MEO Kalorama 2025 – dia 1: a missa de Father John Misty e a história dos Pet Shop Boys




O MEO Kalorama regressou ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, para mais uma edição, mas desta vez em junho: nos dias 19, 20 e 21 de junho. O primeiro dia contou com concertos de David Bruno, Father John Misty, Sevdaliza, Pet Shop Boys, L’impératrice e The Flaming Lips.


Mesmo com o calor que fazia nesta tarde, houve quem não arredou o pé para ver David Bruno no palco principal. Apesar disso, e talvez devido ao calor, a energia do público lisboeta não foi a mesma que se sentiu uns dias antes no Primavera Sound Porto. Claro que o público nortenho vai sempre entender melhor as referências nortenhas que o artista faz nas suas músicas e, por isso mesmo, vibrar mais nos seus concertos, mas aqui o público da capital não soube estar à altura.


Contudo, a energia em palco foi a mesma de sempre: teatral, divertida, com uma celebração das travessas de alumínio, as piadas de David Bruno, os riffs de Marquito na guitarra e as danças e rosas de António Bandeiras. Ainda contou com os convidados Presto e Mike El Nite (?)


Perto do final, David Bruno desceu até ao público para cantar junto das pessoas e levou consigo uma fã até ao palco. Assim, foi mais um concerto do artista e companhia que foi uma festa, apesar de não ter sido a mais merecida. 

 


 


O Father John Misty já é um nome recorrente nos festivais e salas portugueses, que costuma passar pelo país cada vez que lança um novo álbum, e desta vez não foi exceção. O artista norte-americano regressou a Lisboa para apresentar o seu mais recente disco, Mahashmashana (2024), e começou o concerto de forma um pouco calma e mais contida com I Guess Time Just Makes Fools of Us All, Josh Tillman and the Accidental Dose (ambas do novo trabalho) e Nancy From Now On (do primeiro álbum, Fear Fun) enquanto tocava guitarra.


Porém, a partir de Mr. Tillman começou a abrir mais e trouxe a energia esperada de um concerto seu, e quando chegou a She Cleans Up, um tema que ganha outra dimensão e soa melhor ao vivo, perdeu as estribeiras e atirou-se para o chão para cantar de joelhos. Perto do final, voltou a acalmar os ânimos com Mental Health e Mahashmashana.


Um espetáculo dramático e repleto de poses teatrais que já são habituais de qualquer concerto de Father John Misty, que só pecou por começar de dia o que, infelizmente, fez perder o jogo de luzes, o qual só se reparou mais no fim. E claro que não podia faltar a maravilhosa I Love You, Honeybear, que ficou para o fim para se terminar da melhor maneira.





Sevdaliza regressou a Portugal para antever um pouco do seu próximo álbum, Heroina que será lançado em outubro, e num setting e estilo bastante diferentes desde que a vimos pela primeira vez no Vodafone Mexefest, em 2017. Do primeiro álbum, Ison (2017), apenas cantou Human e do álbum anterior, Shabrang (2020), só se ouviu Oh My God e Rhode. O resto do alinhamento foi composto pelas músicas novas e as suas colaborações com Anyma, Fortuna e Samsara.


Em palco, também se notou uma diferença na sua apresentação e o facto de dançar mais, o que é normal por os temas novos terem ritmos mais dançáveis, de reggaeton e funk. Levou o público ao rubro quando começou a cantar Alibi, a sua colaboração com Pabllo Vittar e Yseult, e ouviu-se o público a cantar em uníssono. E continuou a meter o público a dançar ao ritmo dos temas Messiah, Heroina, Ride or Die, P.2, No Me Cansare e Maria Magdalena. Também trouxe duas músicas novas: Eternity e Stripper.


Foi um concerto divertido de se assistir e que deu para dançar, com direito a elogios e agradecimentos de Sevdaliza por o público a receber tão bem, mas perto do final parecia que a artista começou a desafinar um bocado em certas músicas. Ao mesmo tempo, coloca-se outra questão que é: esta nova era da Sevdaliza é para durar? Dá para reconhecer que no meio das novas músicas, algumas são boas e aproveitam-se, mas em muitas nota-se que perdeu a essência que a distinguia de outras artistas nos seus trabalhos anteriores, mas só o tempo dirá se isto é para durar.

