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O Super Bock em Stock está de volta à Avenida da Liberdade, em Lisboa, nos dias 22 e 23 de novembroMichael Kiwanuka é a mais recente confirmação e junta-se a nomes como Curtis HardingNilüfer Yanya, Viagra Boys, Helado Negro, Balthazar e Kevin Morby.

Michael Kiwanuka nasceu em Londres e começou com uma banda de covers para se dedicar à música. Mais tarde, assinou com a editora Communion (dos Mumford & Sons) e editou os EPs Tell Me A Tale e I'm Getting Ready. O disco de estreia, Home Again, chegou em 2012. Em 2016, editou o sucessor Love & Hate. O terceiro trabalho, KIWANUKA, poderá ser ouvido em outubro. Em junho, lançou o single "Money" com Tom Misch, que fará parte do próximo álbum.


Confirmados até ao momento:
Ady Suleiman, Balthazar, Curtis Harding, Ghostly Kisses, Helado Negro, Kevin Morby, MEUTE, Michael Kiwanuka, Nilüfer Yanya, Sinkane, Viagra Boys.

Os passes únicos para os dois dias do festival encontram-se à venda nos locais habituais. Até 21 de novembro têm o custo de 45€ e nos dias 22 e 23 de novembro custam 50€.


E como no Vodafone Paredes de Coura o tempo passa tão depressa como devagar, cedo chegou o dia de fecho do festival. A última Vodafone Music Session foi também a mais especial, com umas palavras da organização do festival e um concerto curto e intimista de Time for T.

Vodafone Music Session: Time For T

João Carvalho foi direto, mas não se poupou nas palavras: esta foi a melhor edição de sempre do Paredes de Coura. Elogiou o “casamento” com a Vodafone e lembrou todo o trabalho que envolve a organização do evento. A parceria dura há oito anos e tem batido recordes de vendas e atingido melhorias na qualidade do festival.

E se Time for T encantaram os poucos campistas que os viram sentados à sombra, mais ainda foram os que por eles se apaixonaram no primeiro concerto da tarde, no palco Vodafone.FM. A banda baseada em Lisboa encantou com o seu folk caloroso e temas como "Maria" e "Free Hugs", onde pediram ao público para abraçar a pessoa ao seu lado. Os Ganso abriram o principal, mantendo a tradição de ouvir nomes portugueses ao início da tarde, e encontraram uma plateia pouco numerosa, mas animada e responsiva.

Time For T @ Vodafone Paredes de Coura 2019

A sul-africana Alice Phoebe Lou chegou com a sua doçura e simpatia ao Palco Vodafone.FM. Veio apresentar o seu mais recente álbum Paper Castles, que foi lançado este ano. A sua mistura de folk, jazz e blues conquistaram quem se encontrava a assistir e ninguém ficou indiferente.

Alice Phoebe Lou @ Vodafone Paredes de Coura 2019

A nipo-americana Mitski foi um dos grandes nomes da noite. O concerto de composição aparentemente simples surpreendeu os mais distraídos e roubou a atenção de qualquer um. A performance impressionou pela novidade: os passos mecânicos, ao ritmo das músicas, espalharam-se sobre uma mesa e uma cadeira, fazendo de cada tema uma conversa entre o corpo da artista e a própria melodia. O aclamado álbum Be the Cowboy teve um grande destaque no alinhamento, mas também houve espaço para músicas mais antigas como "Happy", "Your Best American Girl" e "Francis Forever". Uma atuação hipnotizante, inesperada e inesquecível que irá ficar na história do festival.

Mitski @ Vodafone Paredes de Coura 2019

Seguiram-se Sensible Soccers no palco secundário, num espetáculo esperado e bem recebido. A banda portuguesa conta com três álbuns de estúdio, o último – “Aurora” – lançado ainda este ano que foi tocado na íntegra. Sem perder energia, a banda tocou-o de uma forma sensacional. Mas o foco da noite subiu ao palco Vodafone pelas 21h20.

