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O segundo dia do Super Bock Super Rock foi um pouco mais calmo do que o primeiro e trouxe boas surpresas. Um line-up mais virado para o rock, eletrónica e pop fez jus ao cartaz coeso deste ano. Também foi um dia que contou com vários artistas vindos de França.

Os Fugly abriram o Palco LG by Rádio SBSR.fm neste segundo dia. A banda do Porto desceu até à Margem Sul para mostrar o seu punk-rock. Pedro Feio (guitarra e voz), Rafael Silver (baixo), Nuno Loureiro (guitarra) e Ricardo Brito (baterista que também toca com os The Parkinsons) explodiram este palco pequeno e fizeram o público suar ainda mais com as suas músicas do álbum Millennial Shit. Foram os primeiros a levantar pó com os moshes e crowdsurfing que as pessoas começaram a fazer. Os seus temas rápidos resultam bem em ambientes destes, e as reações falam por si mesmas.

Fugly @ Super Bock Super Rock 2019

Para quem está sempre a dizer que falta rock num festival que tem essa palavra no nome, depois de Fugly vieram os Shame com o verdadeiro espírito rock'n'roll a abrirem o Palco Super Bock. Como o vocalista Charlie Steen disse durante o concerto, o grupo do sul de Londres atuou três vezes em Portugal apenas com um álbum, Songs of Praise (2018), e percebeu-se o porquê. A energia que têm em palco é contagiante, e, apesar de terem atuado para poucas pessoas que estavam junto ao palco, conseguiram dar bem a volta e rapidamente se esqueceu esse aspeto. Os cinco rapazes transpiram punk por todos os lados e não conseguem ficar quietos. A certo momento, Charlie Steen foi ter com o público e atirou-se para cima e faz crowdsurfing, o que o deixou com um sorriso estampado na cara. Nota-se que se divertem em palco ao mesmo tempo que são sérios são as suas músicas. Além dos temas do primeiro disco, estrearam um novo, Exhaler, que deverá fazer parte do novo trabalho. De certeza que virão a Portugal muitas mais vezes.  

Shame @ Super Bock Super Rock 2019

A melhor surpresa desta noite foi, sem dúvida alguma, a estreia de Christine and The Queens em Portugal. Num dia repleto de nomes franceses no cartaz, Heloise Letissier foi a primeira a pisar o palco principal. Começou com Comme Si e foi alternando entre músicas dos seus dois álbuns, Chaleur Humaine (2016) e Chris (2018), cantando tanto em francês como em inglês. Também não se encontravam muitos espectadores no princípio do concerto por ter apanhado o concerto dos Capitão Fausto, que encheram o Palco EDP, mas no final chegaram mais pessoas, e a própria mostrou-se chocada, "wow, people came!" (uau, as pessoas vieram!). O espetáculo que deu foi, provavelmente, um dos melhores nos últimos tempos a que se assistiu nos festivais nacionais. Os bailarinos as mostrarem as suas coreografias bem ensaiadas, as pequenas representações dramáticas que eles e Christine faziam e a pop perfeita dos seus temas tornaram o concerto num dos melhores do festival nestes três dias. Quando Christine dança nota-se as influências claras de Michael Jackson, e fez uma homenagem a outra das suas refêrencias: David Bowie, cantando Heroes. Também se ouviu Sicko Mode de Travis Scott a seguir a Science Fiction. Em cerca de uma hora, conseguiu juntar tudo o que se pede num espetáculo pop: dança, diversão, carisma e música cativante. Só é pena não ser um nome maior em território nacional, porque é um concerto obrigatório de se ver.

Christine and The Queens @ Super Bock Super Rock 2019

A seguir vieram os Phoenix, talvez o nome francês mais conhecido deste dia, que de repente encheram o recinto. Este foi o último concerto da sua tour, e acabaram em grande. Pode apelidar os músicos franceses de veteranos, porque já andam nesta indústria há bastante tempo e deixaram a sua marca. Desta forma, conseguem chegar as todas as gerações que assistem aos seus concertos. Pois, a sua sonoridade indie-rock misturada com sintetizadores e refrões pop contribui para essa expansão. J-Boy, Lasso e Entertainment foram os primeiros temas com que arrancaram em força e causaram logo o delírio do público. A setlist foi uma espécie de best-of da sua carreira com Ti Amo, 1901 e Bankrupt!. No final, o vocalista Thomas Mars desceu do palco e fez crowdsurfing durante algum tempo. A banda fez a sua parte de trazer um concerto divertido, e quem a viu ficou feliz. 

