Primavera Sound Porto 2025: dia 1 - o Brat e Romance summer merecidos
O primeiro dia do Primavera Sound Porto 2025 ficou marcado pelo Brat e Romance summer, sonoridades diferentes e experimentais e pop ideais. Os destaques deste arranque vão para Surma, Angélica Garcia, Glass Beams, Fontaines D.C., Magdalena Bay e Charli XCX.
A abrir o palco Super Bock neste primeiro dia, encontrava-se Surma, que se fez acompanhar por João Hasselberg no baixo e Pedro Melo Alves na bateria. Com a honra de ser uma das primeiras artistas a atuar na edição deste ano, Surma não se deixou de mostrar bastante agradecida por estar ali a atuar.
A artista apresentou temas como Aïda, Etel.vina, Hüvasti e uma das suas músicas mais antiga: Maasai. Durante Did I drop acid and this is my ego death?, desceu do palco para o meio do público para fazer mosh com algumas pessoas que se encontravam à frente.
As suas misturas entre eletrónica, jazz e noise que tornam as suas músicas experimentais e únicas, ao vivo levam-nos numa viagem por vários países diferentes, mas que são se tornam únicos no seu universo.
O concerto terminou com Islet do álbum alla (2022) e uma energia frenética que esta música desperta tanto a quem está em palco como a quem está no palco.
A artista americana Angélica Garcia apresentou-se no Palco Super Bock acompanhada por uma baterista e carregada de garra para conquistar o público que foi de propósito para a ver ou estava a descobrir uma artista nova. Garcia canta em espanhol e inglês, mas no seu mais recente disco Gemelo (2024) canta maioritariamente em espanhol.
Ora a dançar, a andar de um lado para o outro, a atirar-se para o chão, a artista não desafinou nem uma vez e mostrou que tanto faz temas mais experimentais, outros um bocado mais pop, e outros onde inclui inspirações de ritmos latinos. Uma artista que merece mais atenção, sem dúvida.
O concerto dos Glass Beams no Palco Vodafone numa hora em que se aproximava o pôr do sol, acabou por ser uma surpresa boa deste dia. A banda australiana liderada por Rajan Silva, os nomes dos outros dois membros são desconhecidos, apresentou-se em palco com máscaras douradas na cara, o que é habitual, e traz uma mística evolvida por ser um mistério quem está atrás das máscaras.
O trio veio apresentar o seu EP de estreia Mirage (2021) e, o mais recente, Mahal (2024), e tocaram os temas Horizon, Black Sand, Snake Oil e Rattlesnake. Alguns temas que mostraram bem a sua fusão de rock, psicadelismo e ritmos orientais, influenciados pela descendência indiana de Rajan Silva. Ao vivo, todo este enigma, a falta de palavras e interações com o público, leva a que se oiça e se sinta apenas a música enquanto se dança e se abana a cabeça ao som desta mistura que torna a banda tão singular. Um momento surpreendente e que encantou o público presente.
Um nome que começa a ser habitual nos cartazes dos festivais nacionais e que parece ficar maior cada vez que passa por cá são os irlandeses Fontaines D.C. e comprovaram isso mesmo por terem tido a segunda maior enchente no Palco Porto neste primeiro dia.
A banda estreou-se em Portugal no NOS Alive de 2022 num palco Heineken cheio, mas com o mais recente álbum Romance (2024) e o sucesso que fez, passou de palcos pequenos para grandes e a encher festivais, salas e parques, no Reino Unido, por toda a Europa neste verão.
A magistral Romance deu início ao concerto, e tocaram Jackie Down The Line, Televised Mind e Roman Holiday. Ainda se ouviu Death Kink, o tema novo It’s Amazing to Be Young, Bug, Here’s The Thing e Nabokov.