Sensible Soccers @ Vodafone Paredes de Coura 2019

Com 72 anos e quase 50 de carreira, Patti Smith transportou o Vodafone Paredes de Coura para o seu mundo de liberdade, luta, felicidade e amor, com as suas sonoridades de punk rock, num espectáculo que ficará para sempre na lembrança de quem a ouviu – e do próprio festival.

People Have The Power” foi tema de abertura, inundando o público de punhos levantados e sorrisos estampados nos rostos – o mesmo se viu em cima do palco. O reportório percorreu vários dos trabalhos da artista, dos mais icónicos e famosos aos menos conhecidos. Lou Reid, Neil Young e Jimmy Hendrix também entraram na viagem, com temas reinterpretados agora pelas mãos de Smith & her band.

Gloria” e “Because The Night” elevaram ainda mais a alma do público, que cantou junto de Patti Smith e permitiu uma fusão e entrega muitas vezes raras de encontrar. Um espetáculo que pareceu durar um segundo e uma eternidade - no bom sentido - e que nos transportou também de volta a Woodstock (em homenagem aos 50 anos e em celebração da liberdade).

De volta ao palco Vodafone.FM, foi altura de se ouvir jazz com Kamaal Williams. O artista britânico foi pouco comunicativo durante o concerto, mas a sua música falou muito mais alto. Acompanhado pela sua banda que lhe deu mais força, o músico maravilhou o público a cada minuto que passava. A sua mistura de jazz, funk e música urbana resultou bem ao vivo. 

Kamaal Williams @ Vodafone Paredes de Coura 2019

No ano passado, foi a estreia do grime no festival com o concerto memorável de Skepta. Este ano foi a vez do hip-hop se estrear com Freddie Gibbs & Madlib, que foram um dos outros grandes nomes do cartaz, mas para um público consideravelmente diferente. Para os amantes de hip-hop, o duo, que se juntou para o álbum Bandana (2019), foi o maior must-see do festival. E não fizeram por menos: para uma plateia vasta e extremamente entusiasta, o concerto foi talvez um dos pontos altos de todo o evento. À frente estava o rapper Freddie Gibbs e atrás, mas não esquecido, o DJ Madlib que estiveram sempre a puxar pelo público de uma forma entusiástica e reciprocada nas primeiras filas. Ouviu-se "fuck police" várias vezes a pedido do rapper, sendo a mensagem mais predominante do concerto. Além dessa frase, não faltaram os temas "Crime Pays", "Freestyle S**t" e "Thuggin". Com uma energia contagiante, a dupla deixou os seus fãs felizes que aguardavam o rapper em Portugal há algum tempo e os mais céticos na mesma. O concerto acabou com Madlib a usar uma peruca loira que foi atirada para o palco.

Freddie Gibs & Madlib @ Vodafone Paredes de Coura 2019

Para fechar o palco principal neste último dia, vieram os britânicos Suede, que voltaram a Paredes de Coura 20 anos depois de terem atuado no festival, com o seu maravilhoso britpop. A verdade é que as atenções estavam todas concentradas no vocalista Brett Anderson e a sua energia imparável. Ora saltava, dançava, abanava o microfone no ar, atirava-se para o chão e basicamente dava tudo o que tinha. Foi, talvez, o concerto com menos afluência no palco principal para um nome internacional nesta edição, mas nem assim perdeu todo o seu encanto. Apesar disso, a banda deu um grande espetáculo como se estivesse a atuar para muitas mais pessoas. Houve tempo para momentos mais animados com "Outsiders", "Trash" e "Can't Get Enough" e, ainda, para outros mais calmos com as versões acústicas de "The Wild Ones" e "She's in Fashion". Perto do final, o vocalista foi ter com o público e tudo acabou com "New Generation".