Phoenix @ Super Bock Super Rock 2019

A fechar o palco principal esteve Kaytranada, que também se estreou no nosso país. O mote que iniciou o concerto foi "you're watching Kaytranada live" (estás a ver Kaytranda ao vivo), e finalmente aconteceu. O produtor e DJ tocou alguns dos seus temas, como, Lite Sports, Glowed Up com Kaytranada e You're The One com Syd (dos The Internet), enquanto alternava com remixes de músicas conhecidas ATM Jam de Azealia Banks e Kiss of Life de Sade. Nos ecrãs que tinha à frente e atrás, lia-se a frase "from the basement to the dancefloors" (da cave para as pistas de dança), e a verdade é que a sua saída da cave conseguiu tornar o recinto do festival numa pista de dança.

Kaytranada @ Super Bock Super Rock 2019

O Super Bock Super Rock regressou ao Meco, a pedido de muitas pessoas durante estes últimos 4 anos, nos dias 18, 19 e 20 de julho. Com ele trouxe de volta um cartaz eclético e coeso, o pó e boas memórias. Também contou com o regresso de alguns nomes a Portugal.

Neste primeiro dia esgotado, houve espaço para folk, funaná, eletrónica, pop e muito mais. O neo-zelandês Marlon Williams subiu ao Palco EDP para encantar o público português novamente depois da sua estreia no Vodafone Paredes de Coura no ano passado. O músico começou o concerto sentado a tocar o seu teclado e com o tema I Didn't Make a Plan. Estreou uma música nova, Being Somebody, após ter perguntado quem é que estava feliz por estar vivo/a. Mais à frente, entregou-se à melancólica What's Chasing You. Terminou a cantar I Started a Joke no chão do palco.

Marlon Williams @ Super Bock Super Rock 2019

A abrir o Palco Super Bock esteve a norte-americana Cat Power. Vestida de preto, chegou com o seu folk obscuro para um público que ia chegando aos poucos. Veio apresentar o seu mais recente álbum, Wanderer, e infelizmente Lana Del Rey não se juntou em palco para atuarem o tema Woman, mas Cat Power fez um cover de White Mustang. Num palco talvez demasiado grande para as suas músicas intimistas, conseguiu dar a volta e melhorou a tarde solarenga de quem assistiu.

Novamente no Palco EDP, foi a vez de Dino D'Santiago trazer o seu mundu nôbu do funaná. Um artista cada vez maior e melhor ao vivo. Pois, em pouco tempo tornou-se um nome assertivo nos festivais nacionais e não precisa de uma estrela grande da Pop mundial para isso, fá-lo sozinho. O artista português continua a mostrar a sua Nova Lisboa de forma maravilhosa e marcou a primeira enchente do dia neste palco, metendo o público a dançar. A grande surpresa foi quando Pedro Mafama se juntou a Dino para cantar a sua parte do remix de Sô Bô, que faz parte do EP Mundu Nôbu Remix. Apesar do microfone de Pedro Mafama não ter ajudado, foi um momento bonito para a música nacional. Além de se ter tarraxado ao som de Tudo Certo e Como Seria, Dino também apresentou novos temas. No final, saiu do palco e foi para o meio do público cantar Nôs Funaná com Ana Moura ao lado a assistir e terminou em grande com a festa concretizada.

