Primavera Sound Porto 2025: dia 2 – a política e as emoções juntas
No segundo dia do Primavera Sound Porto, foi a vez de se assistir a alguns regressos ao nosso país, e houve diversificação e diversão para todos os gostos com concertos de TV On The Radio, Liniker, Beach House e Aminé.
As Anavitória, dupla formada por Ana Caetano e Vitória Falcão, abriram o palco Vodafone neste segundo dia. O duo encantou o público com a sua folk-pop neste começo de tarde e veio apresentar o seu mais recente álbum, Esquinas, editado em 2024.
Com as suas belas harmonias, tocaram músicas como Minto Pra Quem Perguntar, Trevo (Tu), Não Sinto Nada e Amarelo, Azul e Branco e proporcionaram uns 50 minutos de músicas descontraídas sobre amor que até alguns fãs de Deftones nas primeiras filas pareceram gostar.
No princípio do concerto, Ana Caetano disse que a primeira vez que a dupla saiu do Brasil for para atuar no Porto e como adoram a cidade e é sempre bom estarem ali.
Ainda trouxeram uma cover de Partilhar de Rubel e, no final, tocaram Nosferatu, Pupila e terminaram com Quero contar pra São Paulo e com a certeza de que deixaram muitos corações aquecidos com o seu espetáculo.
Com o final de tarde a aproximar-se, foi a vez de Waxahtchee pisar o palco Porto para apresentar o seu mais recente álbum, Tigers Blood (2024). Com o seu folk e country diretamente de Alabama, a artista encantou o público que se juntou para ouvir temas como 3 Sisters, Can’t Do Much, Lilacs, Ice Cold e Crowbar. Assim, tornou este final de tarde calmo, mas bem passado.
Os TV On The Radio regressaram a Portugal 10 anos depois do seu concerto no Vodafone Paredes de Coura, em 2015, e apesar de não editarem um novo álbum desde 2014, o último foi Seeds, devido ao seu hiatus, as suas músicas e mensagens continuam tão ou mais importantes do que nunca.
O concerto começou com o vocalista Tunde Adebimpe a ler um texto que traduziu para português com a ajuda do Google onde confessou que estavam felizes por estarem ali e partilharem “esse amor, essa energia, [e] essa música num momento em que as coisas no mundo parecem tão horríveis”, e iniciaram com o tema Young Liars. Logo, reparou-se no keffiyeh que Kip Malone colocou no seu teclado, e depois à volta do seu pescoço, e no autocolante com a bandeira da Palestina que tinha na guitarra.
A banda continuou o espetáculo com Golden Age e Lazerray, e antes de tocarem Wolf Like Me, que implodiu com alguns moshes, Adebimpe voltou a partilhar uma mensagem com o público e afirmou “Free Palestine [...] Free Sudan, Free Congo, Free All oppressed people”, pegou no seu telemóvel e pediu ao público para gritar “Fuck ICE” enquanto gravava um vídeo para mandar para os seus amigos nos U.S.A.
A seguir, ouviram-se os temas Province, Dreams e Could You. Já Happy Idiot, de Seeds (2014), meteu o público desde as primeiras filas até às últimas a saltar ao ritmo da música. Perto do final, Adebimpe e Malone disseram que o baterista Jahphet Landis fazia anos e, assim, pediram ao público para cantar os parabéns em português.
Terminaram o concerto com Trouble e Staring at the Sun, e ficou a confirmação que parece que os TV On The Radio não tiveram uma pausa de 5 anos e voltaram aos palcos cheios de energia, e mostraram porque é são uma das bandas mais importante do indie rock dos anos 2000.
Para se continuar com a energia em alta, seguiu-se o concerto de Aminé, que regressou a Portugal depois do seu concerto no Super Bock Super Rock de 2024 para apresentar o seu novo álbum 13 Months of Sunshine, editado a 16 de maio. O rapper conquistou (ainda mais) os fãs nas primeiras filas, e mesmo quem não o conhecia ou não conhecia tão bem, com a sua energia.
Um concerto ideal para dar início a este quase verão com músicas como Vacay, Raspberry Kisses, 13MOS e Arc de Triomphe. Sem faltar o seu single de estreia Caroline, Sossaup e 4EVA de Kaytraminé (2023), o seu álbum em colaboração com Kaytranada.
Com vários elogios ao país e ao Porto, Aminé deixou mesmo a sensação que adorou o público e voltar a Portugal.
Com dois concertos completamente diferentes um do outro e a começarem quase ao mesmo tempo, teve de se fazer uma escolha entre Liniker no palco Revolut e Beach House no palco Vodafone. Assim, assistiu-se ao início do concerto de Liniker que entrou em palco com uma roupa verde brilhante e começou a cantar Caju do seu mais recente álbum com o mesmo nome, editado em 2024, e continuou com Tudo e Negona dos olhos terríveis.
A artista brasileira encheu o palco Revolut e animou o público com as suas músicas com letras inspiradoras e ritmos de MPB, soul e blues que deram vontade de se dar alguns passos de dança.
Já em Beach House, foram vibes opostas com músicas mais introspetivas e um cenário mais escuro, onde por vezes mal se via a cara dos membros da banda. O alinhamento foi um best of de alguns dos seus temas, e sem grande foco no seu mais recente álbum Once Twice Melody (2022).
Lazuli deu início ao concerto e, de seguida, continuou com Dark Spring e Silver Soul. A banda de Victoria Legrand, Alex Scally e James Barone prosseguiu a trazer a sua fusão tão característica de dream pop e shoegaze com alguns dos seus melhores temas, tais como, Master of None, Wildflower, Myth e Girl of the Year.
Muitas vezes, as suas músicas intimistas não parecem resultar tão bem em festivais e com multidões maiores, mas desta vez resultou bem e este concerto foi como uma calma no meio da tempestade e correria deste dia. Também houve mais alguma interação com o público por parte da banda, principalmente vinda de Alex Scally a afirmar que tem sempre boas memórias do nosso país e falou sobre o concerto que deram no Porto, em 2008, no Passo Manuel.
Para o final, guardaram Space Song, de Depression Cherry (2015) e Over and Over, do seu mais recente disco, e deixaram o público transformado e/ou em lágrimas depois do concerto.
Texto e fotos: Iris Cabaça
Reviewed by Watch and Listen
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junho 18, 2025
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