Vodafone Paredes de Coura 2018: welcome to the Jungle | Watch and Listen!

Vodafone Paredes de Coura 2018: welcome to the Jungle



O segundo dia desta edição do Vodafone Paredes de Coura abriu portas com a energia caótica dos portugueses Fugly, prontos para acordar quem passou a tarde a dormitar à beira-rio. Com o seu álbum de estreia Milennial Shit (2018) e o EP Morning After (2016), os rapazes do Porto despertaram a atenção dos festivaleiros "madrugadores" de Coura, não fosse já mau costume deixar para uma próxima os concertos que apanham o início da tarde. Um concerto recheado de espontaneidade, onde o punk rock abraça o frenético e a vontade de não ter os pés assentes no chão. Para a própria banda, este concerto foi "o que mais (...) marcou a história de Fugly", afinal não seria Coura se não fosse life changing.


X-Wife abriram o palco principal neste segundo dia. O trio portuense conseguiu meter logo as pessoas a dançar ao som das suas músicas eletrizantes. Vieram apresentar o seu novo disco homónimo, que saiu no passado mês de abril. Movin’ Up foi o tema que originou mais passos de dança no público, com a maior parte a mover-se efusivamente. Foi um concerto com vários momentos memoráveis.

Se Fugly levantaram o chão do Vodafone FM, Shame levantaram o chão do Palco Vodafone e fizeram-no tremer. A banda londrina trouxe o seu álbum de estreia Songs of Praise (2018) e Charlie Steen não deixou ninguém ficar sentado na encosta do anfiteatro. A energia contagiante espelhou-se no mosh que conseguiu simbolizar a abertura do concerto e na proximidade do vocalista com a audiência, que delirou quando o cantor se debruçou nas primeiras filas. No meio dos movimentos frenéticos, houve tempo para crowdsurf ao som de temas como The Lick, Human for a Minute e Gold Hole. It would be a shame não ficar de olho nestes rapazes, que prometem revelar-se material típico para um headline futuro.


Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman é claramente um dos nomes mais adorados pelo público do Vodafone Paredes de Coura. Este ano, fez um DJ set no dia 14 de agosto para o Festival Sobe À Vila. Dias depois, desceu até ao recinto para espalhar o seu rock’n’roll. Além disso, o senhor do rock português também afirmou que tinha muito amor para dar e assim o fez ao longo do concerto. Entregou-se (literalmente) e foi carregado nas mãos das pessoas das primeiras filas, atirou uma guitarra para a multidão (que pediu de volta uns minutos depois) e cantou perto do público. Não se esperava menos deste concerto e, ainda assim, o músico deu mais do que era previsível. Houve tudo a que o rock tem direito: loucura em cima e fora do palco, riffs excelentes de guitarra e a poderosa e inigualável presença de The Legendary Tigerman.



Japanese Breakfast é o projecto solo da coreana-americana Michelle Zauner, uma das caras mais famosas do pop experimental e indie rock americano. Um nome relativamente desconhecido para os ouvidos portugueses e nem assim deixou o palco Vodafone FM indiferente, apresentando músicas dos seus álbuns Psychopomp (2016) e Soft Sounds from Another Planet (2017). A artista conseguiu cativar o público com a suavidade da sua voz e a presença suficientemente animada, tendo em conta os traços mais tristes das canções que produz. Do alinhamento fizeram parte temas como The Body Is a Blade, Everybody Wants to Love You ou The Woman That Loves You, que mostraram a afinação e timbre magnético da voz de Michelle, conjugada com um beat animado, capaz de estampar um sorriso nas caras espalhadas pela plateia. Visivelmente satisfeita com a sua estreia em Portugal, resta esperar que Japanese Breakfast volte a marcar presença nas salas nacionais.

Surma veio acalmar um bocado os ânimos com a sua música experimental. Para este concerto, preparou algo especial e trouxe mais três músicos para atuarem em alguns dos temas. A artista levou o público a viajar pelas músicas inovadoras de Antwerpen (2017), notando-se a atenção do público durante todo o concerto. Foi claramente um momento bastante especial para Surma e para os seus apreciadores. 

O cenário idílico das noites no habitat natural da música pareceu ter sido desenhado ao pormenor para receber a sonoridade tranquilizante dos Fleet Foxes. A voz vibrante de Robin Pecknold entrelaça-se da melhor maneira com os instrumentos de sopro, as teclas e as cordas que compõem o indie folk desta banda de Seattle, atribuindo ao concerto uma aura quase magnética, que roçou o celestial. O crescendo de Grown Oceans atravessou por entre as árvores do anfiteatro e foi o sinal de partida para um espectáculo que reuniu temas dos três álbuns de estúdio. Ao contrário do imaginado, o alinhamento não se debruçou sobre o recente Crack-Up (2017), álbum anteriormente apresentado ao nosso país no NOS Alive, mas revelou-se como uma ode à melancolia dos primórdios da banda. O público vibrou com temas como MykonosWhite Winter HymnalFool's Errand ou Third of May / Ōdaigahara, acompanhando o vocalista quando o instrumental ou a letra assim o exigia. Pecknold demostrou um conforto espantoso em palco, reflectido nas interações constantes com o público, não tivesse até mantido um diálogo casual com um fã que reconheceu de espectáculos anteriores e a quem fez questão de entregar o casaco que estava a utilizar. A atmosfera emocional proporcionada por estes seis rapazes não passou despercebida e ganhou um lugar na alma do Couraíso.


Jungle voltaram a Portugal, após terem atuado no Lisb-on Jardim Sonoro em 2016, para apresentar o seu segundo álbum e tocar novas músicas. Tirando os singles já conhecidos (Cherry, Happy Man, Heavy California e House in LA), trouxeram alguns ainda não ouvidos, como Casio e Smile. Também dedicaram Lemonade Lake, do primeiro álbum, à falecida Aretha Franklin. O grupo britânico encerrou o Palco Vodafone de uma forma maravilhosa, com a sua eletrónica misturada com soul e funk, refrões pop e vozes numa harmonia sincronizada. O horário da atuação foi ideal, conjugada com o jogo de luzes que se viu durante o espetáculo. As músicas dos Jungle têm uma característica muito particular: animar quem as ouve. Ao longo do concerto, isso foi notável porque o público estava feliz, a dançar durante o tempo todo. A banda é sempre bem recebida no nosso país e esta vez não foi exceção. A música Time, um dos seus grandes êxitos, encerrou este concerto inesquecível.

Para continuar com a festa, chegaram os australianos Confidence Man. A sua atuação em palco foi hipnotizante. Ao mostrarem as suas coreografias juntamente com uma indie dance inigualável, revelaram-se uma boa surpresa. Foi um ótimo começo no after hours, que terminou com Young Marco.

Vodafone Paredes de Coura 2018: 2º dia 

Texto: Iris Cabaça e Carina Soares
Fotos e vídeo: Iris Cabaça

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