Dino D'Santiago @ Super Bock Super Rock 2019

Os Jungle começam a ser um nome recorrente nos festivais (no ano passado tocaram no Vodafone Paredes de Coura e no Super Bock em Stock) que ainda não cansa. Os londrinos Tom McFarland e Josh Lloyd-Watson, que formaram a banda e ao vivo têm mais pessoas, podiam trazer o clima mais frio de Inglaterra, mas as suas músicas chamam pelo sol dando vitamina D a quem assiste a um concerto deles. Talvez seja por isso que são sempre bem recebidos no nosso país e a sua mensagem para as pessoas se divertirem e dançarem é sempre compreendida e realizada. Nem precisam de fazer muito para o público se reagir e ficar feliz porque os seus temas dizem tudo. A meio disseram "we're never tired of you all" (nunca estamos fartos de vocês), e pelos vistos Portugal também nunca se farta deles. O alinhamento não variou muito desde as suas duas últimas passagens, e tocaram Casio, House in LA, The Heat, Julia, entre outras. Ao mesmo tempo, mostraram que conseguem dominar um palco grande e tornaram o pôr-do-sol no Meco ainda mais bonito. Como é hábito, o concerto acabou com Drops, Busy Earnin' e Time. A verdade é que é sempre bom vê-los e podem voltar as vezes que quiserem.

Jungle @ Super Bock Super Rock 2019

Também do Reino Unido, mas neste caso de Manchester vieram os The 1975 que atuaram na hora certa para o espetáculo de luzes que têm, ao contrário do que aconteceu na última vez que tocaram cá. Começaram em força com Give Yourself A Try, TOOTIMETOOTIMETOOTIME e She's American. Ao longo do concerto passaram pelos seus três álbuns e Matty Healy, o vocalista, brinco com o auto-tune. Não faltou a triste Somebody Else, provavelmente um dos melhores temas do grupo, e a poderosa Love It If We Made It, que ao vivo se perdeu um pouco. Foram perdendo a garra durante o concerto, mas mesmo assim o seu indie-pop com sintetizadores fez um bom trabalho e exaltou o público.

The 1975 @ Super Bock Super Rock 2019


No Palco Somersby e ao mesmo tempo que The 1975, encontrava-se Conan Osiris. O grande fenómeno da música nacional nestes últimos tempos encheu o palco com fãs ansiosos/as de o (re)verem, e foi provavelmente a causa de não estarem mais pessoas a verem o concerto no palco principal. Pois, quando Conan toca à mesma hora que um nome internacional num festival consegue levar montes de pessoas na mesma. Aconteceu com Johnny Marr no Super Bock em Stock no ano passado e voltou a acontecer aqui. O próprio nem sabe o poder que tem e mostrou-se surpreendido por ver tantas pessoas ali presentes, tendo dito "mas porquê tantos aqui comigo com tantos para ver?". A razão é por ter conquistado o país com a multiculturalidade das suas músicas e pela energia que tem durante os seus espetáculos. O artista está cada vez mais confiante na sua voz, o que tem sido notório nos últimos concertos. E claro que não podia faltar o bailarino João Reis Moreira a traduzir os temas em passos de dança. Também se fez acompanhar pelos músicos Sunil e Cheong. Adoro Bolos, Borrego e Gluteuda fizeram a festa e Telemóveis pôs todos em êxtase. No próximo ano, deveria atuar no palco principal do festival porque já é merecido.

Conan Osiris @ Super Bock Super Rock 2019


Os Metronomy são outros amigos de Portugal, principalmente Anna Prior, a baterista, que passa cá a vida. Após o grande concerto no NOS Primavera Sound de 2017, esperava-se um concerto melhor que não aconteceu. Conseguiram fazer a maior enchente no Palco EDP deste dia, mas mesmo assim conseguiram meter muitas pessoas a dançarem. Usaram algumas das suas canções mais conhecidas, que nunca falham, como Everything Goes My Way, Reservoir, Love Letters e The Look ajudaram a animar o concerto.

