cheia de vida e cor, como São Paulo, sem dúvida.

E chega então o Final, quem nos dá um fecho poderoso: “se eu não ficar contigo é tudo em vão”. Em suma, é bom tê-los de volta.



Texto: Catarina Amado

Approachable Members of Your Local Community, the indie-pop collective that keeps challenging the typical indie brand whilst staying safe and approachable


If you’ve recently walked into an H&M, you will have most certainly shazamed one of their songs. The six Aussies, Joshua Blashki, Maxwell Korman, Samuel Korman, Nicholas Gerstel, Ethan Kravietz and Michael Fisher released their debut EP If there's anything you need, please don't hesitate to contact us earlier in 2018. Their second single, Semiotic Vision, was added to the "H&M In Store Playlist" which brought a lot of attention to the song’s music video and later resulted in 276,000 plays on Spotify.

Even though their aesthetic of colour-coordinated, pastel, all-adidas outfits can cause some giggles, the message they convey is extremely important. In an interview with Pilerats, the Approachable Members explain how they are very much aware of the amount of space white cis men are afforded and take up in the music industry and we need to be attentive to our role in that structure.” With songs like Millennium Queen, the band intends to give the LGBTQ+ community a platform where they can express themselves, and bring more exposure to topics such as transgender acceptance and heteronormativity.




Last Friday, following their extremely successful October single Only Friend featuring Tamara Dream, the band released yet another groovy record out of everyone's indie-pop dreamsIf you know the Approachable Members, you known their signature synth sound, soft guitars and catchy choruses, now, combine that with Heaps Good Friends' quirkiness and insanely contagious rhythms and what you get is their cosmical new single, One I need.

Approachable Members of Your Local Community are going on tour, so if you find yourself in Australia during the month of April, get yourself some tickets and enjoy what will probably be the safest, most wholesome time of your life.



Photos: Giulia McGauran


____________________


(PT)

Approachable Members of Your Local Community, o coletivo indie-pop que continua a desafiar a típica banda indie, permanecendo safe e approachable.


Se entraste recentemente numa H&M, certamente fizeste shazam a uma das suas músicas. Os seis australianos, Joshua Blashki, Maxwell Korman, Samuel Korman, Nicolas Gerstel, Ethan Kravietz e Michael Fisher lançaram seu primeiro EP If there's anything you need, please don't hesitate to contact us no início de 2018, e o seu segundo single, Semiotic Vision, foi adicionado à "H&M In Store Playlist". Isto virou todas as atenções para o videoclipe da música e, mais tarde, resultou em 276.000 plays no Spotify.

Mesmo que a estética das roupas em cores coordenadas e Adidas-pastel da cabeça aos pés possa causar algumas gargalhadas, a mensagem que a banda transmite é extremamente importante. Numa entrevista com a Pilerats, os Approachable Members explicam como são “muito conscientes da quantidade de espaço que os homens cis brancos são capazes de absorver e ocupar na indústria da música e precisamos de estar atentos ao nosso papel nessa estrutura”. Com músicas como Millennium Queen, a banda pretende dar à comunidade LGBTQ + uma plataforma onde se possa expressar, e trazer mais exposição a temas como aceitação transgênero e heteronormatividade.

Na última sexta-feira, após o sucesso do seu single de Outubro, Only Friend feat. Tamara Dream, a banda lançou, mais uma vez, uma música dos sonhos de todos os ouvintes de indie-pop. Conhecer Approachable Members é distinguir o típico sintetizador, guitarras suaves e refrões cativantes; então, agora, combinemo-lo com a estranheza e ritmos contagiantes dos Heaps Good Friends e o resultado é o novo single cósmico, One I Need.

Approachable Members of Your Local Community vão iniciar a sua tour no mês de Abril. Se por alguma razão estiveres na Austrália durante esse mês, compra bilhetes para aquela que, provavelmente, será a noite mais genuína da tua vida.