 



 

Os Pet Shop Boys voltaram a Portugal depois do seu concerto no Primavera Sound Porto, em 2023, e o duo britânico de synth-pop, composto por Neil Tennant e Chris Lowe, veio, novamente, apresentar o seus melhores hits, mas desta vez na capital. O alinhamento não variou muito desde a sua passagem pelo Porto, tirando algumas músicas, mas quase de certeza que fez jus ao que os fãs queriam ouvir ou voltar a ouvir.


Com um set design colorido e com alguns props no palco com um candeeiro a iluminar Neil Tennant, a dupla deixou-nos entrar na sua Dreamland com o seu best of de hits da sua carreira, começando com Suburbia. E seguiram com Where the Streets Have No Name (I Can't Take My Eyes Off You), Rent, I Don't Know What You Want but I Can't Give It Any More e The Pop Kids. O que deixou um cheiro a nostalgia para várias pessoas no público. Ao mesmo tempo, também deu para se dançar ao som de You Were Always on My Mind, cover de Gwen McCrae, Heart, It's Alright, cover de Sterling Void, e a incontornável It’s a Sin.


Apesar do recinto não estar tão composto como era merecido durante este concerto, os Pet Shop Boys entregaram tudo o que era esperado de uma banda com tantos anos de carreira e deram um grande espetáculo. Para o final, trouxeram West End Girls e Being Boring

 


 


Outro regresso foi o dos L’Impératrice, a banda francesa de pop e nu-disco, que é sempre uma boa adição em qualquer festival porque vai ser uma hora bem passada, e desta vez não foi exceção. Contudo, voltaram sem a vocalista Flore Benguigui, que fez parte da banda durante 9 anos e saiu em 2024, e foi o primeiro concerto em Portugal com a nova vocalista Louve, que esteve à altura do desafio, mas não deixa de ser estranho não se ver e ouvir a voz principal que trouxe tanto sucesso ao grupo.


Apesar disso, e mais uma vez, souberam meter o público a dançar com temas como Danza Marilù, Me Da Igual, Cosmogonie, Amour ex Machina e Sweet & Sublime do álbum Pulsar (2024). Do álbum Tako Tsubo (2021), ouviram-se apenas as músicas Anomalie bleue, Submarine e Voodoo?.


Não foi o concerto mais efusivo dos L’Impératrice no nosso país, mas foi animado e deu para se dançar mais um bocado neste dia e palco.




A encerrar o palco principal, estiveram os irreverentes The Flaming Lips, que não atuavam em Portugal desde o seu concerto no Primavera Sound Porto em 2012, e desta vez vieram apresentar o aclamado álbum Yoshimi Battles the Pink Robots, editado em 2002. O icónico disco da banda que mistura folk, eletrónica e psicadelismo, ainda continua a soar refrescante nos dias de hoje. Já ao vivo, a banda traz um pouco do universo deste trabalho para o palco com várias cores e um boneco insuflável da personagem Yoshimi.


A banda composta por Wayne Coyne, o único membro fundador, Derek Brown, Matt Duckworth Kirksey, Tommy McKenzie e AJ Slaughter continua a ser um dos nomes de referência da música norte-americana e do rock psicadélico.


Assim, iniciaram o concerto com Fight Test, e depois o vocalista Coyne, trouxe uns balões com a frase “Fuck Yeah Kalorama Lisbon”, o que arrancou gritos e aplausos do público quando as pessoas se aperceberam da frase. Seguiram com One More Robot/Sympathy 3000-21, In the Morning of the Magicians e Ego Tripping at the Gates of Hell.


Mesmo com a hora tardia do concerto, quase de certeza que a banda satisfez os pedidos dos fãs que os gostariam de ver pela primeira vez ou rever ao vivo, mas principalmente quem adora o décimo álbum da banda. Para fazer jus à ordem do álbum, terminaram com All We Have Is Now e Play Video Approaching Pavonis Mons by Balloon (Utopia Planitia).





 
 
Texto e fotos: Iris Cabaça
 

MEO Kalorama 2025 – dia 1: a missa de Father John Misty e a história dos Pet Shop Boys MEO Kalorama 2025 – dia 1: a missa de Father John Misty e a história dos Pet Shop Boys Reviewed by Watch and Listen on junho 28, 2025 Rating: 5

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