Metronomy @ Super Bock Super Rock 2019


Lana Del Rey, a rainha da noite e a razão deste dia ter esgotado, chegou com cerca 15min de atraso, que foram logo esquecidos mal começou a cantar o tema "Born To Die" acompanhado pelo massivo coro do público a gritar a letra do princípio ao fim. O que a deixou sorridente e chocada. O Super Bock Super Rock voltou ao Meco e Lana Del Rey também, porque a primeira vez que atuou em Portugal foi neste festival em 2012, e 7 anos depois fez todo o sentido ser a primeira cabeça de cartaz anunciada. Em 2012, apenas tinha editado o seu primeiro álbum Born To Die e o concerto curto, apenas com 9 músicas, foi a redenção ao vivo depois do desastre da atuação no Saturday Night Live. Não levou milhares de pessoas ao Meco, apesar do sucesso que já andava a causar mundialmente e na quinta-feira passada foi tudo completamente diferente. Este ano foi a prova do seu crescimento enquanto uma das maiores estrelas da música, e as 30 mil pessoas que a viram testemunharam uma cantora mais segura e com mais produção ao vivo que se entrega emocionalmente às suas músicas. O entusiasmo foi tanto que, por algumas vezes, se ouvia mais o público a cantar do que Lana. Quanto ao alinhamento, pode não ter sido o ideal, mas não faltaram os hinos mais antigos, como, Blue Jeans, Ride, Video Games, Summertime Sadness e Off To The Races. Também desceu do palco para ir falar com os fãs, tirar selfies e dar autógrafos durante cerca de 10min levando as primeiras filas ao delírio. As músicas ao vivo soam diferentes da versão de estúdio e os arranjos são melhor adaptados para a sua voz, o que às vezes tornava complicado acompanhar as letras. Porém, algumas até ganham outro encanto na versão ao vivo. A realidade é que Lana Del Rey invoca blues, rock, pop e indie numa só pessoa e parece uma estrela de Hollywood, tornando-o numa artista inigualável. O concerto terminou com Venice Bitch, e foi um dos pontos altos deste dia.

O Super Bock Super Rock está de volta para a sua 25ª edição. O festival realiza-se nos dias 18, 19 e 20 de julho e regressa à Herdade do Cabeço da Flauta, no Meco, em Sesimbra. Conta com nomes como Lana Del Rey, Conan Osiris, Janelle Monáe, Migos e Kaytranada.

O festival sempre foi um camaleão, pois começou na Gare Marítima de Alcântara em 1995, passou pelo Passeio Marítimo de Algés em 1997, em 1998 foi a vez da Expo e em 2008 e 2009 realizou-se no Porto e em Lisboa. Foi em 2010 que aterrou no Meco e ficou lá até 2014. Em 2015, voltou à Expo e ocupou a Altice Arena e área evolvente da mesma. Não arredou pé até 2018 e este ano marca o seu regresso ao Meco, após vários pedidos de muitos festivaleiros. Portanto, aqui ficam cinco razões porque esta edição vai ser memorável.

1 - O cartaz


A primeira razão é claramente o cartaz deste ano que é o mais eclético dos festivais nacionais. Nos nomes internacionais tem Lana Del Rey, que se estreou em Portugal no mesmo local em 2012, e irá lançar um novo álbum em breve. Os Metronomy virão apresentar temas novos. Migos, o trio de trap, estreia-se no nosso país. The 1975 e Janelle Monáe trazem na bagagem os seus mais recentes álbuns editados no ano passado. Quanto aos nomes nacionais, Conan Osiris, a grande revelação de 2018, irá marcar presença. Dino D'Santiago, Branko, Profjam, Fugly e Glockenwise são outros nomes que irão representar (e bem) a música nacional. Um alinhamento com gostos para todos.

2 - É perto da praia

Uma das grandes vantagens de voltar ao Meco é ter algumas das melhores praias da Margem Sul perto. Há a Praia da Lagoa de Albufeira e a Praia do Meco. Ambas ficam a cerca 10min de distância do recinto de carro. No caso da Praia do Meco, haverá shuttles para o público desde o festival até à praia.

3 - É fora da cidade

Além de ter praias perto, também é fora da cidade e deixa o seu ambiente urbano para trás. Vai ser no meio da natureza e com tudo a que um festival não urbano tem direito. Sol, calor e boa música num ambiente mítico é o que se pode esperar.

4 - Recinto aberto

Para quem criticava o local da Altice Arena por ter dois palcos numa arena fechada, agora nenhum palco será assim. O recinto também terá melhores condições e as casas-de-banho do Glastonbury, de acordo com Luís Montez. Todos os palcos terão uma vista bonita da Herdade do Cabeço da Flauta.

5- O Campismo

Com este regresso ao Meco, o festival volta a ter campismo mesmo perto. Algo que faz parte da vida de alguns festivaleiros. Pode-se levar tenda e acampar durante 4 dias, pois este ano também haverá receção ao campista com a curadoria da Discotexas, exclusiva a portadores do passe geral. É o ideal para se celebrar a 25ª edição e aproveitar-se tudo o que o festival tem para oferecer.