Suede @ Vodafone Paredes de Coura 2019


A melhor surpresa da noite estava guardada para o final after hours no palco Vodafone.FM com Flohio, um regresso a Portugal após ter atuado na Galeria Zé dos Bois no ano passado. A rapper do sul de Londres pôs o público a dar os seus últimos saltos com a sua junção de grime e hip-hop carregada pelo seu sotaque inglês. Com apenas dois EPs (Nowhere Near e Wild Yout), um remix do tema Simmer de Mahalia com NAO e vários singles soltos, Flohio mostrou que é o futuro do rap e grime. A sua energia em palco cativou o público mesmo para quem não conhecia e cumpriu bem a sua tarefa de ser o penúltimo nome neste último dia de festival. De certeza que a iremos ouvir mais e voltar a um concerto dela nos próximos tempos. Jayda G teve o prazer de encerrar este palco.

Flohio @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Texto: Carolina Alves & Iris Cabaça
Fotos: Iris Cabaça

No dia 16 de agosto, o Vodafone Paredes de Coura acordou para um dia mais calmo, mas não por isso menos bonito. Começou mais cedo no Palco Jazz na Relva com os The Rite of Trio. O trio portuense veio mostrar o seu jazz experimental conquistando um público que, provavelmente, não conhecia.

The Rite of Trio @ Vodafone Paredes de Coura 2019

A seguir, foi a vez da Vodafone Music Session com os Capitão Fausto. Aconteceu em Formariz, no mesmo sítio que deu origem ao tema "Célebre Batalha de Formariz". Ao contrário do concerto da noite anterior, este foi mais calmo e intimista, algo que o grupo já não faz há algum tempo, e ouviu-se versões diferentes das suas músicas. Foi bom ver a banda neste momento.

Vodafone Music Session com Capitão Fausto @ Vodafone Paredes de Coura 2019

Vindos do outro lado da Península Ibérica, chegaram os Derby Motoreta's Burrito Kachimba. Trouxeram o seu rock espanhol influenciado pelo psicadelismo dos anos 70 e 80. Não trouxeram nenhuma novidade, mas souberam animar os grupos de espanhóis que os vieram ver e alguns portugueses.

Derby Motoreta's Burrito Kachimba @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Nomes portugueses abriram o palco principal ao longo de todo o festival: neste dia foi a vez de First Breath After Coma. Os leirienses já conhecem os cantos à casa e trouxeram o terceiro álbum de estúdio, “NU”, para uma viagem pelo pós-rock tímido que têm vindo a explorar.

Não vieram sozinhos: David Santos, autor do projeto Noiserv, juntou-se a eles para o final, com o seu tema “Don’t Say Hi If You Don’t Have Time For A Nice Goodbye” (que por momentos nos leva de volta a Bon Iver).

First Breath After Coma @ Vodafone Paredes de Coura 2019

Um concerto no cair da tarde, uma plateia composta por já criados fãs da banda que se tem vindo a redescobrir e mais um bom início para Coura. Seguiu-se-lhes Jonathan Wilson, ainda o palco Vodafone.FM se preparava para Black Midi. A banda de rock experimental estreou-se em Portugal e veio direta da cena underground londrina, não por isso encontrando uma plateia fraca.

Fãs atentos, inquietos e entusiasmados ocupavam a parte central da tenda do palco secundário, mas cedo a eles se juntaram todo o tipo de curiosos. O som irreverente e a abordagem experimental do pós-punk deu nas vistas, e assim se encheu mais um concerto.

Black Midi @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Foi com Deerhunter que a noite começou a aquecer, ao som da voz de Bradford Cox. Ao início, uma conversa sobre música portuguesa. “Tenho ouvido muita”, conta ao público, “Já ouviram falar de Nuno Canavarro? Dos Street Kids?”. No ativo desde 2001, os Deerhunter lançaram o seu primeiro álbum de estúdio, “Turn It Up Faggot”, em 2005. A faceta melancólica não se escondeu no último álbum, “Why Hasn’t Everything Already Disappeared”, e também não o fez neste concerto.

