Scúru Fitchádu + Máquina no B.leza: uma festa em alto e bom som
Os Máquina e Scúru Fitchádu subiram ao palco do B.leza para celebrarem 30 anos da sala lisboeta que trouxe tantos concertos à zona do Cais do Sodré durante este tempo todo e contou com casa cheia.
Um line-up que, até ao momento, ainda ninguém tinha pensado no mesmo, mas que faz todo o sentido quando se pensa nas sonoridades de ambos os nomes a começar pelo noise rítmico dos Máquina, e a passar pelo funaná punk de Scúru Fitchádu. A palavra de ordem foi dança nos dois concertos.
A abrirem a noite, os Máquina – trio composto por Halison Peres (bateria e voz), João Cavalheiro (guitarra) e José Regro (baixo) – trouxeram os seus ritmos eletrizantes que não deixam ninguém indiferente. Com as músicas de PRATA (2024), e não só, meteram o público desde a primeira até à última fila a dançar entre os strobes de luzes, com Halison a perguntar “estão prontos para dançar?” e sim, o público estava pronto para abanar a anca e o cabelo.
O trio ainda apresentou o novo single misfit, lançado no dia 31 de outubro, uma música de quase nove minutos que podia fazer parte da banda sonora de um filme de terror.
Depois de cerca de uma hora de dança ao som de ritmos eletrónicos e de noise com suor à mistura, percebe-se porque é que os Máquinas são uma das bandas nacionais mais excitantes dos últimos dois anos em Portugal, e agora até fora do país, e porque continuam a atrair tantas pessoas por onde tocam. Pois, cada concerto é uma experiência única, têm a máquina bem afinada ao vivo e sabem exatamente o que o seu público espera de um espetáculo do trio.
A festa seguiu com o concerto de Scúru Fitchádu – o projeto de Marcus Veiga - que veio apresentar o seu mais recente álbum Griots i Riots, editado este ano, e continuou a meter o público a dançar com os seus ritmos. A começar com Kel karta di alfuria... deu o mote para a hora insana da fusão de funaná, eletrónica e punk que só o artista consegue proporcionar.
Com letras carregadas de mensagens políticas mais importantes do que nunca e cantadas em criolo de Cabo Verde, o artista prosseguiu com a sua energia contagiante e com as músicas Malízia Malízia de Nez Txada skúru dentu skina na braku fundu (2023), Idukasan i saud, Manus Planus Danus de Un Kuza Runhu (2020), e Símia Kodjê, mas sem Conan Osiris presente (“este convidado não está cá hoje, mas é como se estivesse”).
Quase a metade do concerto e depois de meter o público a transpirar com os seus ritmos frenéticos, ainda trouxe os temas Maria, Funda na poss, Caoberdiano Barela, Bakan e Ez utopiaz. No final, chamou Márcia, que costumava atuar consigo na tour anterior, para cantar ao seu lado.
Assim, Scúru Fitchádu mostrou porque é que é um dos artistas mais inovadores do nosso país e porque é que as mensagens das suas músicas são cada mais vez marcantes e importantes de serem interpretadas e abordadas.
Esta combinação de Máquina e Scúru Fitchádu no mesmo alinhamento foi a ideal para celebrar os 30 anos do B.leza nesta noite, e a junção fez tanta sentido que se pergunta como é que ainda não tinha acontecido, mas ainda bem que aconteceu pela primeira vez nesta sala. Dois nomes que misturam vários ritmos diferentes e os conseguem tornar únicos, e com concertos seguidos, foi um momento bastante especial e fica-se à espera de uma possível colaboração em estúdio destes dois nomes.
Texto e fotos: Iris Cabaça
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dezembro 23, 2025
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