MEO Kalorama 2025: dia 2 – a perfeição de FKA Twigs e a surpresa de Model/Actriz





O segundo dia do MEO Kalorama 2025, no dia 20 de junho, trouxe uma sonoridade diferente ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, e foi para uma onda mais de rock industrial, eletrónica e pop no line-up, que contou com concertos de FKA Twigs, Maquina., Model/Actriz, Boy Harsher e Scissor Sisters.


A sequência de Maquina., Model/Actriz e Boy Harsher no palco San Miguel foi a melhor conseguida no cartaz do festival deste ano porque as três bandas complementaram-se bem umas com as outras. A começar pelos portugueses Maquina. - formados por Halison Peres (voz e bateria), Tomás Brito (baixo) e João Cavalheiro (guitarra) – que vieram apresentar o seu mais recente álbum, PRATA (2024).


O trio lisboeta fez o público, desde o início do concerto, transpirar ainda mais e aumentou a temperatura no recinto com a sua mistura de rhythmic noise e techno industrial com as repetições características que tão bem fazem e tornam qualquer sala e recinto numa pista de dança, o que não foi exceção aqui.


As músicas denial, body control, kontakte e desterro fizeram as delícias da multidão que os aguardava e meteram todas as pessoas a dançarem durante o concerto. Com a máquina sempre bem oleada, percebe-se porque é que são uma presença, que deveria ser obrigatória, em quase todos os festivais nacionais e, agora, até em alguns nacionais. A única crítica foi que devia ter sido um concerto noturno e seria mais merecido do que um durante o dia, por volta das 18h40, o que não impediu de se sentir a energia habitual de um concerto dos Maquina.






A surpresa do dia ficou reservada para Model/Actriz, a banda americana formada por Ruben Radlauer, Jack Wetmore, Aaron Shapiro e Cole Haden, que atuou na Galeria Zé dos Bois em 2023 e no Vodafone Paredes de Coura do ano passado. Dois concertos que, quase de certeza, lhes valeram a multidão que os aguardava no palco San Miguel neste dia. O grupo veio apresentar o seu novo e segundo álbum, Pirouette, editado em Maio.


A banda começou com os temas Vespers, o primeiro do novo trabalho, Mosquito, Crossing Guard e Slate retiradas do disco de estreia, Dogsbody (2023), com o vocalista Cole Haden a mostrar que é um animal de palco ora a levantar a perna, ora a baixar-se, ora a aproximar-se do público desde as escadas do palco.


À medida que o concertou foi aquecendo e ficando mais calor por as pessoas estarem a saltar ao som das músicas, a banda mostrou o melhor do rock industrial que faz com: Audience, Ring Road e Departures.


Perto do final, Haden desceu para cantar no meio do público e levou este à loucura total com as músicas Diva e Cinderella. Com estes fatores todos, resultou num dos melhores concertos do dia, e com a banda a ter atuado em Portugal nos últimos três anos, de certeza que se vai tornar numa das mais acarinhadas do público nacional em festivais. 

 


Para terminar esta bela sequência no palco secundário, foi a vez da dupla americana Boy Harsher, formada por Jae Matthews e Augustus Muller, subir ao palco. Rodeados por luzes escuras, azuis e vermelhas, o duo mostrou porque é um dos mais aplaudidos do underground.


Com as suas influências de dark wave, post-industrial e electropop meteram o público a dançar com os temas Keep Driving, Machina, Fate e Modulations. Nem foi preciso dirigem-se ao público com algumas palavras porque a festa fez-se na mesma com a voz de Matthews e as melodias de Muller. 

 




Já no palco principal, foi a vez dos Scissor Sisters regressarem a Portugal após quase 13 anos sem virem cá. Semelhante a Pet Shop Boys na noite anterior, a banda americana veio apresentar os seus melhores hits, visto que o último álbum de originais Magic Hour foi lançado em 2012, num espetáculo bastante queer, como seria esperado.


Com projeções no palco que nos levaram para o seu universo, onde temos de esquecer algumas das animações que foram feitas desnecessariamente com AI, camp, teatral, colorido com uma pop divertida e nu-disco, como se estivéssemos num club queer em New York.


No alinhamento, fizeram parte temas como Laura, Tits on the Radio, I Can’t Decide, Take Your Mama e Comfortably Numb, uma cover dos Pink Floyd. Contrariamente do que o título diz, meteram o público a dançar com I Don’t Feel Like Dancin’, Any Which Way, Filthy Gorgeous e a esperançosa Fire With Fire. E não podia faltar um dos temas mais icónicos: Let’s Have a Kiki, que ao vivo foi tão divertido como seria de se esperar.


Após assistir-se a este concerto de Scissor Sisters, foi impossível não se ficar feliz e com um sorriso de orelha a orelha. Agora, só esperemos que a banda não demore tantos anos a voltar a Portugal. 

 



A cabeça de cartaz deste segundo dia foi FKA Twigs, que regressou a Portugal dez depois do seu primeiro concerto no Primavera Sound Porto, e veio apresentar o seu novo álbum EUSEXUA, editado em Janeiro. O que se seguiu foi uma hora de pura arte e perfeição pop e eletrónica, e a prova de que se tornou uma das melhores artistas britânicas nestes últimos anos.


FKA Twigs iniciou o espetáculo em cima de uma plataforma enquanto cantava Perfect Stranger. A seguir, partiu para Room of Fools, onde mostrou a maravilhosa dançarina que é juntamente com os seus dançarinos, e para Striptease, em que deu uma atuação fantástica apenas com um lenço vermelho à volta do seu corpo e cara. Em 24hr Dog, a artista atuou num varão de uma forma realmente hipnotizante. Continuou com Eusexua, Perfectly e Drums of Death, que teve direito a uma coreografia impressionante com cadeiras e, do novo disco, ouviu-se também Girl Feels Good.


Já da mixtape, CAPRISONGS (2022), trouxe honda, my love e papi bones e, ainda, Glass & Patron do EP M3LL155X (2015). Do primeiro álbum, LP1 (2014), ouviu-se apenas Numbers e Two Weeks. Já do segundo disco, MAGDALENE (2019), atuou Home With You e a emocional Cellophane, que deixou para último num momento emocional que, de certeza, mexeu com os fãs que assistiram.


Durante este concerto de FKA Twigs, desde o primeiro segundo sentiu-se arte a transbordar por todo o recinto a começar na sua voz, a passar pelas suas músicas e a terminar na maneira em que a artista e os seus dançarinos se mexem em palco. Desta forma, foi um grande momento pop com um espetáculo perfeito e sem defeitos, que era difícil não deixar qualquer pessoa que assistisse impressionada. Também deixou a questão de porque é que FKA Twigs não é uma artista maior e, ainda mais, reconhecida do que é neste momento, principalmente fora do Reino Unido e alguns países europeus, quando dá espetáculos destes, mas só se pode esperar que isso mude nos próximos tempos e mais pessoas abram os olhos para a artista extraordinária que é. 




 

Texto e fotos: Iris Cabaça 

 

MEO Kalorama 2025: dia 2 – a perfeição de FKA Twigs e a surpresa de Model/Actriz MEO Kalorama 2025: dia 2 – a perfeição de FKA Twigs e a surpresa de Model/Actriz Reviewed by Watch and Listen on junho 29, 2025 Rating: 5

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