O vocalista Grian Chatten não é homem de muitas palavras, tirando um “thank you” de vez em quando e algumas interações com os fãs nas primeiras filas, mas nem precisa de ser porque as músicas, as atitudes e as bandeiras da Palestina – uma no teclado do guitarrista e teclista Carlos O'Connell e outra que no tripé do microfone de Chatten que alguém atirou para o palco – falam por si só.
Com alguns mosh pits pelo meio e os fãs nas primeiras filas a saberem as músicas de cor, pode dizer-se que os Fontaines D.C. já começam a ser queridos pelo público português, e não só, e que vieram para ficar.
Após um espetáculo efusivo, o final chegou e com ele vieram as músicas Favourite, a melancólica In The Modern World, I Love You – que fala sobre o amor pelo seu país, a Irlanda, e sobre os problemas políticos do país – onde no fim do tema apareceu no ecrã “Israel is committing genocide / Use your voice” e foi recebido com aplausos e gritos de “Free Palestine” do público.
O concertou terminou com um último impulso de energia ao som de Starburster e com a conclusão de que o grupo já faz parte dos grandes nomes da música e, ao mesmo tempo, quanto maiores ficam mais falam sobre política e apoiam a liberação da Palestina como qualquer banda e artista irlandeses deveriam fazer.
Os Magdalena Bay regressaram a Portugal para tocarem na íntegra o seu mais recente álbum, Imaginal Disk (2024), num palco Revolut que se encontrava cheio e ansioso por ouvir o disco ao vivo.
O duo de Mica Tenenbaum e Matthew Lewin encantou com os temas Killing Time, Image, Death & Romance, Vampire In The Corner e Love Is Everywhere. A sua pop com sintetizadores e a teatralidade, mostrada por Mica, que trazem ao vivo fazem jus às suas músicas e conquistam os fãs que marcaram uma das maiores enchentes deste palco.
(Não foi permitido fotografar o concerto.)
Quer tenha sido pelas t-shirts verde fluorescente ou pelas que diziam “brat”, pode afirmar-se que o concerto mais aguardado da noite, a seguir aos irlandeses Fontaines D.C., era Charli XCX – a nº1 365 party girl. Não foi a estreia da artista em Portugal, pois em 2019 atuou num evento privado na Comporta, mas foi a vinda mais oficial e a receção merecida depois do sucesso de Brat (2024).
Quando se falava de Charli XCX em 2019, pensava-se nos seus hits Boom Clap, Break The Rules, 1999 com Troye Sivan e até I Love It com as Icona Pop. Agora, e depois de álbuns a estudar e a experimentar o seu som, quando se fala na artista só se pensa em Brat (2024), e bastou o público ver um pano grande verde fluorescente com essa palavra e começar a ouvir a melodia de 365 para ir à loucura quando Charli XCX entrou em palco e puxou o pano.
Assim se iniciou a grande festa de Charli XCX, que se apresentou sozinha em palco e foi o que bastou, com luzes intermitentes que fez a plateia sentir como se estivesse numa discoteca ao ar livre.
A festa continuou com 360, Von Dutch, I might say something stupid, Club Classics e Unlock it, do álbum Pop 2 (2017). De seguida, chegou um dos grandes momentos aguardado pelos fãs: quem iria aparecer no ecrã a fazer a dança que viralizou a música Apple, e acabou a ser um fã sortudo nas primeiras filas.
Ainda se ouviram os temas Girl, so confusing (o remix com Lorde), Everything is romantic, Speed Drive do filme da Barbie (2023) e Guess (o remix com Billie Eillish). Para o final reservou party 4 u do álbum how i'm feeling now (2020), Vroom Vroom com uma shoutout a SOPHIE, a falecida artista e produtora que produziu este tema, Track 10 e terminou com I Love It, a colaboração com as Icona Pop.
O concerto foi mais curto do que o esperado e anunciado, mas fez as delícias dos fãs, principalmente para os que adoram Brat, e ficou marcado como um dos melhores concertos do festival da edição deste ano.
(Não foi permitido fotografar o concerto.)
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junho 17, 2025
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