Sam The Kid junta-se ao cartaz da 11ª edição do Sumol Summer Fest. O rapper vai trazer Chelas à Ericeira, no dia 5 de julho. O espectáculo exclusivo irá durar cerca de 1h30 e contará com a colaboração dos envolvidos em Mechelas, álbum lançado em outubro de 2018. 
Mechelas conta com a participação de nomes do hip hop português, nomeadamente Bispo, Blasph, Bob da Rage Sense, Boss AC, Classe Crua (Bware Jack), Daddy-o-Pop, Ferry, Francis Dale, GROGNation (confirmados também no festival a 6 de julho), Karlon Krioulo, Lancelot, Maze, Muleca XIII, Nameless, Phoenix RDC, Sir Scratch e Zuka.

Ao Watch and Listen, o rapper disse que o espectáculo vai basear-se no seu mundo, no viver Chelas, numa junção intimista entre música e arte cénica. Disse ainda que será uma maneira de dar a conhecer ao público mais artistas que "não teriam oportunidade de pisar palcos com esta dimensão". O artista diz sentir-se "grato por ser relevante para as várias gerações" e destaca a importância de "ter o knowledge do que se passou lá atrás e dar a conhecer o que se passa agora".

Ainda no primeiro dia do festival, estão confirmados no Palco Sumol o rapper americano Young Thug, a dupla de R&B THEY., e o português Kappa Jotta. No Palco Quiksilver, a street art vai juntar-se à música, com a curadoria ForteNorte by Maze. Os protagonistas do primeiro dia de ForteNorte são Monster Jinx, SlimCutz, E.A.R.L., Puro L, na música, e Laro Lagosta, na street art.


A 6 de julho, segundo dia do festival, estão confirmados no Palco Sumol a boyband americana Brockhampton, um dos nomes mais pedidos pelo público, e os portugueses Holly Hood e GROGNation. No Palco Quiksilver, XXIII: Torres e Noia e Cálculo, na música, e Oker, na street art.


Na conferência de imprensa, Luís Montez, da organização, disse que esperam esgotar os bilhetes para o festival. Até 5 de junho, os bilhetes diários custam 32 euros e os passes de 2 dias custam 40 e 50 euros (com ou sem camping, respetivamente).





Janeiro marcou três datas para apresentar o seu disco de estreia, ‘Frag.men.tos’, de uma forma especial – sendo que não foi apenas um concerto. No dia 28 de fevereiro, foi a vez de tocar em Lisboa – no Mercado Time Out - e contou com vários convidados.

Meia-hora antes das portas abrirem, já estava formada uma longa fila de pessoas à espera de assistir aquilo que se tinha dito ser um mix entre concerto, teatro e cinema. Quando tudo assentou e parecia que todos já tinham entrado podia-se ver que a sala estava lotada e, de certeza, que ninguém poderia imaginar o que ali se iria passar. No palco, estavam dispostas várias plantas por todo o lado, umas televisões e os instrumentos... pode parecer uma combinação estranha, sendo que parecia que um jardim tinha surgido ali na sala. 

O concerto começou - sem um “boa noite, Lisboa” ou qualquer saudação do género - o que pareceu estranho, mas tudo faria sentido uns momentos mais tardes. Durante o concerto, pelo palco, andavam várias câmaras que iam transmitindo as imagens nos ecrãs por detrás de Henrique Janeiro. Tudo estava feito para recriar uma espécie de ensaio, sendo que a meio do concerto o próprio Janeiro parte a “quarta parede”, dizendo para os amigos que estava um mar de gente a assistir; contudo, um dos amigos em palco – um ator – gozava sempre dizendo que ninguém iria pagar para ver um ensaio do músico. Este amigo teve um papel muito interessante durante toda a atuação, dando muitas vezes uma espécie de contexto antes de uma música; por exemplo, antes de Janeiro começar a tocar ‘Horas’, o amigo começou a dizer: “andas sempre a dizer que estás com pressa”, “vives à noite” ... coisas referentes ao tempo. O mais giro foi mesmo, depois de acabarem de tocar esta canção, quando o amigo chegou com um relógio e um martelo e “partiu o tempo”; quantos de nós já não desejaram isto?