Algumas imagens do recinto:


Mais informações sobre o festival aqui.

O Sumol Summer Fest continuou no dia 6 de julho e contou com GROGnation, Holly Hood, Deejay Telio e a estreia dos Brockhampton em Portugal. Um último dia que superou todas as expectativas.

GROGnation marcaram o passo para arrancar com o segundo dia de Sumol Summer Fest. O fim da tarde surgia com o pôr-do-sol a envolver o palco e, comparativamente ao dia anterior, o número de pessoas não parava de aumentar. Os GROGnation não são novidade no hip hop nacional: já são acarinhados pelo público e continuam a afirmar-se com novos sucessos que enchem as rádios e ficam na ponta da língua. Assim sendo, não foi de espantar que o público cantasse numa só voz os êxitos Chama-me Nomes, Pescoço ou Na Via. A energia dos rapazes de Mem Martins foi o warm up perfeito para a noite que se avizinhava. Sortudos foram aqueles que conseguiram agarrar uma t-shirt como recordação.

GROGnation @ Sumol Summer Fest 2019

Deejay Telio não é um nome do hip hop, mas é da festa e é isso que se vive na Ericeira. Que atire a primeira pedra quem nunca dançou Deejay Telio numa saída à noite e não ficou com a música deste rapaz de 22 anos presa na cabeça durante dias. Chegou ao Palco Sumol com uma energia descontraída, pronto a chamar todos para a discoteca a céu aberto que surgiu com os hits do cantor. O público dançava e saltava enquanto gritava as letras das músicas mais conhecidas. Ouviu-se Meu Ego, com o público a gesticular à medida que o refrão avançava, e não faltou Happy Day, After Party ou Esfrega Esfrega. Foi quase inevitável não gritar um "que safoda" ou um "é pra avisar que eu hoje não atendo, não atendo" à medida que o público ficava mais envolvido. Mandou tudo para a esquerda, para a direita, começou a festa e nunca parou. Bispo veio pisar o palco pela segunda vez nesta edição do festival, desta vez para dar voz a Com Licença. Deejay Telio agradeceu ao público e deixou a localização da próxima after party: "família, graças a vocês, vou estar no Coliseu no dia 5 de março".

Deejay Telio @ Sumol Summer Fest 2019

"Para quem não sabe, o meu nome é Holly Hood". Ou O Dread Que Matou Golias. Foi assim que começou o terceiro concerto da noite e que nos atirou de volta para o hip hop tuga. Acompanhado do colectivo Superbad, Holly Hood fez a temperatura subir (e o que o digam os fãs nas filas da frente que viram fogo a queimar mesmo à frente dos seus olhos). O público saltou, empurrou, gritou. Estava tanto calor que os gritos deixaram de ser só Holly Hood e passaram a ser "água, água, água!" e as garrafas voaram para a multidão. Cala a Boca foi o estrondo da noite e os fãs foram à loucura. Foi um espectáculo sem grandes surpresas, mas com qualidade. Já soava o alerta para quem estava ali para o grande nome da noite e o espaço apertou quase à velocidade ritmada dos "BROCKHAMPTON! BROCKHAMPTON! BROCKHAMPTON!" que se faziam ouvir na direcção do palco vazio.