Deerhunter @ Vodafone Paredes de Coura 2019

De volta ao Palco Vodafone.FM, encontrava-se o neozelandês Connan Mockasin. Entrou calmamente em palco, levou o seu tempo a afinar a guitarra, ao som de "Charlotte's Thong" e sem dizer uma palavra levou o público ao delírio. O que se seguiu foi um concerto sereno com a sua banda a apoiá-lo e a dar-lhe ainda mais força. "Faking Jazz Together", "Forever Dolphin Love" e "Why Are You Crying?" fizeram as delícias dos fãs mais devotos.

Connan Mockasin @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Os dos últimos nomes da noite foram os que juntaram o maior número de pessoas. Spiritualized, repleto de músicos e back vocals, entregou um espetáculo a não perder. Apesar de não ter falado diretamente para o público, toda a conversa foi feita de música em música, de emoção em emoção. Disse tudo o que tinha para dizer, com um reportório completo e um palco cheio.

Spiritualized @ Vodafone Paredes de Coura 2019


O último nome da noite e cabeça de cartaz regressou a Paredes de Coura quatro anos depois do último encontro. Father John Misty subiu ao palco com a confiança de sempre, a complexidade de sempre, a arrogância de sempre. Não é por acaso que, apesar de tudo o que se mantém, nenhum dos seus concertos é igual. Com uma setlist diferente do normal, talvez para fugir às já conhecidas da tour de “God’s Favorite Customer”, Josh Tillman marcou o reencontro com o festival com um concerto cheio de si mesmo mas cantado com outros temas.

Passou pelas habituais “Nancy From Now On”, “Chateau Lobby”, “Holy Shit” ou “Real Love”, sem esquecer os temas do álbum mais recente e até “I Love You Honeybear”, mas deixou de fora muitas outras que o público gosta de ouvir. Portugal Já conhece Father John Misty, e Father John Misty já conhece Portugal. O que há de mágico em cada encontro é descobrir tudo o que falta para conhecer, a relação que não se esgota e ouvir, tão de perto, a magia de um artista tão complexo.

Father John Misty @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Fechado o palco principal, a festa continuou no palco secundário, como é habitual. Num dia mais calmo, menos movimentado e certamente mais parado, a mesma energia de sempre voltou a encontrar-se ao som de Peaking Lights e Romare.

Texto: Carolina Alves
Fotos: Iris Cabaça

Para o segundo dia, Coura acordou de novo com música nacional. Cave Story abriram o palco Vodafone.FM enquanto o palco Vodafone aquecia para Khurangbin. O trio texano fez o espaço inundar-se de sonoridades psicadélicas, soul e até um pouco de funk, com um público atento e pronto para os acompanhar.

Khruangbin @ Vodafone Paredes de Coura 2019


O cair da tarde trouxe consigo Stella Donnelly, uma das últimas artistas a ser confirmadas no festival depois do cancelamento de Yellow Days e Julien Baker. A (também) australiana foi uma surpresa positiva, capaz de iluminar o palco secundário como se do principal se tratasse. A sua sonoridade indie deu lugar a muita conversa, dança e alguns momentos mais sérios – como o alerta para a gravidade do assédio sexual seguido da música “Boys Will Be Boys”. Stella Donnelly trouxe a Coura música e espírito verdadeiros e encheu a tarde de dia 15 como poucos.

Stella Donnelly @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Do Canadá para Paredes de Coura, os Alvvays aterraram com o seu dream pop com um toque de shoegaze. Atuaram no final da tarde e tentaram cativar o público, principalmente com as piadas da vocalista Molly Rankin, mas apenas conseguiram agarrar os fãs mais atentos. Ao vivo, os seus temas não soam tão sonhadores como em disco, infelizmente. Contudo, foi uma boa estreia no festival e uma lufada de ar fresco no alinhamento deste dia.