O público alinhou sempre na brincadeira e estava bem animado, mas a cantoria e a dança ficaram mais vivas quando Janeiro tocou canções como ‘Contas no Estrangeiro’, ‘Toma Coisas Para Viver’, ‘Teu Ar Ruim’ e - principalmente – em ‘Canção Para Ti’. 

Para além do belo repertório da obra de Janeiro, o cantor recebeu em palco alguns convidados, como por exemplo Carolina Deslandes, Tainá Mota, Pedro Dias e Benjamim. Quando este último chegou ao palco, sorrateiramente após Janeiro ter cantado com Deslandes, foi de facto um dos momentos altos da noite. Benjamim tocou com Janeiro o seu tema ‘Terra Firme’, sendo que maior parte dos presentes na sala tinha a letra bem presente na ponta da língua. 

Entretanto, Janeiro acabou por se fartar da situação em que estava e quis provar que de facto estavam pessoas a assistir ao seu concerto, não sendo um “ensaio” normal, e é aí que pega num martelo e “desfaz” a parede que separava o palco da plateia. A partir desse momento, a interação com o público foi espantosa, levando toda a gente em palco a saltar sem parar no final de ‘Canção para Ti’ – sendo que na maior parte das vezes Henrique nem precisou de cantar, pois o pública fazia-o por ele. 

No final, o concerto teve um fecho que deixou muitos um pouco intrigados: toda a gente em palco “desligou-se”, acabando deitada no chão até que tudo abandonasse a sala. 

Assim foi a experiência para a qual nos convidou Janeiro: divertida, intrigante e cheia de música bonita.


Janeiro @ Estúdio Time Out

Texto: Catarina Amado
Fotos: Iris Cabaça

O norte-americano Gus Dapperton esteve no Capitólio, em Lisboa, a 19 de fevereiro. O artista ficou longe de fazer ocupar a lotação da sala, mas não deixou de conquistar o público através da atmosfera sonhadora que tão bem caracteriza a sua música.

Ainda sem um álbum de estreia, apresentou o seu trabalho constituído por singles e EPs, publicados desde 2016. É sempre confortável ouvir música com a qual já estamos familiarizados, mas torna-se mais interessante ver um artista cuja carreira está no princípio. Deixar a sala com a sensação de pouco ter ficado por ouvir e com expectativas altas para o que virá a seguir.

Gus Dapperton @ Capitólio

Gus Dapperton @ Capitólio

Aos 21 anos, Gus Dapperton dá a voz por um dream pop carregado de texturas distintas e faz-nos dançar lentamente com as influências disfarçadas do R&B. A sua voz funde-se entre a melancolia e a euforia, resultando num espectáculo com picos de energia, influenciados pelo uso de sintetizadores típicos dos anos 80, entrelaçados com a vontade de parar o mundo e senti-lo de olhos bem fechados. Nem só do vocalista se faz uma banda e Gus não é o único membro talentoso dos Dapperton: a irmã mais nova assegurou grande parte da energia do espectáculo, com as mãos assentes nas teclas e a voz angelical a complementar temas como Gum, Tole and Sole. E a pisar o palco como se dançasse com o vento.

Gus Dapperton @ Capitólio

A setlist não se estendeu além dos 40 minutos, com destaque para I'm Just Snacking do EP Yellow and Such (2017), Prune, You Talk Funny do EP You Think You're A Comic! (2018) ou singles como World Class Cinema (2018) ou My Favorite Fish (2019), tema lançado em fevereiro.

O álbum de estreia Where Polly People Go To Read chega a 19 de abril, através da editora AWAL.

Gus Dapperton @ Capitólio