Holly Hood @ Sumol Summer Fest 2019

A excitação era geral e sentia-se na atmosfera. Fãs com o cabelo pintado de spray azul e camisolas laranja próximos à era SATURATION, fãs com t-shirts mais próximas do iridescence, o último álbum da banda americanaO espaço era cada vez mais reduzido e, a bem ou a mal, todos queriam chegar um pouco mais à frente. Mais perto dos explosivos BROCKHAMPTON. As expectativas eram altas, apesar de muitos colocarem em causa a coerência de ver a boyband americana na Ericeira e não noutro festival. E a verdade é que todos aqueles que se recusaram a pisar o Sumol Summer Fest perderam um concerto histórico. O barulho ensurdecedor dos gritos dos fãs quase se conseguiu sobrepor a NEW ORLEANS, música que foi o ponto de partida para o melhor concerto da noite. O público das primeiras filas estava completamente engolido pela força de saltos que rapidamente se transformavam em moshpits esmagadores. A voz de Joba era quase camaleónica, como se renascesse a cada música e entrasse sempre numa nova era. A noite acalmou com os primeiros acordes de BLEACH, onde Kevin Abstract pediu ao público para repetir o refrão num acapella que ecoou pelo recinto, fez lacrimejar os mais emocionais e arrepiou até mesmo os poucos que ficaram indiferentes à banda. Não se esqueceram da estrondosa GOLD, da STAR ou do monólogo arrepiante que deixava a porta aberta para WEIGHT, numa mistura entre os SATURATION I, II e II e o iridescence, o mais recente lançamento da banda. A trilogia dos 1990 (1997 DIANA, 1998 TRUMAN e 1999 WILDFIRE) já anunciava o fim do concerto e, ainda assim, ninguém perdia a oportunidade de se atirar para a frente, abrir círculos para mais e maiores moshpits. Alguns a pedido do próprio Kevin, que gesticulava em direcção à multidão, incentivando-a a continuar. BOGGIE foi o tema escolhido para dar os últimos saltos e foi para dar tudo, com saltos frenéticos e sorrisos enquanto se ouvia "best boyband since One Direction". Algures perto do fim continuava a ouvir-se "esta merda é que é boa" e a confusão na cara dos rapazes era óbvia; ainda assim, sorriam e juntavam as mãos a agradecer porque, no fundo, no fundo, sabiam que só podia ser um incentivo um pouco aldrabado. Nas redes sociais, Kevin Abstract e Dom McLennon disseram mesmo que este foi o melhor concerto da tour e que "Portugal was fucking crazy". Sempre de sorriso na cara, estes rapazes fizeram valer cada minuto de espera, cada aperto, cada salto. Portugal foi dos BROCKHAMPTON. A recuperação vai ser complicada.

Brockhampton @ Sumol Summer Fest 2019


Coube à dupla de DJs portugueses Karetus fechar o segundo e último dia de Sumol Summer Fest. O recinto ficou visivelmente mais vazio, mas ainda com grupos de pessoas animadas a dançar freneticamente ao som da electrónica como Move It Up (um original dos Karetus em colaboração com os Supa Squad) e de remixes de músicas como Old Town Road (uma colaboração entre Lil Nas X e Billy Ray Cyrus). Até para o ano, Sumol Summer Fest.

Karetus @ Sumol Summer Fest 2019

A Ericeira voltou a ser a casa dos party animals do Sumol Summer Fest. No primeiro dia, 5 de julho, juntou-se a praia ao hip hop internacional e nacional. O sol desceu e, no primeiro dia, o palco tremeu com nomes como Young Thug, They., Sam The Kid ou Kappa Jotta.

Kappa Jotta abriu o Palco Sumol no primeiro dia do festival. Acompanhado de Bad Tchiken e Amaro, artistas que integram o projeto “Good Fellas Good Music”, o rapper da linha C trouxe o primeiro vestígio do hip hop tuga. Mas o spotlight foi roubado pela filha do rapper, Carminho, que subiu ao palco e derreteu corações por todo o recinto. A junção entre a voz e a dança inocente da pequena Carminho foi mais do que suficiente para incentivar o público a gritar e a dançar ao som de Fala a Sério. De repente, o rapper ficou sem camisola e o público seguiu-lhe o exemplo. No fim do espectáculo, Kappa Jotta agradeceu e desceu para as grades da frontline. Arrancou assim o Palco Sumol, mas o hip hop tuga não ficou por aqui.

Kappa Jotta @ Sumol Sumer Fest 2019

Depois do hip hop tuga, chegou o R&B com os americanos They. A começar com What You Want, a estreia de Dante Jones e Drew Love em Portugal foi marcada por uma energia inesgotável, ainda que o público não respondesse com grande entusiasmo aos pedidos da banda e poucas fossem as pessoas que gritavam em alto e bom som pelos dois rapazes de Los Angeles. Contaram-nos a história que deu origem a 18 Months, um dos momentos mais emotivos do concerto. Da setlist, fizeram parte músicas como U-RITE, Dante's Creek ou Deep End.