Enquanto no palco Vodafone se ouvia Alvvays, o palco secundário encheu novamente para receber Boy Pablo, a boy band norueguesa capitaneada por Nicolas Pablo Muñoz. A energia estava nos máximos logo de início, com uma receção calorosa a todos os membros da banda. O único álbum de estúdio da banda – “Soy Pablo” – era notoriamente conhecido pelo público, capaz de cantar com e por quem estava no palco. A navegar por músicas como “Feeling Lonely”, “wtf” ou “Sick Feeling”, com lugar para alguns dos lançamentos mais recentes, o concerto de Boy Pablo implodiu com “Dance, Baby!” que pôs cada uma das pessoas ali presentes a mexer e a sorrir.

Boy Pablo @ Vodafone Paredes de Coura 2019


O segundo dia do festival recebeu novamente nomes conhecidos: Car Seat Headrest voltou a subir ao palco dois anos depois, com uma energia semelhante e um mesmo público dedicado e energético.

Car Seat Headrest @ Vodafone Paredes de Coura 2019


A noite, no entanto, guardava-se para aquele que foi o melhor concerto do festival e, nas palavras de João Carvalho, dos melhores da história de Paredes de Coura. New Order subiram ao palco Vodafone pelas onze da noite e encontraram uma plateia de milhares, muitos deles da mesma geração que a própria banda. Por momentos, naquela segunda noite, Paredes de Coura teletransportou-se para uma discohouse de Manchester nos anos 80, repleta de sons experimentais e dançáveis, com visuais de outro universo a acompanhar toda aquela sonoridade.

Nem por isso deixou de haver espaço para a nostalgia do que a banda foi antes de se encontrar novamente em New Order. Quando Peter Hook perguntou “alguém aqui é fã de Joy Division?” a plateia iluminou de novo. “She’s Lost Control” e “Transmission” trouxeram o post-punk de volta à vida e a emoção estampou-se na expressão de muitos dos fãs. As t-shirts com a capa de “Unknown Pleasures”, o álbum mais conhecido da banda, viam-se por todo o lado, bem como bandeiras e cartazes de homenagem e memória.

Percorreram muito do reportório de New Order, com direito a “Blue Monday” e “Temptation” para terminar, e acabaram com mais uma homenagem a Joy Division e ao falecido vocalista, Ian Curtis. “Atmosphere” e “Love Will Tear Us Apart” aqueceram a alma a quem há muito ouve e admira o post-punk de Manchester.

New Order @ Vodafone Paredes de Coura 2019


A despedida à banda inglesa não se fez num salto imediato para o palco secundário, contando ainda com um concerto dos já familiares Capitão Fausto a encerrarem o palco principal. O reportório bastante conhecido contou com temas como “Amanhã Tou Melhor”, “Amor a Nossa Vida” e até “Teresa”, que culminou numa despedida ao som de “Here Comes the Sun” dos Beatles. O grupo lisboeta esteve à altura do desafio deste enorme destaque no alinhamento e deu um concerto decente para os fãs mais antigos e para os novos. Porém, não foi a melhor atuação da banda até ao momento.

Capitão Fausto @ Vodafone Paredes de Coura 2019


O after hours ficou a cargo de Acid Arab e Krystal Klear. Os primeiros, Acid Arab, vindos de Paris trouxeram ritmos orientais para o festival. A cada música que se ouvia, sentia-se a cultura de vários países que meteu os mais resistentes a darem alguns passos de dança. Passando para o house, Krystal Klear teve a honra de encerrar a pista de dança.

Texto: Carolina Alves
Fotos: Iris Cabaça

A 27ª edição do Vodafone Paredes de Coura abriu portas a 14 de agosto, trazendo de volta a Coura alguns dos nomes já conhecidos pelo recinto e por alguns dos festivaleiros mais velhos. Mazarin abriram o palco Jazz na Relva, com os olhares atentos dos ainda poucos festivaleiros que paravam à beira do rio Taboão.

Bed Legs subiram ao palco principal ao início da tarde, ainda o sol estava longe de se pôr, para “cumprir um sonho”. De regresso a Paredes de Coura, alguns anos depois de terem atuado no festival, a banda bracarense não escondeu o entusiasmo e emoção com quem a eles se juntou ao fundo da colina.

