Hinds na Casa Capitão: viva a música e a amizade
As Hinds regressaram, finalmente, a Lisboa para apresentarem o seu mais recente álbum, VIVA HINDS (2024), e para encerrarem esta era da melhor forma. A primeira parte ficou a cargo da banda portuguesa Lesma.
A abrir o concerto, estiveram as Lesma – banda formada por Leonor Casimiro (voz, guitarra), Rita Mira (baixo) e Beatriz Sobralinho (voz, bateria) – que dizem ser do Barreiro na música, mas que afinal não são do Barreiro foram uma escolha acertada para espetáculo de abertura. O trio veio apresentar o seu primeiro álbum, É Mentira (2025), e tocaram temas como Maria, Eu sou uma (colher), Heroína e Barreiro. Apesar de, provavelmente, não serem muito conhecidas pelo público que assistiu, tirando algumas pessoas mais à frente, puxaram pelo mesmo e quem não as conhecia parecia estar a gostar. Com algumas piadas pelo meio, o que se destacou foi a forma como tocam e é sempre bom ver-se uma banda nova a tocar rock. Mais à frente, as Hinds teceram-lhes elogios e falaram sobre como é bom ver-se uma banda de raparigas a pisar um palco.
Um regresso bastante aguardado das Hinds, após terem tocado no Festival para Gente Sentada em 2024 e no Vodafone Paredes de Coura em 2025, porque ainda não tinham tocado o novo álbum na capital, que as recebeu com uma sala esgotada com os bilhetes a voarem em poucos dias. A última vez que passaram por Lisboa foi no Super Bock Super Rock de 2022, portanto era altura de voltarem.
No princípio do concerto, Carlotta Cosials e Ana Perrote confessaram ao público que não era suposto terem dado este concerto porque já tinham terminado a tour do seu último disco, que acabou a 12 de fevereiro em Valência, mas decidiram aceitar o convite da Casa Capitão porque faltava tocarem em Lisboa, e ainda bem que o fizeram porque deixaram vários fãs felizes com a notícia.
Com sorrisos de orelha a orelha e com uma Super Bock na mão, entraram em palco cheias de boa disposição e energia e começaram logo a tocar Boom Boom Back, uma colaboração com Beck e o segundo single do mais recente trabalho da banda, e depois para Riding Solo de The Prettiest Curse (2020) e Stranger, um feat. com Grian Chatter dos Fontaines D.C..
Também houve tempo para relembrar e celebrar o primeiro álbum da banda, Leave Me Alone (2016), que faz 10 anos este ano, com as músicas Garden, Bamboo e San Diego, onde decidiram chamar uma fã ao palco para tocar a guitarra de Carlotta e Katia foi a escolhida, proporcionando um momento bonito e poderoso. O público cantou estes temas com o mesmo fervor que se sentiu e se ouviu nos primeiros concertos do grupo no Musicbox, sem sombra de dúvidas.
O espetáculo seguiu com The Club, Waiting For You, Just Like Kids (Miau), Good Bad Times, Superstar e The Bed, the Room, the Rain and You. Antes de tocarem Coffee, perguntaram ao público o que tomavam ao pequeno-almoço e acompanhavam com o café e ouviram-se respostas diferentes, tais como, pastel de nata, bifanas e cerveja.
Ainda se ouviu uma cover de Girl, So Confusing de Charli XCX, mas bem adaptada ao lo-fi rock das Hinds com o público, principalmente o feminino, a cantar a letra em uníssono. Também tocaram a sua cover de Spanish Bombs dos The Clash com o seu sotaque espanhol carregado, o que é habitual nos seus concertos e não pode faltar nunca.
Para terminar em grande e nas alturas, deram tudo na última música En Forma com Carlotta a subir para as cavalitas da Ana enquanto a primeira tocava guitarra e a segunda o teclado. No final, notou-se nas suas caras a felicidade por terem encerrado a era VIVA HINDS em Portugal com um público que as recebeu bem e, ao mesmo tempo, que foi um momento emocionante para a banda por ter sido mesmo o concerto final de uma era que não começou da melhor maneira, mas acabou em grande forma. Só esperemos que da próxima incluam Lisboa e Porto nas datas da tour.
Texto e fotos: Iris Cabaça
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março 13, 2026
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