They. @ Sumol Summer Fest 2019

Bem-vindos ao meu bairro, ao meu hood. Foi assim que o rapper português Sam The Kid escancarou a porta e nos fez entrar em Chelas sem sair da Ericeira. Num espectáculo que não se vai voltar a repetir, fomos até às origens de Sam The Kid e de todos aqueles que o acompanharam de alguma maneira. Mechelas trouxe ao mesmo palco os grandes nomes do hip hop da lusofonia, numa sucessão de artistas que formaram uma família de gigantes. O alinhamento do álbum Mechelas (2018) correspondeu praticamente à subida dos artistas, que eram anunciados como quem chama um irmão e o apresenta aos amigos com o peito cheio de orgulho. O concerto começou com Caravana, uma colaboração com Boss AC, e continuou com nomes que eram conhecidos da casa do hip hop que é o Sumol. Bispo levou o público ao rubro com Necessidade e aproveitou para dar uma palavra amiga a quem o ouve e se inspira na música que cria. Para além de Portugal, fomos até Moçambique com Hernâni ou até Angola com Kid MC, artista que Sam sempre admirou mas com o qual nunca tinha tido oportunidade de trabalhar. O girl power chegou com Muleca XIII, que abriu a porta à militância saída da favela e que agora ocupa as ruas de Lisboa. Não faltou Blasph, Nameless, KARLON KRIOULO ou GROGnation; estes útlimos fazem parte do segundo dia desta edição. Foi um novo marco na história do hip hop tuga, num projeto nunca antes visto, que não faria sentido se não fosse uma criação de Sam The Kid.

Sam The Kid apresenta Mechelas @ Sumol Summer Fest 2019

Começou a ouvir-se um remix de músicas já conhecidas, algumas tocadas no mesmo sítio em anos diferentes. Ouviu-se Congratulations do americano Post Malone, que foi um dos grandes nomes da edição do ano passado, e foi como se tivesse sido dado um sinal de explosão e todos fossem chamados em peso até ao Palco Sumol. Também se ouviu a colaboração com Drake, Sacrifices. "Are you ready for Young Thug?", perguntaram de cima do palco. E foi o primeiro momento do concerto mais esperado do primeiro dia, algo que se tornou óbvio à medida que se tornou mais difícil andar pela multidão. Young Thug pôs todo o recinto a abanar, não se limitou ao público, fez tremer paredes e portas como um terramoto a invadir a Ericeira. O rapper não deu descanso a ninguém e não deu espaço para ficar quieto. Ouviram-se músicas como pick up the phone (com Travis Scott), With Them ou On The Run.

Young Thug @ Sumol Sumer Fest 2019


O segundo dia vai contar com BROCKHAMPTON, GROGnation, Deejay Telio e Holly Hood.

Faltam duas semanas para o Super Bock Super Rock regressar ao Meco. O festival realiza-se nos dias 18, 19 e 20 de julho e conta com nomes como Lana Del Rey, Janelle Monáe, Migos, Shame e muitos mais. Os horários dos concertos já estão disponíveis.

Podem consultar os horários em baixo: 


Os bilhetes diários e passes encontram-se à venda nos locais habituais. Os bilhetes para cada dia (19 e 20 de julho) têm o custo de 60€. Os passes gerais custam 110€.

O Vodafone Paredes de Coura regressa à Praia Fluvial do Taboão de 14 a 17 de agosto. O cartaz já se encontra completo e conta com Boogarins, The National, Father John Misty, Patti Smith, Mitski, Flohio e muitos mais. Antes disso, o Festival Sobe à Vila nos dias 10, 11, 12 e 13 de agosto.

O alinhamento do Festival Sobe à Vila é composto por nomes nacionais. Dream People, Cuckoo Let Us, Wicked Youth, No!On, Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo, Blasfémia, Ângela Polícia, Salto, Alexandre Souto, Flying Cages, The Parkinsons e SuM são os nomes que irão fazer o warm-up do festival na vila de Paredes de Coura. A entrada para estes concertos é grátis. 

Line-up por dias e horários: 


Os bilhetes diários e passes gerais encontram-se à venda nos locais habituais. Cada bilhete diário custa 55€ e o passe para os 4 dias 94€.