Bed Legs @ Vodafone Paredes de Coura 2019

Não tardou a chegar Julia Jacklin, que veio apanhar o entusiasmo que Bed Legs fizeram surgir. A australiana de 28 anos tem já dois álbuns de estúdio e a voz doce contagiou o coração de todos. Olhares atentos, murmúrios a acompanhar as palavras e um ambiente quase mágico, guiado ao som das melodias calmas e românticas de músicas como “Don’t Know How to Keep Loving You” ou “Comfort

Foi no cair da noite que Boogarins voltaram a trazer a sua ambiência dreamy, quente e sempre muito brasileira. O fresco que se sentia longe daquele palco não existiu neste concerto: a luz, os sorrisos dos membros da banda, as pessoas, tudo contribuiu para ainda outro concerto memorável da banda que nos visita desde 2014. Contudo, foi a primeira vez que tiveram um destaque tão grande num festival nacional por terem atuado no palco principal, no começo da noite, e para tantas pessoas. Vieram bem preparados e com um novo álbum, Sombrou Dúvida, lançado este ano para apresentarem. Também tocaram temas mais antigos, como, "Lucifernandis". Não foi o melhor concerto deles no nosso pais, mas foi o mais especial.

Boogarins @ Vodafone Paredes de Coura 2019


E se o cartaz do primeiro dia do festival esperava e se preparava para receber The National, nem por isso deixou para Parcels menos espaço para brilharem, que no passado atuaram no Super Bock Super Rock. Saíram da Austrália, de Berlim e de tantas décadas do século passado, mas foi no presente Paredes de Coura que nos transportaram a outra realidade – uma muito pessoal, alegre, mexida e mágica. Entre os temas mais conhecidos como “Lightenup” ou “Overnight” houve espaço para um reportório variado e ainda um pouco de Jorge Palma – um rádio antigo e a “Encosta-te a Mim” marcaram assim o penúltimo concerto da primeira noite.

Tieduprightnow” fechou o concerto e atingiu o climax que já se esperava de um concerto com aquela energia – alegria, dança, entrega e muito calor, num recinto cheio de uma ponta à outra.

Parcels @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Os The National já não são novidade em Portugal. A sua música também não é de agora, e muito menos foi esta a sua primeira vez em Coura. Mas aquilo que fizeram, a várias mãos e vozes, transformou a primeira noite numa das mais especiais do festival inteiro, por tudo o que nos fez sentir. A setlist percorreu todo o percurso da banda, desde o último álbum aos que trouxeram quando pisaram o palco courense pela primeira vez em 2005.

Saltou-se entre “Bloodbuzz Ohio”, “Guilty Party”, “The System Only Dreams in Total Darkness” e “Light Years”. A emoção foi diferente em cada música, a entrega de Matt Berninger e a dedicação de toda a banda foi constante para todas. Culminou-se com três das mais fortes e melancólicas canções, que juntaram todo o público num uníssono que não se encontra muitas vezes. 

Terrible Love” abriu o apetite e as lágrimas que “About Today” soltou, num momento tão particular e intenso que fez sentir que ali à volta nada mais existia. "Vanderlyle Crybaby Geeks" fechou o concerto e o Palco Vodafone por essa noite, e relembrou-nos a cada verso – cantados quase exclusivamente pelo público e ao som de apenas duas guitarras acústicas – do que significa voltar aos sítios onde se foi feliz. Paredes de Coura e The National, em 2005 e agora, um amor muito português e que poucos tiveram a sorte de viver duas vezes.

The National @ Vodafone Paredes de Coura 2019


Com mais ou menos energia, mais ou menos gente, a noite continuou no palco principal com as melodias energéticas de KOKOKO! e o já da casa Nuno Lopes a fechar com DJ set.

Nuno Lopes @ Vodafone Paredes de Coura 2019 

Texto: Carolina Alves
Fotos: Iris Cabaça

O Festival Iminente está de volta nos dias 19, 20, 21 e 22 de setembro no Miradouro Panorâmico de Monsanto. Common, Linn Da Quebrada, Mayra Andrade, Shaka Lion, Pedro Mafama, Fado Bicha, David Bruno, Dealema e Mynda Guevara são alguns dos nomes que irão atuar no festival. 

Após ter passado por Londres, Xangai e Rio de Janeiro, o Festival Iminente regressa a Lisboa, no Miradouro Panorâmico de Monsanto pela segunda vez (começou em Oeiras), e traz 100 artistas musicais e visuais, bailarinos, debates, b-boys e performers durante 4 dias e em 5 palcos diferentes. 

Todos os dias, o festival irá começar com uma talk no Palco Mezzai. A primeira, no dia 19 de setembro, é intitulada "Jovens e a cultura: A nova geração sente-se representada na cultura?" com a curadoria do Gerador. As seguintes, nos dias 20, 21 e 22, serão "VIH e Prep: interesse público ou farmacêutico?", "Direito à Habitação: O povo ainda pode morar nas cidades?" e "Reparação histórica: É possível pagar as dívidas do colonialismo?", com curadoria do Fumaça. 

Cartaz completo: 


Os bilhetes diários custam 15€ e estão à venda nos locais habituais a partir de 2 de setembro às 16h. Apenas há 5000 bilhetes para cada dia do festival.

De 14 a 17 de agosto, o Vodafone Paredes de Coura está de volta para mais uma edição na Praia Fluvial do Taboão. O cartaz conta com algumas novidades, tais como, Black Midi, Boy Pablo e Flohio. The National, Boogarins, Father John Misty e Car Seat Headrest são alguns regressos que irão fazer vibrar o público no Couraíso. Do outro lado, há nomes que começaram a fazer música desde os anos 70, 80 e 90. 

Patti Smith, New Order, Suede e Spiritualized são os nomes que preenchem essa quota e nos levarão numa viagem por essas épocas. Cada um com o seu género musical e hits que fizeram sucesso durante todos estes anos, irão recordar-nos de outros tempos.

Patti Smith


Os últimos concertos que Patti Smith deu em Portugal foram em 2015 no NOS Primavera Sound, no Porto, e no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para celebrar os 40 anos do seu álbum Horses (1975), tendo tocado o disco na íntegra. Agora, virá apresentar alguns dos maiores êxitos da sua longa carreira. Além da música, a norte-americana também é escritora e já lançou vários livros. O último disco que editou foi Banga, em 2012.


New Order


Os New Order formaram-se em 1980 com os membros iniciais Bernard Sumner (vocalista e guitarrista), Peter Hook (baixista) e Stephen Morris (baterista). O grupo foi pioneiro em misturar new wave com música eletrónica, o que levou ao seu estatuto de uma das bandas britânicas mais marcantes nos anos 80. O primeiro álbum, Movement, chegou em 1981 e desde aí lançaram mais músicas, álbuns, tiveram algumas pausas e Peter Hook saiu da banda em 2007. O último disco editado foi Music Complete, em 2015.



Suede


Também do Reino Unido, os Suede formaram-se em 1989 e foram considerados a melhor banda nova na Grã-Bretanha em 1992. Inspirados por David Bowie e The Smiths revolucionaram a música Pop britânica com o seu indie pop/rock. O primeiro álbum homónimo foi editado em 1993, e até 2002 lançaram mais quatro trabalhos. Voltaram ao ativo em 2013 com Bloodsports, e o seu disco mais recente, The Blue Hour, foi lançado no ano passado.


Spiritualized


Tal como Patti Smith, os Spiritualized passaram pelo NOS Primavera Sound em 2015, antes tinham atuado no mesmo festival em 2012, e este ano regressam para apresentarem o novo álbum And Nothing Hurt, editado no ano passado. São outra banda de Inglaterra que foi formada por Jason Pierce em 1990 e já contam com oito álbuns de estúdio. O primeiro disco, Lazer Guided Melodies, chegou em 1992. O grupo é conhecido pelo seu space rock.